📅 Publicado em 09/04/2026 14h38✏️ Atualizado em 09/04/2026 14h42
O que era apenas um alerta de perigo iminente tornou-se realidade nesta quarta-feira (8). Uma lancha que navegava pelas águas do Rio Itacaiunas, em Marabá, sofreu um acidente após se enroscar em cabos de fibra óptica que estão pendurados a uma altura perigosamente baixa, sob a ponte que dá acesso ao complexo Cidade Nova.
Em um dos vídeos que circula nas redes sociais é possível perceber o piloto da embarcação sangrando, com um corte, e marcas de sangue pelo casco da lancha. Mas não houve naufrágio e os ferimentos constatados não foram mais graves que isso. O episódio reacende a indignação sobre um problema que já era de conhecimento público e das autoridades.
A colisão ocorreu em um trecho onde a fiação, pertencente a empresas provedoras de internet, forma uma verdadeira “barreira invisível” sobre a lâmina d’água. Com a cheia característica do rio nesta época do ano, impulsionada pelo período chuvoso, a distância entre a superfície da água e os cabos diminuiu drasticamente, transformando a rota de navegação em uma armadilha para pescadores, ribeirinhos e usuários de embarcações de recreação.
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O acidente desta quarta-feira não foi uma surpresa para quem acompanha o noticiário local. No início de março, há pouco mais de um mês, o portal Correio de Carajás publicou uma reportagem especial alertando exatamente para esse risco. Na ocasião, a equipe de reportagem esteve no local e constatou que dois cabos de fibra óptica avançavam cerca de 30 metros para dentro do rio, cruzando perigosamente a rota das embarcações.
Naquela época, pescadores já relatavam o pânico de quase serem degolados ou de terem suas pequenas canoas viradas ao se depararem repentinamente com os fios. “Se a gente não se abaixa rápido, podia ter sido atingido no rosto ou no pescoço”, relatou o pescador Luciano Castilho à reportagem do Correio em março, descrevendo a manobra de emergência que precisou fazer para evitar o choque.
O perigo é potencializado durante a noite, quando a visibilidade é quase nula e a fiação escura se camufla na paisagem, tornando impossível a percepção a tempo de desviar.
Responsabilidade e inércia
Desde a primeira denúncia feita pelo Correio de Carajás, já estava devidamente esclarecido que a fiação em situação irregular não pertence à rede elétrica.
Em nota enviada ao portal no dia 2 de março, a Equatorial Pará informou que havia enviado uma equipe técnica ao local e constatado que a rede de energia elétrica estava dentro da margem de segurança e devidamente sinalizada.
A concessionária cravou que os cabos problemáticos são de fibra óptica, de responsabilidade exclusiva das empresas provedoras de internet que utilizam os postes para passagem de seus fios.
Apesar da identificação do problema e dos responsáveis, a inércia prevaleceu. A Defesa Civil Municipal de Marabá chegou a informar, também em março, que já havia notificado as empresas de internet locais para que resolvessem a situação, destacando que este é o segundo ano consecutivo em que o problema ocorre durante a cheia do Itacaiunas.
A Capitania dos Portos também foi acionada na época para analisar a altura dos fios que cruzam a via navegável.

