📅 Publicado em 07/04/2026 14h51✏️ Atualizado em 07/04/2026 17h53
Nesta terça-feira (7), Marabá e outros 20 municípios da região sudeste do Pará estão reunidos para participar do 1º Seminário Alusivo ao Dia Mundial da Luta Contra a Tuberculose. O evento é realizado no auditório da Faculdade Anhanguera, localizado na Rodovia Transamazônica, no Núcleo Nova Marabá, promovido pelo 11º Centro Regional de Saúde da Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública). A capacitação reúne profissionais de saúde e estudantes de instituições locais.

A programação integra as ações em alusão ao Dia Mundial de Combate à Tuberculose e reforça a descentralização do debate sobre a doença no estado. Participaram da mesa de abertura as seguintes personalidades: Maria Izabel de Souza Melo, coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose no Pará; enfermeira Ana Raquel Miranda, chefe da Divisão de Vigilância em Saúde no 11º CRS/SESPA, representando a diretora do 11CRS/SESPA, Irlândia Galvão; Anne Beatriz Rodrigues Fernandes, chefe da Divisão Técnica no 11º CRS/SESPA; Alex Santos, chefe da Divisão Administrativa e Financeira do 11º CRS/SESPA; Milton Carlos Carvalho Nazaré, coordenador Regional do Programa Estadual de Controle da Tuberculose no 11º CRS/SESPA; e Meirisvan Nascimento da Silva, coordenadora de Vigilância em Saúde do município de Breu Branco.
Após a fala dos componentes da mesa, foi apresentada palestra pela enfermeira Adriana Leal Gomes da Silva, que abordou o cenário atual da tuberculose no Pará. Ela é mestre em enfermagem pelo Programa de Mestrado em enfermagem Associado da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Leia mais:Em seguida, a palestra foi de Henriana Soares Serra, que falou sobre co-infecção TB/HIV, com o tema “Melhor prevenir do que tratar”. Henriana é médica infectologista do CTA SAE de Tucuruí e do Ambulatório de Infectologia da Secretaria Municipal de Saúde de Breu Branco. A profissional também atua como docente, em Tucuruí, e é mestranda em Gestão e Saúde na Amazônia pela Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará.

Irlândia Galvão observa que, apesar de a tuberculose ter tratamento, ainda há muito a fazer para evitar novos casos e até óbitos nos 21 municípios do sudeste do Pará. “A região do 11º CRS está comprometida com o controle da tuberculose”, garante.
Ao CORREIO, a coordenadora estadual do Programa de Controle da Tuberculose, Maria Isabel de Souza Melo, destaca o objetivo do encontro. “O evento vem discutir a questão da tuberculose em todo o Pará. é o segundo ano em que nós fazemos isso, sair do lugar central e descentralizar para outros municípios em uma discussão que é comum a todos”, diz.
Maria Isabel destaca que levar o debate para diferentes regiões amplia o alcance das ações. “Não podemos ficar só em um local. Aqui nós vamos reunir muitas pessoas, em diferentes segmentos da sociedade, porque é esse nosso objetivo, alcançar o maior número de indivíduos para tratar sobre a saúde pública”, pontua.

Ela também ressalta que, durante o seminário, estão sendo apresentados dados atualizados sobre a incidência da doença nos municípios do Pará, já que o estado possui alto índice de casos. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025 foram registrados 84.368 casos da doença no Brasil, com predominância entre homens (68,4%), pessoas pretas e pardas (65,7%) e indivíduos de 20 a 34 anos (32,2%).
A coordenadora também chama atenção para o preconceito. Segundo ela, a tuberculose é uma doença que tem cura e que, a partir dos 15 dias em que o paciente inicia com a medicação, já não existe mais como passá-la adiante. Maria Isabel enfatiza que o tratamento inadequado também pode levar à resistência. “A tuberculose resistente ocorre quando o paciente já não tem resposta a determinados medicamentos. Se não for tratada a tempo, pode chegar a uma situação em que nenhum remédio faz efeito. É isso que nós tentamos evitar”, explica a coordenadora de saúde.
Responsável pela Vigilância em Saúde no 11º Centro Regional de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, a enfermeira Ana Raquel Santos Miranda destaca a importância do evento para a região. “A tuberculose é uma doença ainda considerada negligenciada por muitas pessoas, porque atinge uma parte da população que tem determinadas carências, sejam elas financeiras, econômicas ou sociais”, avalia.

Ana Raquel explica que o seminário busca ampliar o debate e mobilizar a sociedade. Para ela, há necessidade de que a tuberculose seja mais visibilizada e que sua importância dentro da saúde pública seja expressa. “Aproveitamos esse período para fazer esse chamamento não só dos profissionais de saúde, mas da população e da sociedade civil para a relevância do tema”, completa.
A coordenadora regional parabeniza a participação de representantes de diversos municípios do sudeste do Pará. “Esse é o primeiro seminário da tuberculose que nós fazemos aqui no 11º Centro Regional de Saúde, com a abrangência dos nossos 21 municípios sediados em Marabá. Com esse evento nós queremos chamar a atenção para o tratamento e cura da doença”, complementa.
De acordo com o Ministério da Saúde, os maiores índices da doença são registrados na região Norte: Pará, Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e Amapá. Ana Raquel reforça a necessidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado, destacando que a doença precisa ser identificada rapidamente. “Ela pode ser tratada, o procedimento é efetivo e a tuberculose tem cura total. Precisamos diagnosticar, tratar e curar”, pede.
Segundo ela, entre os grupos mais vulneráveis estão a população indígena, pessoas privadas de liberdade, pessoas com imunodeficiência, profissionais de saúde e a população em situação de rua.
Sobre os dados regionais, ela explica que municípios mais populosos concentram maior número de casos. Na região sul e sudeste do Pará, o número de pessoas com a doença é liderado pelos municípios de Marabá e Parauapebas.
A responsável pela vigilância em saúde também alerta para os sinais da tuberculose. “Nós buscamos as pessoas sintomáticas respiratórias, aquelas com tosse persistente há mais de três semanas, cansaço e perda de peso. Muitas vezes, a pessoa acha que é apenas uma gripe, mas pode ser tuberculose”, adverte.
Ao abordar os desafios para eliminar a doença, ela aponta fatores ligados ao estilo de vida, destacando que a doença pode ser confundida com outras enfermidades. “A tuberculose é uma doença contagiosa, mas o desenvolvimento está ligado ao sistema imunológico. Hoje, muitas pessoas não têm uma alimentação adequada, não dormem bem, vivem em ambientes fechados e não cuidam da saúde. Tudo isso compromete o organismo”, finaliza.
O Correio de Carajás também conversou com Ana Caroline Rodrigues Borges, coordenadora de Vigilância Epidemiológica do município de Canaã dos Carajás. A participante destaca a importância da formação para os municípios descentralizados. “Eu fico muito feliz de estar aqui, poder participar dessa formação e representar o município, porque é um evento importante, já que a tuberculose é uma doença de saúde pública que continua atingindo nossos municípios”, comemora.

Para ela, há relevância em participar de um debate em nível estadual. Segundo Ana Caroline, o enfrentamento da doença exige integração entre os municípios, tendo em vista que se trata de uma doença prevalente em todo o território nacional.
HOMENAGEM
Na abertura do seminário, o 11º Centro de Saúde da Sespa prestou homenagem à enfermeira Terezinha Carneiro, que por mais de duas décadas coordenou o setor que cuida do combate à tuberculose na Regional de Saúde. Um vídeo foi apresentado e uma placa de agradecimento foi entregue à filha de Terezinha, a também enfermeira Ádila Barros.

