A cidade de Marabá vive neste sábado (23) um marco importante para a medicina paliativa na região Norte. A enfermeira alemã Karin Schmid, uma das principais referências do movimento Last Aid (Últimos Socorros) no Brasil, desembarcou para ministrar formação inédita na cidade, ao lado da médica marabaense Dra. Lorena Agrizzi, especialista nacional em Cuidados Paliativos.
O dia é o ponto alto de uma programação que já começou na sexta-feira (22) com o evento de abertura “Entre Cuidados e Territórios: Experiências Paliativas no Pará”, promovido pela Liga Acadêmica de Dor e Cuidados Paliativos (LADOR) na Faculdade Afya.
Formação de facilitadores
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Nesta manhã, no prédio do curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA), tem início a “Formação de Facilitadores do Curso de Últimos Socorros”. O curso é exclusivo para profissionais que já atuam ou têm vivência em cuidados paliativos. Cerca de 10 especialistas, incluindo paliativistas vindos de Belém, participam do treinamento, que se estende até as 17h.
O objetivo é multiplicar pelo Pará facilitadores capazes de levar o conceito de “Últimos Socorros” para diferentes municípios. Assim como as pessoas são treinadas para salvar vidas em emergências com os Primeiros Socorros, o Last Aid prepara a população para acompanhar com dignidade e acolhimento quem está em fase avançada de uma doença grave ou em processo de terminalidade.
Impacto comunitário
Karin Schmid, formada na Alemanha e representante do Last Aid Research Group International (LARGI), já conduziu mais de 100 cursos pelo Brasil. Sua presença em Marabá reforça o movimento nacional de humanização do fim da vida, alinhado à Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) do Ministério da Saúde.
Além da formação técnica da sexta, a agenda ainda reserva um momento de forte inclusão: na terça-feira (26), Schmid e Dra. Lorena oferecerão o curso para pessoas surdas e intérpretes de Libras, com turma reduzida de 10 a 15 participantes.
Por que o tema ganha importância
O Brasil ainda enfrenta grande desigualdade no acesso aos cuidados paliativos. Centenas de milhares de pessoas precisam anualmente desse tipo de assistência, mas a oferta ainda é insuficiente, especialmente fora dos grandes centros. Iniciativas como a que Marabá recebe hoje são fundamentais para formar redes locais, fortalecer comunidades compassivas e fazer com que o cuidado no fim da vida deixe de ser exceção para se tornar um direito de todos.
A programação de hoje representa, portanto, mais do que uma simples capacitação: é um passo concreto para humanizar a saúde na região, aproximando profissionais, estudantes e a própria comunidade do olhar sensível e preparado que a terminalidade exige.
