Correio de Carajás

Associação promove ação gratuita para fibromiálgicos de Marabá

Jéssica e Caroline convidam a comunidade fibromiálgica de Marabá a participar do evento
Por: Luciana Araújo

A Associação do Sul e Sudeste Paraense de Fibromiálgicos (ASSPAFIBRO) realiza neste sábado (23) uma ação social voltada para pessoas com fibromialgia e para a comunidade em geral, em Marabá. O evento ocorrerá das 16h às 20h, na Igreja Batista Luz do Evangelho, localizada no Km 7, com serviços gratuitos, emissão de documentos e orientações multiprofissionais.

A programação integra a campanha Maio Roxo, criada para a conscientização sobre a fibromialgia. A data faz referência ao Dia Mundial da Fibromialgia, celebrado em 12 de maio.

Entre os principais serviços oferecidos está a emissão da carteira de identidade para Pessoa com Deficiência (PCD) destinada a pessoas diagnosticadas com fibromialgia. Para solicitar o documento, será necessário apresentar laudo médico, certidão de nascimento ou casamento, comprovante de residência e duas fotos 3×4.

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Além disso, o Departamento Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (DMTU) também participará da programação com a emissão de cartões de estacionamento destinados ao público PCD. A previsão é de cerca de 40 atendimentos relacionados ao serviço.

A ação ainda contará com rodas de conversa e orientações com profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e nutrição. Uma estudante de terapia ocupacional também participará de forma voluntária, realizando atendimentos e atividades durante o evento.

De acordo com Caroline Tremblay, vice-presidente da associação, o objetivo é ampliar o acesso à informação e reforçar a importância do acompanhamento multiprofissional para pessoas com fibromialgia.

“O exercício, para nós, é remédio. Não é só a medicação controlada. A atividade física e o acompanhamento profissional também fazem parte do tratamento”, destaca.

Por sua vez, Jéssica Ibiapino Freire, presidente da ASSPAFIBRO, explica que muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para obter diagnóstico e acesso ao tratamento adequado. Segundo ela, a doença não é identificada por exames específicos, já que o diagnóstico é clínico e envolve diferentes fatores.

“Hoje a fibromialgia ainda é muito cercada de desinformação. Muitas pessoas passam anos tentando entender o que têm até conseguir um diagnóstico”, ressalta.

A associação estima que cerca de 500 pessoas participem atualmente dos grupos de apoio mantidos pela entidade em Marabá. Parte delas já possui diagnóstico confirmado, enquanto outras ainda estão em processo de investigação clínica.

Segundo Jéssica, a maioria dos casos registrados envolve mulheres, embora a associação também acompanhe homens diagnosticados com a síndrome.

“A sobrecarga geralmente fica com a mulher, que trabalha fora, cuida da casa, dos filhos e enfrenta múltiplas responsabilidades. Tudo isso impacta diretamente na saúde emocional e física”, pontua.

A ASSPAFIBRO também defende a aplicação efetiva da legislação federal relacionada aos direitos das pessoas com fibromialgia. Entre as principais reivindicações está a implantação de um ambulatório público especializado em dor, com atendimento multiprofissional.

“A lei existe, mas a nossa luta agora é pela aplicabilidade. O Estado tem a responsabilidade de implantar ambulatórios de dor e garantir atendimento adequado para pessoas com doenças crônicas”, ressalta Jéssica.

Segundo a presidente, outro desafio enfrentado pela entidade é ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a fibromialgia e fortalecer a rede de atendimento na região. A associação mantém diálogo e parcerias com instituições e grupos locais para ampliar o suporte aos pacientes.

A ASSPAFIBRO atua há quatro anos em ações de conscientização sobre a doença e afirma que o fortalecimento da rede pública de atendimento segue entre as principais metas da entidade em Marabá.