Correio de Carajás

São Geraldo do Araguaia foca na prevenção e tenta se blindar no avanço do mexilhão-dourado

Pesquisadores, pescadores e gestores se unem para traçar estratégias urgentes de contenção do molusco invasor, que ameaça a economia e ecossistema local.

Pessoas assistindo a uma palestra em um auditório com projetor e bandeiras.
Reunião entre pesquisadores, pescadores e gestores públicos para traçar estratégias de contenção contra o molusco invasor
✏️ Atualizado em 15/05/2026 13h46

Uma corrida contra o tempo. É assim que o município de São Geraldo do Araguaia tem agido para proteger suas águas e blindar o Rio Araguaia contra a ameaça do mexilhão dourado (Limnoperna fortunei). Como forma de intensificar as ações de prevenção, na última quinta-feira, 14, pesquisadores, pescadores, gestores públicos e a sociedade civil se reuniram para traçar estratégias de contenção contra o molusco invasor, que está ‘subindo o Rio Tocantins’.

A mobilização acende um alerta urgente: a espécie asiática, conhecida pelo alto poder de destruição ambiental e econômica, já foi identificada em áreas próximas ao Pedral de São João do Araguaia, na região do Bico do Papagaio. Com a proximidade das férias de julho, o fluxo de barcos e turistas aumenta, elevando o risco de contaminação do Rio Araguaia.

“A prevenção é nossa ferramenta mais eficiente. Depois que o mexilhão se estabelece no ambiente, praticamente não existe solução definitiva para erradicação”, explicou a professora doutora, Cristiane Cunha, pesquisadora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e coordenadora do seminário.

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Cristiane: “Depois que o mexilhão se estabelece no ambiente, praticamente não existe solução definitiva para erradicação”

Cristiane reforçou a necessidade de um protocolo rigoroso de limpeza de barcos e tralhas de pesca que venham de regiões onde o molusco já foi detectado.

Para a economia de São Geraldo do Araguaia, a chegada do invasor seria catastrófica. A secretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Maria Eunizia Oliveira da Costa, destacou que o Rio Araguaia é o coração financeiro e cultural da região. “O Araguaia movimenta a economia local e sustenta inúmeras famílias, seja pela pesca artesanal ou pelo turismo. A prevenção neste momento é fundamental para proteger o rio e evitar prejuízos ambientais e econômicos futuros”, afirma, garantindo que o município busca ampliar a conscientização da população local e dos visitantes.

Forças regionais

O evento foi uma iniciativa do projeto de pesquisa “Avaliação do Limnoperna fortunei como bioindicador e reservatório de microplásticos”, coordenado pelo professor José Eduardo Martinelli Filho (UFPA), em parceria com o projeto Escola das Águas (Unifesspa/MPA), coordenado pela professora Cristiane Cunha.

A ação faz parte do Grupo de Trabalho sobre Mexilhão Dourado, incentivado pelo Ministério Público do Pará (MPPA) e pelo Ibama.

O seminário contou ainda com o apoio do IDEFLOR-Bio, Prefeitura de São Geraldo do Araguaia, Colônia de Pescadores local, Associação dos Pescadores de Xambioá (TO) e de lideranças comunitárias do Lago de Tucuruí, representadas por Ronaldo Macena, consolidando um pacto regional para manter o Rio Araguaia protegido contra o molusco.

Mexilhão-dourado

Originário da Ásia, o mexilhão-dourado chegou ao Brasil na década de 1980 por meio da água de lastro de navios cargueiros. Sem predadores naturais, o molusco se espalha rapidamente, entupindo tubulações, danificando motores e alterando drasticamente o ecossistema nativo.

Especialistas alertam que as larvas do animal são altamente resistentes e microscópicas, podendo pegar “carona” em:

  • Motores de popa e cascos de embarcações;
  • Caixas térmicas e redes de pesca;
  • Âncoras e outros materiais submersos.