Correio de Carajás

Trump ameaça Irã: ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’

Presidente americano disse, no entanto, que agora, com novas pessoas no regime, 'algo revolucionário e maravilhoso pode acontecer'.

Donald Trump em reunião oficial com bandeiras dos EUA.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião de gabinete do governo. — Foto: Reprodução
✏️ Atualizado em 07/04/2026 10h45

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta terça-feira (7). Em uma publicação na rede social Truth Social, ele escreveu que ‘provavelmente’ uma ‘civilização inteira morrerá esta noite’.

Trump disse que agora, com novas pessoas no regime, ‘algo revolucionário e maravilhoso pode acontecer’.

Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim’, escreveu nas redes.

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Após as ameaças, o Irã resolveu interromper as negociações com os EUA. De acordo com a TV estatal iraniana, as conversas e negociações indiretas aconteciam favoravelmente, mas foram paralisadas.

Trump tinha ameaçado destruir o Irã inteiro nesta terça-feira (7) se o Estreito de Ormuz não for reaberto até as 21h, pelo horário de Brasília. A rota é um importante corredor marítimo, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo.

Nesta segunda-feira (6), o governo americano e o regime iraniano rejeitaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão. O presidente americano disse que, caso não haja um acordo aceitável hoje, todas as pontes e usinas de energia do Irã serão dizimadas em poucas horas.

O presidente Donald Trump disse que não está preocupado se os Estados Unidos forem acusados de cometer crime de guerra ao atacarem alvos civis, como as usinas elétricas. Para o republicano, o verdadeiro crime de guerra é permitir que um país com líderes que, nas palavras dele, considera “dementes” possua uma arma nuclear.

Em outro momento durante a entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse que, se pudesse escolher, tomaria o petróleo do Irã. Mas ponderou que os cidadãos americanos querem o fim da guerra.

Em resposta, o Exército iraniano chamou as ameaças de Trump de delirantes e disse que elas não vão compensar a vergonha e a humilhação dos Estados Unidos na região.

O prazo que expira hoje é um ultimato que já foi adiado quatro vezes pelo presidente americano desde 21 de março.

A poucas horas desse prazo, a guerra segue com novos ataques. Um bombardeio na província de Alborz, perto de Teerã, matou pelo menos 18 pessoas e deixou outras 24 feridas. A capital iraniana também foi atingida por uma série de ataques intensos, inclusive em áreas residenciais e no aeroporto Internacional de Khorramabad.

O ministro iraniano do Patrimônio Cultural enviou uma carta à Unesco pedindo condenação a uma suposta ameaça de ataque de Israel ao sistema ferroviário do país.

A ferrovia trans-iraniana, que liga o Mar Cáspio ao Golfo Pérsico, é considerada patrimônio mundial e, segundo o governo, qualquer ataque representaria uma agressão ao patrimônio da humanidade.

Entre a população, o presidente do Irã reforçou um discurso de mobilização total. Masoud Pezeshkian afirmou que 14 milhões de pessoas se voluntariaram para morrer na guerra. Ele disse que também está pronto para dar a própria vida.

Ilha de Kharg, do Irã, é bombardeada; Mídia americana diz EUA atacou alvos militares

 

Fumaça vista na Ilha de Kharg, no Irã. — Foto: Reprodução
Fumaça vista na Ilha de Kharg, no Irã. — Foto: Reprodução

A agência de notícias iraniana Mehr News afirmou nesta terça-feira (7) que explosões e bombardeios foram ouvidos na Ilha de Kharg, importante centro de petróleo e estratégico para o Estreito de Ormuz.

O site de notícias Axios, citando um oficial americano, diz que Estados Unidos realizaram ataques contra alvos militares na ilha iraniana de Kharg. Posteriormente, a Fox News disse que o ataque teve como alvo bunkers, estações de radar e um depósito de munições.

A missão incluiu ataques aéreos dos EUA ao longo da costa norte da ilha e não envolveu tropas americanas em terra, afirmou o oficial americano à NBC News. O petróleo não foi atingido.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em algumas ocasiões que poderia atacar o local, considerando fundamental para controle de Ormuz pelos iranianos em meio a guerra no Oriente Médio.

Os EUA bombardearam a ilha no início da guerra, mas Donald Trump fez questão de afirmar na época que deixaram a infraestrutura petrolífera do Irã intacta.

Além disso, duas pessoas morreram em um ataque conjunto dos EUA e de Israel a uma ponte ferroviária na cidade de Kashan, no centro do Irã, informou um funcionário regional à agência de notícias estatal iraniana IRNA, horas depois de Israel ter alertado os iranianos para que se mantivessem afastados dos trens.

Em março, informações do site Axios davam conta que Trump estava considerando planos para ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz.

A ilha, um centro que responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, localizada a aproximadamente 30 quilômetros da costa iraniana, foi duramente atingida por ataques aéreos dos EUA no último final de semana.

O local é considerado um ponto estratégico em Ormuz, visto que serve como ponto de observação também para as embarcações que passam no estreito.

Em declarações recentes ao jornal Wall Street Journal, Farzin Nadimi, pesquisador sênior do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, afirmou que Washington poderia tomar a ilha quando as hostilidades terminassem, mas que enviar tropas terrestres ‘não seria uma decisão sábia’ durante o combate, acrescentando que Kharg é ‘quase uma ilha inteira de instalações petrolíferas, oleodutos e parques de tanques’.

Segundo uma reportagem da CNN, o Irã tem armado armadilhas e deslocado pessoal militar adicional e reforço das defesas aéreas para a ilha, em preparação para uma possível operação dos EUA para assumir o controle da ilha, de acordo com diversas fontes familiarizadas com relatórios da inteligência americana sobre o assunto.

Mas autoridades americanas e especialistas militares afirmam que uma operação terrestre desse tipo envolveria riscos significativos, incluindo um grande número de baixas americanas.

(Fonte:G1)