📅 Publicado em 24/04/2026 17h02✏️ Atualizado em 24/04/2026 17h06
Uma pesquisa realizada com moradores de Marabá revelou uma desigualdade salarial expressiva entre homens e mulheres no mercado de trabalho local. De acordo com o estudo, homens chegam a ganhar, em média, 51% a mais que mulheres, mesmo quando possuem o mesmo nível de escolaridade, atuam na mesma função e estão inseridos no mesmo setor.
O levantamento foi baseado em dados da Pesquisa Socioeconômica de Qualidade de Vida (PSQV), conduzida pelo Laboratório de Inflação e Custo de Vida (LAINC), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Ao todo, foram analisadas informações de 1.021 pessoas com idades entre 15 e 64 anos, representando mais de 111 mil habitantes da cidade.
A pesquisa foi produzida por Lívia Gabrielle de Lima Ferreira, bacharela em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas (Unifesspa), mestranda do PPGPAM/IEDAR/Unifesspa; e Juliana de Sales Silva, professora doutora e atual coordenadora do Curso de Ciências Econômicas da Unifesspa, pesquisadora do LAINC.
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Diferença salarial chega a mais de R$ 700
Na prática, a desigualdade salarial significa que, enquanto uma mulher recebe em média R$ 1.518 — valor equivalente ao salário mínimo de 2025, – um homem pode receber cerca de R$ 2.293 exercendo as mesmas atividades. A diferença ultrapassa R$ 775 por mês.
Segundo a pesquisa, essa disparidade não pode ser explicada por fatores como qualificação profissional ou carga de trabalho. Pelo contrário: os dados mostram que as mulheres são, em média, mais escolarizadas que os homens em Marabá.
Mulheres estudam mais, mas ganham menos
O estudo aponta que 23,3% das mulheres possuem ensino superior ou pós-graduação, enquanto entre os homens esse percentual é de 20,5%. Ainda assim, essa vantagem educacional não se reflete em melhores salários.
Para os pesquisadores, isso evidencia a existência de discriminação salarial, ou seja, uma diferença de remuneração baseada no gênero, mesmo quando as características profissionais são equivalentes.
Desigualdade é maior entre os mais pobres
Outro ponto preocupante revelado pela pesquisa é que a desigualdade salarial é ainda mais intensa entre trabalhadores de menor renda. Nesses casos, homens podem ganhar até 86% a mais que mulheres.
Já entre as faixas de renda mais altas, essa diferença tende a diminuir, o que indica que mulheres em situação de maior vulnerabilidade econômica são as mais afetadas pela desigualdade.
O que pode mudar esse cenário?
Os dados mostram que investir apenas em qualificação profissional não é suficiente para reduzir a desigualdade salarial, já que as mulheres já apresentam níveis educacionais mais elevados.
Especialistas apontam que a solução passa por mudanças estruturais no mercado de trabalho, incluindo:
maior transparência na divulgação de salários pelas empresas;
fiscalização mais rigorosa do cumprimento das leis de igualdade salarial;
políticas que incentivem a equidade de gênero em contratações e promoções.
Pesquisa ainda será avaliada
O estudo foi realizado entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, com financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (FAPESPA). Os resultados apresentados são preliminares e ainda passarão por avaliação em congressos e periódicos acadêmicos.

