Correio de Carajás

Povo Gavião reúne aldeias e celebra 12º Festival Safra da Castanha Nova

Mega evento cultural de uma semana transforma Terra Mãe Maria em encontro de culturas indígenas do Brasil

Meninas da comunidade indígena celebram a cultura de seu povo na abertura do Festival da Castanha Nova/Fotos: @oguajajara
Por: Ulisses Pompeu

Entre cantos tradicionais, grafismos, competições e encontros entre povos indígenas de diferentes regiões do País, foi aberta neste domingo (17) a 12ª edição do Festival Safra da Castanha Nova, na Aldeia Kupekate Kyikatêjê, localizada na Terra Indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins. O evento reúne representantes da maior parte das 50 aldeias do território indígena e segue ao longo desta semana com extensa programação cultural, esportiva e de integração com os “kupês” (como os indígenas se referem aos não indígenas).

A cerimônia de abertura foi marcada por um forte momento de emoção e espiritualidade. Durante a programação, a comunidade realizou uma homenagem às famílias das pessoas que morreram ao longo do ano passado e deste ano. Em meio aos cantos tradicionais e à força coletiva do povo Gavião, a aldeia relembrou aqueles que partiram, mantendo vivas suas histórias, memórias e ensinamentos.

Cacique Zeca Gavião em momento solene de lamentação pelas perdas de vidas no último ano

O momento foi conduzido sob forte sentimento de saudade e respeito aos ancestrais, reafirmando a importância da memória coletiva e da continuidade cultural dos povos indígenas.

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“Mais do que lembrar das ausências, a homenagem também reafirma que nossos ancestrais seguem presentes através da memória, da cultura e da continuidade do povo”, destacou a organização do evento.

A abertura oficial da Safra da Castanha Nova 2026 também contou com apresentações culturais das delegações convidadas, reunindo povos indígenas do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso do Sul em uma grande celebração de resistência, ancestralidade e fortalecimento entre os territórios indígenas.

Cacique Cátia com os membros de sua aldeia, Akrãntikatêjê, da TI Mãe Maria

Estiveram presentes o Povo Terena (Mato Grosso do Sul), Povo Anambé (Pará), Gavião do Maranhão, Povo Assurini Do Trokara (Pará), Povo Xerente (Tocantins), Povo Canela (Tocantins), Povo Suruí Aikewara (Pará), Povo Apinajé (Tocantins).

Entre pinturas corporais, danças, músicas e manifestações tradicionais, o festival reafirma a relação ancestral dos povos originários com a terra e a floresta. Cada expressão cultural apresentada durante o encontro carrega símbolos de identidade, pertencimento e preservação das tradições.

A nova geração mergulha em sua própria cultura para preservar tradições indígenas

Ao longo desta semana, as manhãs serão dedicadas a torneios de futebol masculino e feminino, além de natação, canoagem e jogos de arco e flecha.

As tardes reservam as tradicionais competições de força e resistência, como a corrida de tora, corrida de varinha, corrida de bastão e cabo de guerra, sempre com categorias masculina e feminina. As noites serão palco de grandes celebrações culturais e shows musicais. Na terça-feira (19), a animação fica por conta da Banda Caferana. Na quarta-feira (20), o cantor gospel Nani Azevedo comanda a noite. A quinta-feira (21) será dedicada às apresentações culturais de todas as delegações e de quadrilhas juninas convidadas.

O período da colheita da castanha, conhecido como Safra da Castanha Nova, representa um espaço de fortalecimento da coletividade, da cultura e das novas gerações indígenas, com a participação de centenas de “kupês”.

Povo Canela (Tocantins) em desfile durante a abertura do 12º Festival da Castanha Nova