A segurança pública dentro do ambiente escolar há muito tempo deixou de ser um conceito restrito a portões e monitoramento. No Pará, ela ganhou voz, empatia e, acima de tudo, informação de base. Coordenado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o Programa “Escola Segura” movimentou a comunidade escolar nesta terça-feira (26), na Escola “O Pequeno Príncipe”, em Marabá, Sudeste Estadual. A iniciativa articula a análise de dados digitais do sistema de monitoramento à atuação técnico-pedagógica direta, com o objetivo de diminuir fatores de risco e fortalecer as diretrizes da cultura de paz nas unidades de ensino paraenses.
Mais do que seguir um cronograma rígido, o programa inova ao atuar sob demanda formativa de cada comunidade. Ao detectar o avanço de novos hábitos nocivos entre os jovens, como o uso de cigarros eletrônicos (vapes), a coordenação do programa recalibrou a rota para abrir um debate franco e impactante com os estudantes.
O ponto de partida para a intervenção na Escola “O Pequeno Príncipe” nasceu da tecnologia. Através do Sistema de Ocorrências Escolares, ferramenta digital desenvolvida pela Seduc, a gestão pública consegue mapear, em tempo real e diretamente de cada Diretoria Regional de Ensino (DRE), as principais vulnerabilidades registradas pelos diretores.
Leia mais:

Foi esse termômetro digital que apontou o aumento na apreensão de dispositivos eletrônicos de fumar e acendeu o alerta. O coronel da Polícia Militar, Benedito Sabbá, assessor do Núcleo de Segurança Pública e Proteção Escolar da Seduc, um dos braços dinâmicos da ação, explica como a estratégia foi desenhada para chocar positivamente e conscientizar os alunos:
“A gente trabalha de acordo com a demanda. Apesar de termos palestras o ano todo sobre vários assuntos, como bullying, violência sexual e violência contra os professores, fui procurado pela Escola Pequeno Príncipe para antecipar a palestra de saúde devido a algumas ocorrências. A gente preparou uma abordagem bastante didática e com fatos reais. Mostramos reportagens de telejornais com adolescentes que perderam os pulmões, prejudicando a própria vida e a rotina familiar, inclusive o caso de uma mãe que precisou abandonar o emprego para acompanhar o tratamento do filho. Através dessas imagens verdadeiras, tentamos sensibilizar os alunos sobre os malefícios reais do cigarro eletrônico”, detalhe o coronel.
Ao longo desta e do início da próxima semana, a equipe se revezará de sala em sala, atendendo duas turmas por turno para cobrir as 16 classes da escola (oito de manhã e oito à tarde). São encontros dinâmicos de 50 minutos, pensados para manter o interesse dos jovens sem torná-los cansativos.
Estudantes- Na linha de frente desse processo estão os estudantes do 1º ano do Ensino Médio. Em uma era hiperconectada, onde a desinformação disputa espaço com a ciência, o impacto das palestras foi imediato. Maria Kamilly Moreira de Souza, de 15 anos, destacou a importância de trazer dados globais e reflexões profundas para o cotidiano dos adolescentes:
“A palestra foi bastante essencial para a nossa vida de jovem e adolescente, principalmente porque há muitos casos de jovens entrando em mundos não muito apropriados. A palestra ajudou bastante também a gente a entender o porquê disso, como funciona, os riscos e as consequências. Ajudou a estudarmos o conteúdo e tentar evitar o pior. Sabemos que mais de 3 milhões de jovens morrem a cada ano [no mundo por causas associadas], então precisamos ficar muito atentos,” afirma a aluna.
O colega de turma, Arthur Carvalho Cardoso, também de 15 anos, chamou a atenção para o papel das redes sociais e o perigo camuflado sob a estética moderna dos novos produtos:
“Eu achei importante e necessária a palestra que tivemos, porque nos trouxe o aprendizado do quão as drogas são ruins, realmente matam e representam um perigo. Sobretudo para nós, jovens, que temos um contato muito cedo com esse mundo. Hoje, a nossa geração tem grande acesso a informações pela internet, tanto boas quanto ruins, e dentro dessas informações está o vape e o cigarro, que fazem muito mal para a saúde. É importante ficar alerta para saber preveni-los,”destaca Arthur Carvalho.
Responsabilidade- Para o corpo docente e os gestores, o “Escola Segura” entrega um suporte pedagógico essencial, estabelecendo limites claros e fomentando o amadurecimento social dentro e fora dos muros institucionais. Antonio Luís Soares, diretor da Escola Pequeno Príncipe, resume os múltiplos impactos da iniciativa:
“Esse tipo de ação apresenta vários aspectos positivos. Contribui para despertar a consciência dos estudantes sobre o cuidado com a própria saúde ao evitar o uso de cigarros eletrônicos ou qualquer substância psicoativa. Além disso, deixa os alunos cientes de que determinadas condutas praticadas no ambiente escolar constituem atos infracionais, e que eles podem ser responsabilizados juntamente com seus pais e responsáveis. Isso contribui significativamente para o clima de respeito e exercício da cidadania dentro e fora da escola”, frisa o gestor.
Unir o cuidado com a mente e a proteção do espaço físico é o coração da política pública do Estado do Pará. Complementando a visão pedagógica, Magno Barros, diretor da DRE, reforça a transversalidade do programa:
“O Escola Segura age em duas frentes: a segurança ostensiva nas escolas e o trabalho psicossocial com alunos e professores. Quando o ambiente é seguro e a cabeça do aluno está bem cuidada, o aprendizado acontece naturalmente. A palestra do coronel Sabbá reflete exatamente isso: segurança e educação caminhando juntas, como o programa propõe,” explica Magno Barros.
Próximos Passos- O ciclo de conscientização não para na zona urbana de Marabá. Após concluir o cronograma intensivo na Escola “O Pequeno Príncipe”, o “Escola Segura” expandirá suas fronteiras. No dia 8 de junho, a caravana da prevenção desembarca em Nova Ipixuna, onde passará o dia todo em atendimento nos turnos da manhã, tarde e noite, levando as palestras e o suporte psicossocial para os alunos da Escola Maria Irani e ainda para as turmas do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOMe), localizadas nas comunidades mais afastadas. (Texto: Emilly Coelho – Secom/Pará)
