📅 Publicado em 09/04/2026 08h41✏️ Atualizado em 09/04/2026 09h27
Em 2025, o sistema de ensino municipal de Marabá conseguiu alfabetizar 60,77% dos seus alunos que cursavam o 2º ano do Ensino Fundamental. O número pode parecer alto, mas a realidade é que quase 40% das crianças de sete anos terminaram o ano letivo sem saber ler e escrever o básico. Os dados fazem parte do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), divulgado na terça-feira (31) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O resultado coloca o município 8% abaixo da meta estipulada pelo para o período, fazendo Marabá amargar o nível 2 de aprendizagem. Isso significa que uma grande parcela dos estudantes ainda tem dificuldades primárias na leitura. O índice funciona como um termômetro essencial para as políticas públicas e faz parte do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).
Na prática, o nível 2 não avalia a fluência ou a perfeição da leitura, mas sim o mínimo necessário para a idade. O exame submete as crianças a 16 questões de múltipla escolha e uma produção textual. O objetivo é atestar se o aluno é capaz de ler palavras, frases e textos curtos, além de localizar informações explícitas e entender o sentido de materiais que misturam textos e imagens. No que diz respeito a Marabá, quase metade das crianças está em atraso no processo de aprendizagem.
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O atual cenário da educação em Marabá revela um avanço inconsistente ao longo dos últimos anos. A meta do município para 2025 era alcançar 65,19% de crianças alfabetizadas. E, apesar de ter registrado um salto de 10% em relação ao ano anterior, o município não atingiu o percentual ideal.
Esse distanciamento da meta é reflexo direto da instabilidade vivida recentemente. Em 2023, o índice era de 51,5% e sofreu uma queda preocupante em 2024, recuando para 50,68%. Essa oscilação forçou a rede municipal a usar o último ano letivo apenas para “correr atrás do prejuízo”.
A avaliação geral aponta que, embora as intervenções mais recentes tenham surtido efeito positivo e tirado a cidade do retrocesso, ainda falta continuidade e robustez nas políticas públicas de educação. É justamente essa falta de estabilidade que explica a estagnação do município no nível 2 do Índice de Participação dos Municípios (IPC) desde 2023, deixando quase metade das crianças para trás no processo de aprendizagem.
CIDADES MINERADORAS
Enquanto Marabá ainda patina para consolidar suas metas de ensino, outras cidades mineradoras apresentam resultados muito mais expressivos, com desempenhos que as colocam no nível 4, o mais alto da avaliação de alfabetização infantil.
O grande destaque é Curionópolis. O município apresentou o melhor desempenho da região ao dar um salto impressionante nos últimos anos: saiu de 50,8% de alunos alfabetizados em 2023 para 72,88% em 2024. O crescimento contínuo fez a cidade fechar 2025 com 79,23%, superando em 31% a meta local, que era de apenas 60,3%.
Quem também divide o topo do ranking no nível 4 é Canaã dos Carajás. A cidade manteve a curva de crescimento e fechou 2025 com 75,15% das crianças lendo e escrevendo o esperado para a idade, o que representa um aumento de 21% em relação aos índices de 2023, quando pontuou 62,1%.
Na outra ponta, Parauapebas vive uma realidade de desafios muito semelhante à de Marabá. O município também ficou classificado no nível 2 e não alcançou sua meta, que era de 62,71%. Após registrar 54,3% em 2023 e sofrer um recuo no ano seguinte, Parauapebas conseguiu uma reação em 2025 com um aumento de 18%. Ainda assim, o esforço foi insuficiente para bater o objetivo, e a cidade fechou o ano alfabetizando apenas 58,52% dos seus alunos do 2º ano.

