Correio de Carajás

Em “O Mar é Longe”, Airton Souza narra a jornada de sobrevivência de dois irmãos em fuga

"O Mar é Longe" conta a história de esperança e vulnerabilidade de irmãos maranhenses/Foto: Evangelista Rocha
Por: Luciana Araújo

O escritor marabaense Airton Souza acaba de lançar seu novo romance, “O Mar é Longe”, publicado pela editora Record. A obra despontou como a mais vendida no 14º Festival Literário de Araxá, em Minas Gerais, durante a última semana, e aborda os impactos da violência doméstica e da extrema pobreza.

Os leitores interessados podem adquirir o exemplar físico e o e-book (livro digital) pelo link: https://a.co/d/07KzzhrN.

A narrativa acompanha dois irmãos que vivem em um lar marcado pela agressão paterna e pelo silêncio da mãe, que tenta proteger os filhos a todo custo. Para escapar dessa realidade, o irmão mais velho convence o caçula a fugir de casa em direção ao litoral maranhense. A história é profundamente influenciada por perdas e tragédias pessoais do próprio Airton.

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“É como se eu tivesse pegado o assassinato do meu irmão em 2012, a própria violência que minha mãe teve que enfrentar em casa – e que é uma realidade de grande parte dos brasileiros marginalizados na pobreza – e trouxesse isso para a literatura”, revela.

A ideia original para a obra surgiu há dez anos, logo após a morte de seu pai. Em um de seus últimos momentos, o pai perguntou ao filho se o Maranhão ficava distante – questionamento que serviu de ponto de partida para a trama.

O cenário escolhido reflete diretamente as raízes familiares e a memória afetiva do autor. A história começa no município de Rosário e termina nas ruas de São Luís, capital do Maranhão, traçando um paralelo geográfico e histórico com a ancestralidade do escritor.

Assinada por Petchó Silveira, a capa de “O Mar é Longe” é simbiótica com o texto de Airton/Foto; Divulgação

“O Maranhão é o território da minha família. Eu nasci em Marabá muito por conta do garimpo de Serra Pelada, mas os meus parentes são todos maranhenses e uma boa parte da minha infância eu morei lá”, conta Airton.

Ele acrescenta que Rosário possui características semelhantes às de Marabá, pois ambas são banhadas e atravessadas por rios, o que ajuda a conferir verossimilhança à jornada dos personagens em direção ao mar.

Ao chegarem a São Luís, os protagonistas passam a viver em situação de rua. Nesse momento da narrativa, um elemento cotidiano ganha destaque na sobrevivência dos meninos: o papelão. Esse detalhe norteou a criação da arte da capa, intitulada “Dois Meninos”, datada de 2026 e produzida exclusivamente para a obra pelo artista plástico paraense Petchó Silveira.

“O papelão é um personagem no livro que os acolhe e os protege, porque eles dormem em cima de papelões e também se embrulham com papelões ao longo da narrativa”, detalha o autor sobre a sintonia entre seu texto e o trabalho do artista visual.

A nova publicação consolida a presença do escritor na editora Record, parceria iniciada com o grande alcance de seu romance de estreia, “Outono de Carne Estranha”. O título, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, inseriu Airton Souza no circuito nacional e permitiu o contato direto com grandes referências literárias do país.

Com uma agenda intensa, o autor já tem sessões de lançamento confirmadas para a Festa Literária Internacional de Paraty, em julho, e para a Feira Pan-Amazônica do Livro, em setembro.