Correio de Carajás

BR-230: balsas devem entrar em operação nos próximos dias próximo à ponte interditada

Políticos e empresários de Araguatins, na margem Tocantinense, fazem pressão e podem conseguir liberação

Maquinário era visto ontem abrindo o acesso para veículos e criando a rampa

Após dias de pressão de políticos, comerciantes e entidades de Araguatins (TO), a situação que paralisou o fluxo de veículos na BR-230, na divisa entre o Tocantins e o Pará, começa a caminhar para uma solução emergencial. Três balsas da empresa Pipes, que estão posicionadas ao pé da ponte interditada, no lado tocantinense do rio Araguaia, devem entrar em operação nos próximos dias.

Imagens aéreas captadas nesta sexta-feira (22) já mostram maquinário pesado abrindo caminho e preparando uma rampa de acesso para a chegada e saída das embarcações.

A autorização para a operação das balsas ainda depende do aval formal da Marinha do Brasil, mas o cenário mudou de forma significativa na noite de quarta-feira (21), durante reunião de mobilização realizada em Araguatins. Segundo Juno Marzola, um dos organizadores do encontro, o prefeito de Areia (TO), Aquiles, divulgou um vídeo apresentando um documento que indica que o DNIT autorizou a empresa Pipes a realizar o transporte fluvial pago — ou seja, com cobrança de tarifa diretamente ao usuário.

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“Embora não tenha sido lido na íntegra, o documento preconiza que o DNIT autorizou a empresa Pipes a fazer o transporte pago pelo usuário, o que já nos satisfaz plenamente”, afirmou Marzola.

O próprio dono da empresa de balsas, Pedro Iran Pereira do Espírito Santo, confirmou a autorização por telefone ao organizador da reunião ainda na noite de quarta. Segundo ele, estaria em Araguatins entre quinta (22) e sexta-feira (23) para organizar a operação das embarcações no local.

A reunião de mobilização, que reuniu representantes de todos os setores da cidade, também produziu um documento elaborado em conjunto com a OAB regional de Araguatins, a ser encaminhado ao DNIT, com duas pautas principais: a liberação das balsas para o transporte — mesmo que pago — e, se não houver risco à segurança, a liberação da plataforma da ponte para a circulação de carros e motos.

Três balsas da empresa Pipes estão no local há dias, ao pé da ponte

O bloqueio

A crise no trecho tem origem na interdição da ponte sobre o rio Araguaia, que liga Araguatins (TO) a Palestina do Pará (PA). A estrutura foi bloqueada por falta de segurança, enquanto se aguarda o resultado de laudo técnico que definirá se a obra passará por conserto, reparo ou reconstrução total.

O DNIT já sinalizou que a solução mais provável é a demolição da ponte para posterior reconstrução — uma perspectiva que preocupa profundamente as comunidades dos dois lados do rio, que dependem da travessia para o escoamento da produção agrícola, o abastecimento de comércio e o acesso a serviços essenciais.

A negociação para a operação emergencial das balsas esteve travada por dias em razão de uma divergência entre o Governo Federal e a empresa Pipes. O DNIT insistia em oferecer a travessia de forma gratuita aos motoristas, mas a empresa não chegava a um acordo com o valor que o governo pretendia pagar pelo serviço.

A saída encontrada — autorizar a cobrança direta ao usuário — foi comemorada pelos moradores e lideranças locais como uma solução pragmática para um impasse que já durava dias e causava prejuízos crescentes à região.