📅 Publicado em 23/04/2026 16h36✏️ Atualizado em 23/04/2026 16h39
Na noite desta sexta-feira (24), às 19h, a Galeria de Arte Vitória Barros abre as portas para mais uma edição da mostra fotográfica ‘Ver-a-Cidade’, exposição que já se tornou uma tradição no calendário cultural de abril, o mês de aniversário de Marabá.
Com o tema “Poética do Entorno”, a mostra chega à 16ª edição e reúne mais de 100 fotografias que revelam diferentes olhares sobre a cidade, seus cotidianos, silêncios e paisagens muitas vezes esquecidas no ritmo apressado do centro urbano.

A visitação segue até 31 de julho, de segunda a sexta-feira, em horário comercial, das 8h ao meio-dia e das 14h às 18h, na Avenida Itacaiunas, 1519, no bairro Novo Horizonte.
Leia mais:Celebrando os 113 anos da cidade, a exposição reúne a inscrição de mais de 60 participantes, além da presença de duas escolas convidadas, a Escola Irmã Teodora e a Escola Evandro Viana. Há ainda a participação de projetos especiais que ampliam a experiência artística.
Fundadora da galeria e idealizadora da mostra, a artista plástica Vitória Barros explica que o tema deste ano nasce da necessidade de reconhecer a beleza e a potência que existem na simplicidade e nos espaços de fronteira da cidade.
“Às vezes a gente pensa que só o centro da cidade, onde está o movimento, o poder político, o poder econômico. Na verdade, o entorno é vida, é uma área de fronteira que merece ser olhada. As pessoas estão construindo seu dia a dia ali, participando da cidade da forma que podem”, afirma.
Segundo ela, o ‘entorno’ não se limita a uma localização geográfica, mas representa também uma forma de existir e de construir Marabá diariamente. A proposta da exposição foi justamente convidar a população a transformar essa vivência em imagem.

A mostra também funciona como uma homenagem afetiva à cidade no mês de seu aniversário. Vitória conta que abril sempre é um período de dedicação especial para a galeria, com uma celebração construída com cuidado e permanência.
“Todo mês de abril a gente faz essa celebração com muito carinho, com muita dedicação. O Ver-a-Cidade tem essa conotação de ver a poética do entorno, ver o que está acontecendo nessa trajetória de vida das pessoas, nesse fazer poético, não no sentido de escrever ou discursar, mas de vivenciar”, diz.

PARTICIPAÇÕES
Além das fotografias inscritas pelo público, a edição deste ano conta com participações especiais de projetos acadêmicos e artísticos. A exposição conta com uma instalação desenvolvida por um grupo de cientistas da Unifesspa em parceria com a Universidade de Pelotas, dentro de um projeto de ‘caminhografia’, além de uma colaboração com uma universidade da Argentina.
Outro destaque é a presença do cordel produzido pela professora e cordelista Lusa Silva. Suas fotografias e texto são inspirados na história de uma árvore que passou a ser cuidada por uma escola, transformando o zelo cotidiano em narrativa poética. Para Vitória, esses elementos ampliam o sentido da exposição e mostram que arte também nasce da observação mais simples.
Por sua vez, a fotógrafa Rayda Lima é a homenageada desta edição. Frequentadora assídua da galeria e reconhecida pelo trabalho artístico e documental que desenvolve, ela foi escolhida como uma presença simbólica desta mostra.
“Ela gosta muito de participar das coisas da galeria, está sempre presente. Nós achamos bem interessante a participação dela como homenageada”, explica.

EDUCAÇÃO E FOTOGRAFIA
O espaço educativo também ocupa papel importante no projeto, especialmente com a participação das duas escolas. Vitória ressalta que a proposta é estimular o olhar das crianças e adolescentes para além do registro automático do celular, incentivando a percepção e o valor da fotografia como memória e expressão.
Ela observa que, em meio à facilidade de produzir imagens o tempo todo, ainda é raro organizar esse olhar com intenção e permanência.
“Nenhuma foto é insignificante. Tudo é um registro. Apesar da facilidade de fotografar tudo com o celular, organizar esses registros de forma sistematizada é difícil. Por isso valorizar uma foto é importante”, afirma a artista.
Ela pontua que entre os registros expostos, há flores, rachaduras, cenas urbanas, detalhes cotidianos e até imagens de cemitério. Para a curadora, tudo aquilo que atravessa a experiência humana e faz parte da vida marabaense merece ser visto.
“Tem de tudo, porque tudo é assunto, tudo faz parte do ser humano, faz parte de Marabá”, conclui.

