📅 Publicado em 22/04/2026 09h16✏️ Atualizado em 22/04/2026 09h21
Criado em 2024 por meio da Lei nº 14.818, o Programa Pé-de-Meia tem se consolidado como uma das principais estratégias do governo federal para enfrentar a evasão escolar no ensino médio. Voltado a estudantes de baixa renda da rede pública, o benefício funciona como uma espécie de poupança educacional, garantindo incentivo financeiro para que o aluno permaneça na escola e conclua os estudos.
Na prática, o programa atende jovens entre 14 e 24 anos, além de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com idade de 19 a 24 anos, desde que estejam inscritos no Cadastro Único e tenham renda familiar per capita de até meio salário-mínimo. O incentivo inclui valores pagos ao longo do ano, vinculados à matrícula, frequência, conclusão e participação no Enem, podendo chegar a até R$ 9.200 ao final do ensino médio.
Atualmente, o programa beneficia mais de 5,6 milhões de estudantes em todo o país. Dados do Portal da Transparência do governo federal mostram que apenas no ano passado, foram repassados mais de R$ 21 milhões aos estudantes marabaenses, sendo R$ 6.705.600,00 apenas no mês de fevereiro.
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Em Marabá, os números mostram o alcance da iniciativa. De acordo com dados repassados pela Diretoria Regional de Ensino (DRE), o município registra 10.191 matrículas no programa, com 5.922 estudantes beneficiados, o que representa 54,4% do total de alunos da rede estadual aptos ao recebimento. Destaque para as escolas Walkise da Silveira Viana, com 642 atendidos, Escola Estadual Rural de Marabá, com 441, Escola Gabriel Sales Pimenta, com 412, e Anísio Teixeira, com 399.
Ao CORREIO, o diretor da DRE, Magno Barros, esclarece que o programa tem papel decisivo na permanência dos estudantes em sala de aula. Segundo ele, se trata de uma iniciativa voltada a incentivar a permanência e a conclusão do ensino médio, com foco nas famílias mais carentes.
Em sua fala, além de explicar os critérios para obter os benefícios sociais, ele também destacou o funcionamento financeiro para cada estudante. “Ao fazer a matrícula, o aluno já recebe R$ 200. Depois, são nove parcelas de R$ 200 ao longo do ano e mais R$ 1.000 depositados caso ele conclua o ano letivo”, pontua.

O gestor explica que, além do apoio direto ao estudante, o programa tem impacto social mais amplo. De acordo com ele, muitos alunos desistem porque precisam escolher entre trabalhar e estudar, e o Pé-de-Meia garante a permanência na escola.
Para o diretor, os resultados já são perceptíveis na rede estadual. “Ele foi pensado com base em indicadores e eles apontaram que há uma evasão muito grande no ensino médio. O benefício pode parecer pouco para a maioria das pessoas, mas para quem está abaixo da linha da pobreza esse valor é impactante. É um estímulo”, diz.
Ele ainda explica que, com o benefício, a evasão escolar, que antes chegava a 40% em algumas escolas, hoje não passa de 2%. O acompanhamento dos beneficiários é feito por meio de sistemas de frequência escolar integrados a órgãos federais. Ainda assim, segundo ele, a maior dificuldade não está na assiduidade, mas na regularização cadastral.
“A maior parte das reclamações ocorre porque o aluno não aparece no programa. Na maioria das vezes, é problema no CadÚnico ou porque não está dentro do critério de renda”, explica Magno.
Dados divulgados pelo Ministério da Educação indicam que benefício tem produzido impactos na permanência escolar. Desde sua criação, a taxa de abandono escolar sofreu uma redução de 43%, passando de 6,4% para 3,6%. Outro percentual que despencou diz respeito ao quantitativo de reprovação escolares de 33% para 27%.

AUXÍLIO QUE ULTRAPASSA A SALA DE AULA
A importância do programa também é percebida diretamente pelos estudantes. Aos 18 anos, o aluno do 3º ano do anexo o Pequeno Príncipe, localizado na Folha 32, Tiago Batista Correia de Souza relata que o dinheiro tem sido essencial tanto para a vida escolar quanto para a realidade familiar.
Segundo ele, o auxílio tem ajudado principalmente com materiais escolares. “Eu já consegui comprar caderno, mochila nova e outras coisas que eu estava precisando”, conta o estudante.

Em entrevista, Tiago observa que o recurso também garante segurança no deslocamento até a escola. “Ajuda no transporte. Se acontecer algum problema, como o ônibus não passar, eu consigo pagar um transporte para não faltar aula”, explica.
Para o aluno, o valor vai além das necessidades educacionais. “Como não é um vale onde eu posso usar com apenas uma coisa, eu também consigo ajudar em casa. Se minha mãe precisa de um remédio, por exemplo, eu consigo comprar”, afirma.
Mesmo lidando com os custos de casa, Tiago diz que vê no programa um incentivo direto para continuar estudando.
“Toda vez que eu recebo eu lembro que é porque estou estudando, mantendo frequência e tirando boas notas”, pontua Tiago.
A realidade é semelhante para a estudante Gabrielle Oliveira, de 17 anos, também do 3º ano do ensino médio. Ela garante que o programa tem sido um suporte importante tanto nos estudos quanto dentro de casa. “O programa tem me ajudado muito na compra dos meus materiais escolares e, também, no incentivo a continuar focada, não faltar e melhorar minhas notas”.

COMPLEMENTO DA RENDA FAMILIAR
Segundo Gabrielle, o benefício também tem contribuído para aliviar despesas familiares. “Quando falta alguma coisa em casa, eu consigo ajudar minha mãe. Às vezes o salário não dá e eu compro o que está precisando com o dinheiro do programa”, relata.
Gabrielle destaca que, apesar de considerar o valor simples, o impacto é significativo.
“É uma ajuda pequena, mas faz diferença. A gente consegue comprar o que precisa sem ter que pedir sempre para a mãe”, diz a estudante.
O incentivo financeiro tem funcionado como motivação adicional, mas, para ela, não substitui a importância dos estudos. “Dá uma motivação, mas precisamos pensar no futuro. Estudar é o que vai garantir uma vida melhor”, finaliza.
Também estudante do 3º ano do ensino médio da escola O Pequeno Príncipe, Kerlly Dheniffer Silva, de 18 anos, divide que o benefício tem sido essencial para manter a rotina de estudos, especialmente diante da impossibilidade de trabalhar. “O Pé-de-Meia é uma ajuda bem significativa, porque atualmente eu estudo pela manhã e faço curso à tarde, então não tenho como trabalhar. Ele acaba sendo a minha renda”, compartilha.

Segundo ela, o recurso garante não apenas apoio pessoal, mas também contribui dentro de casa. Para Kerlly, é um auxílio importante neste momento em que se dedica integralmente aos estudos.
Pensando no futuro, a estudante reforça que o programa tem papel direto na permanência dos jovens na escola. “Ele ajuda a gente a permanecer na escola”, conclui.
Na avaliação da Diretoria Regional de Ensino, o Pé-de-Meia tem mostrado resultados consistentes ao reduzir a evasão e ampliar as oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade. O programa, a cada dia, se consolida como uma ferramenta de transformação social, impactando não apenas o desempenho escolar, mas também a realidade econômica das famílias.
O QUE DIZEM OS DADOS?
Os dados mostram que municípios como Itupiranga, Jacundá, São Geraldo do Araguaia e Rondon do Pará concentram números expressivos de beneficiários. Em Itupiranga, a Escola Estadual Albertina Barreiros se destaca com 649 alunos contemplados, enquanto em Jacundá a Escola Estadual Maria da Glória Rodrigues Paixão registra 519 beneficiários.
Já em São Geraldo do Araguaia, unidades como a Escola Estadual Lenilson Luiz Miranda e a Escola Estadual Macário Dantas somam centenas de estudantes atendidos.
Em Marabá, unidades como a Escola Estadual Walkise da Silveira Viana, com 642 beneficiários, a Escola Estadual Dr. Gabriel Sales Pimenta, com 412, e a Escola Estadual Prof. Anísio Teixeira, com 399, lideram em números absolutos, refletindo a forte presença do programa nas unidades com maior volume de matrículas.
Outro destaque entre os cadastrados são as áreas rurais. Unidades como Acy de Jesus Neves de Barros Pereira, Anexo II, na Vila Sororó, a escola Gabriel Sales Pimenta, em Morada Nova, e a Escola Rural de Marabá concentram estudantes de comunidades mais afastadas, ampliando o alcance social do programa.
Como política pública, o Pé-de-Meia avança ao transformar permanência escolar em prioridade concreta, associando incentivo financeiro a compromisso educacional. Em Marabá, os resultados indicam que, mais do que reduzir índices de evasão, o programa abre caminho para que jovens em situação de vulnerabilidade permaneçam na escola, projetem o futuro e ampliem suas possibilidades de vida por meio da educação.


