Correio de Carajás

Em Marabá, Narcóticos Anônimos leva apoio e informação a quem busca recomeçar

Representantes da entidade no Brasil visitam Marabá e Parauapebas em ação itinerante e orientam sobre localização das sedes nos dois municípios

Um grupo de pessoas sentadas em círculo com o tapete dos Narcóticos Anônimos (NA) no centro.
Imagem manipulada por IA
Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 28/04/2026 10h37

Quanto vale um recomeço? Para pessoas que enfrentam a dependência química, uma palavra de apoio pode representar o início de uma nova trajetória. Com esse propósito, representantes do Narcóticos Anônimos (NA) Brasil estão em Marabá até esta quinta-feira (30), promovendo uma série de ações itinerantes para ampliar o acesso à informação e o acolhimento. O trabalho inclui visitas a instituições como Centros de Atenção Psicossocial, comunidades terapêuticas, unidades prisionais e espaços públicos, além de participações em veículos de comunicação, com o objetivo de levar uma mensagem de recuperação a quem ainda não conhece o programa.

A irmandade atua de forma voluntária, gratuita e anônima, oferecendo reuniões regulares onde dependentes compartilham experiências e se apoiam mutuamente. Outro braço importante do trabalho são os projetos em hospitais e instituições, que levam informação e suporte a pessoas em situação de vulnerabilidade ou privadas do convívio social. A proposta é não apenas divulgar o programa, mas também fortalecer grupos locais e criar condições para que o acolhimento aconteça de forma contínua. No Brasil, já são mais de 1.600 grupos ativos, com milhares de reuniões semanais presenciais e virtuais.

Durante entrevista a este CORREIO, um dos representantes destacou a importância de compreender a dependência química como uma doença, e não como falha de caráter. “Às vezes a sociedade encara como falta de vergonha, mas é uma doença progressiva, que vai levando a pessoa a um processo de degradação. E, como toda doença, precisa de tratamento. O primeiro passo, e talvez o mais difícil, é reconhecer que precisa de ajuda”, afirma.

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O próprio voluntário, que segue os preceitos da instituição em não se identificar, compartilhou sua trajetória como exemplo de transformação. Após anos tentando abandonar o uso de drogas, sem sucesso, ele conheceu o NA por meio de uma apresentação em uma instituição. “Depois daquele dia, só por hoje, nunca mais usei drogas. Estou limpo há 15 anos, 10 meses e 25 dias”.

Segundo ele, a continuidade do programa e o apoio recebido nas reuniões foram fundamentais para a recuperação. Em Marabá, o grupo São Francisco realiza encontros três vezes por semana, abertos a qualquer pessoa que deseje buscar ajuda ou compreender mais sobre a dependência química.

Outro participante que acompanha a ação itinerante reforça o impacto transformador do programa a partir da própria vivência. Natural de Portugal e em recuperação há anos, ele conta que conheceu os Narcóticos Anônimos por meio do irmão e, apesar da resistência inicial, encontrou no grupo o suporte necessário para compreender e lidar com a dependência. Segundo ele, a doença atinge dimensões físicas, psicológicas e espirituais, e o processo de recuperação passa justamente por aprender a equilibrar essas áreas com o apoio de outros membros.

“Eu achava que não tinha recuperação possível, que ia morrer usando drogas. Hoje vejo que é possível mudar. Aqui aprendi a pedir ajuda, a ouvir o outro e a viver um dia de cada vez”, afirma. Ele também destaca o caráter coletivo da irmandade, baseada na troca de experiências, e relembra momentos difíceis que conseguiu superar sem recaídas. Para ele, a mensagem é clara: “Procurem uma reunião. O programa é gratuito e pode ajudar qualquer pessoa que queira se recuperar”.

Àqueles que encontram nas drogas uma válvula de escape, muitas vezes veem a própria vida se desestruturar diante da falta de apoio e oportunidades para sair desse ciclo. Somado a isso, o julgamento social contribui para o isolamento e dificulta ainda mais a busca por ajuda. Foi nesse contexto que, na década de 1950, na Califórnia (EUA), surgiu o Narcóticos Anônimos, como uma ramificação dos Alcoólicos Anônimos (AA), com foco na recuperação de dependentes de diferentes substâncias por meio dos 12 passos adaptados. Hoje, a irmandade está presente em mais de 140 países.

O Grupo São Francisco, em Marabá, está localizado na Travessa Pedro Fontenele, em uma estrutura anexa à Paróquia São Francisco, núcleo Cidade Nova. As reuniões acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras, sempre no horário das 19h30 às 21h30.

Já em Parauapebas, o Grupo Reviver situa-se na Rua 11, esquina com a Rua C, anexo à Igreja Católica de São Sebastião e às proximidades da Praça do Mahatman, Cidade Nova. Os encontros ocorrem aos domingos, das 16h às 18 horas, com sessões abertas a visitantes e destinadas ao tempo de partilha, inclusive durante feriados.