📅 Publicado em 05/06/2026 12h45✏️ Atualizado em 05/06/2026 14h57
As castanheiras que resistem em meio ao concreto, aos loteamentos, condomínios e ao crescimento urbano de Marabá ganharam um registro inédito. O livro Castanheiras do Asfalto, do jornalista e escritor Ulisses Pompeu, será lançado no próximo dia 16 de junho, às 17 horas, em um local carregado de simbolismo: ao lado de uma castanheira, na sede da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri).
Mais do que um inventário de árvores espalhadas pela cidade, a obra propõe uma viagem pela história econômica, social e ambiental de Marabá, mostrando como a castanha-do-pará sustentou gerações, impulsionou o crescimento da cidade e moldou a ocupação do território ao longo do século XX.
O livro nasceu a partir de um levantamento iniciado em 2016 para identificar e catalogar as castanheiras existentes na área urbana do município. Na época, foram registradas 128 árvores. Atualmente, restam apenas 114, evidenciando a perda gradual de um dos principais símbolos da cidade.
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Na apresentação da obra, Ulisses Pompeu destaca que cada castanheira desaparecida representa mais do que uma árvore derrubada. “Cada número que diminui não representa apenas uma árvore a menos, mas um pedaço da identidade da cidade que se perde”, escreve o autor.
DA FLORESTA AO ASFALTO
Ao longo de 124 páginas ilustradas, Castanheiras do Asfalto mostra como a castanha-do-pará se transformou no principal motor econômico de Marabá entre as décadas de 1920 e 1970. O livro aborda o surgimento dos castanhais, as disputas por terras, o poder das oligarquias da castanha, a vida dos trabalhadores da floresta e as mudanças provocadas pela expansão da pecuária, da exploração madeireira e a chegada da mineração.
A obra também apresenta curiosidades históricas, documentos, fotografias e relatos que ajudam a compreender a importância da castanha para a formação de Marabá. Durante décadas, a economia da cidade girou em torno da amêndoa exportada para diferentes mercados, influenciando o surgimento de bairros, o crescimento do comércio e a chegada de milhares de trabalhadores à região.

ÁRVORES CONTAM HISTÓRIAS
Além do resgate histórico, o livro percorre diversos bairros e núcleos urbanos da atualidade para contar a trajetória das castanheiras que ainda permanecem de pé. Algumas estão em áreas residenciais, outras sobrevivem próximas a escolas, clubes, instituições públicas, condomínios e rodovias, funcionando como testemunhas silenciosas da transformação da cidade.
A publicação mostra que muitas dessas árvores são centenárias e já existiam antes mesmo da chegada de Francisco Coelho à região. Em diversos casos, elas resistem cercadas por ruas, construções e empreendimentos imobiliários, mantendo viva a memória de uma época em que a floresta dominava a paisagem local.
EDUCAÇÃO E PRESERVAÇÃO
Pensado especialmente para estudantes do ensino fundamental e médio, o livro busca aproximar as novas gerações da história da cidade e despertar a reflexão sobre a importância da preservação ambiental. Aliás, exemplares do livro serão entregues às escolas públicas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Médio de Marabá.
A obra também reforça que a castanheira não é apenas uma espécie da floresta amazônica, mas um símbolo oficial de Marabá, presente no brasão do município e diretamente ligado à construção de sua identidade histórica e cultural.
Ulisses Pompeu salienta que as castanheiras catalogadas ganharam localização por coordenadas geográficas e no livro há um QR Code que pode ser escaneado para que o leitor possa ter, na palma de sua mão, o mapa da localização das árvores registradas ao longo do projeto.

CINCO SENTIDOS
Pompeu antecipa que as pessoas que forem ao lançamento deste livro terão aguçados os cinco sentidos do corpo humano: visão, audição, tato, olfato e paladar. Alguns deles virão diretamente da floresta. “Não posso adiantar de que forma os convidados terão uma experiência imersiva, mas certamente aqueles que participarem terão o privilégio de ativar os cinco sentidos durante esse evento”, garante.
O jornalista diz, ainda, que além do lançamento oficial, outros eventos serão realizados em escolas e universidades, conforme planejamento já feito, inclusive na UEPA, em Marabá, onde há cursos relacionados ao meio ambiente, como Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal.
“Esse livro foi escrito por mim, mas houve a contribuição de diversas pessoas, entre professores da Unifesspa, fotógrafos Jordão Nunes, Breno Pompeu e, também entidades, como o Conselho Municipal de Meio Ambiente”, compartilha Ulisses Pompeu.
Ao unir pesquisa, memória, fotografia e educação ambiental, Castanheiras do Asfalto convida o leitor a olhar para além do concreto e reconhecer nas árvores remanescentes uma parte viva da história marabaense.
O livro Castanheiras do Asfalto é uma produção da Banzeiro Comunicação e recebe o patrocínio da Vale, Mirante Empreendimentos Imobiliários, Grupo Correio de Comunicação, além do apoio institucional do Ministério Público do Pará, Fundação Zoobotânica de Marabá, Câmara Municipal de Marabá, Instituto de Artes Vitória Barros e Secretaria Municipal de Meio Agricultura.
SOBRE A VALE
A Vale acredita que a cultura transforma vidas. Pelo quinto ano consecutivo é a maior apoiadora privada da Cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa.
Serviço:
Lançamento do livro “Castanheiras do Asfalto”
Data:16 de junho de 2026
Horário: 17 horas
Local: Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri)
Entrada: Gratuita

