Correio de Carajás

Mulheres ganham 51% menos que homens em Marabá

Mesmo com maior nível de escolaridade, mulheres recebem salários significativamente menores, especialmente nas faixas de renda mais baixas

Duas mulheres interagem com um balão transparente em uma loja de artigos de festa, enquanto mãos filmam com um celular.
Mulheres chegam a ganhar, em média, 51% a menos que homens, ainda que ocupem a mesma função
Por: Chagas Filho
✏️ Atualizado em 24/04/2026 17h06

Uma pesquisa realizada com moradores de Marabá revelou uma desigualdade salarial expressiva entre homens e mulheres no mercado de trabalho local. De acordo com o estudo, homens chegam a ganhar, em média, 51% a mais que mulheres, mesmo quando possuem o mesmo nível de escolaridade, atuam na mesma função e estão inseridos no mesmo setor.

O levantamento foi baseado em dados da Pesquisa Socioeconômica de Qualidade de Vida (PSQV), conduzida pelo Laboratório de Inflação e Custo de Vida (LAINC), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Ao todo, foram analisadas informações de 1.021 pessoas com idades entre 15 e 64 anos, representando mais de 111 mil habitantes da cidade.

A pesquisa foi produzida por Lívia Gabrielle de Lima Ferreira, bacharela em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas (Unifesspa), mestranda do PPGPAM/IEDAR/Unifesspa; e Juliana de Sales Silva, professora doutora e atual coordenadora do Curso de Ciências Econômicas da Unifesspa, pesquisadora do LAINC.

Leia mais:
Lívia Gabrielle e sua orientadora Juliana de Sales conduziram a pesquisa

Diferença salarial chega a mais de R$ 700

Na prática, a desigualdade salarial significa que, enquanto uma mulher recebe em média R$ 1.518 — valor equivalente ao salário mínimo de 2025, – um homem pode receber cerca de R$ 2.293 exercendo as mesmas atividades. A diferença ultrapassa R$ 775 por mês.

Segundo a pesquisa, essa disparidade não pode ser explicada por fatores como qualificação profissional ou carga de trabalho. Pelo contrário: os dados mostram que as mulheres são, em média, mais escolarizadas que os homens em Marabá.

 

Mulheres estudam mais, mas ganham menos

O estudo aponta que 23,3% das mulheres possuem ensino superior ou pós-graduação, enquanto entre os homens esse percentual é de 20,5%. Ainda assim, essa vantagem educacional não se reflete em melhores salários.

Para os pesquisadores, isso evidencia a existência de discriminação salarial, ou seja, uma diferença de remuneração baseada no gênero, mesmo quando as características profissionais são equivalentes.

 

Desigualdade é maior entre os mais pobres

Outro ponto preocupante revelado pela pesquisa é que a desigualdade salarial é ainda mais intensa entre trabalhadores de menor renda. Nesses casos, homens podem ganhar até 86% a mais que mulheres.

Já entre as faixas de renda mais altas, essa diferença tende a diminuir, o que indica que mulheres em situação de maior vulnerabilidade econômica são as mais afetadas pela desigualdade.

 

O que pode mudar esse cenário?

Os dados mostram que investir apenas em qualificação profissional não é suficiente para reduzir a desigualdade salarial, já que as mulheres já apresentam níveis educacionais mais elevados.

Especialistas apontam que a solução passa por mudanças estruturais no mercado de trabalho, incluindo:

maior transparência na divulgação de salários pelas empresas;

fiscalização mais rigorosa do cumprimento das leis de igualdade salarial;

políticas que incentivem a equidade de gênero em contratações e promoções.

Pesquisa ainda será avaliada

O estudo foi realizado entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, com financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (FAPESPA). Os resultados apresentados são preliminares e ainda passarão por avaliação em congressos e periódicos acadêmicos.