📅 Publicado em 04/04/2026 09h00✏️ Atualizado em 04/04/2026 09h59
Neste domingo, 5 de abril, Marabá celebra 113 anos de emancipação político-administrativa. Mais do que uma data comemorativa, o aniversário marca a consolidação de um município que transcendeu sua vocação histórica de entreposto comercial ribeirinho para se transformar em um dos mais pujantes e estratégicos polos de desenvolvimento da Amazônia. Banhada pelo encontro dos rios Tocantins e Itacaiunas, a cidade hoje é um gigante demográfico, econômico e logístico, cujos números impressionam e refletem sua importância vital para o Estado do Pará e para o Brasil.
População e eleitorado
O crescimento de Marabá é visível em suas ruas e comprovado pelas estatísticas oficiais. Segundo as estimativas mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, o município encerrou o ano com uma população de 290.975 habitantes.
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Esse contingente populacional coloca Marabá como a quinta maior cidade do Pará, ficando atrás apenas da capital Belém (1,39 milhão), Ananindeua (509 mil), Santarém (360 mil) e da vizinha Parauapebas (305 mil).
A densidade demográfica, que no Censo de 2022 era de 17,62 habitantes por quilômetro quadrado, reflete a vasta extensão territorial do município, que abriga tanto um núcleo urbano denso e polinucleado quanto extensas áreas rurais produtivas.
Esse peso demográfico se traduz diretamente em força política. Marabá tem um dos maiores eleitorados do Pará, contando em março de 2026, de acordo com a Justiça Eleitoral, com 175.421 pessoas aptas a exercer o voto.
O hub multimodal
Se a geografia privilegiou Marabá com rios navegáveis, a engenharia humana a transformou no principal entroncamento logístico do Norte do país. A cidade é um verdadeiro hub multimodal, onde diferentes matrizes de transporte se encontram e se complementam.
Pelo modal rodoviário, Marabá é cortada por duas das mais importantes artérias do país: a BR-222 e a lendária BR-230 (Transamazônica), além da BR-155 e da PA-150, que nos liga a Belém. Essas rodovias são os canais por onde escoa a produção agropecuária e industrial da região, conectando o sudeste paraense aos portos do Norte e aos grandes centros consumidores do Centro-Sul.
No modal ferroviário, a Estrada de Ferro Carajás (EFC), operada pela Vale, transporta o minério de ferro extraído na região até o Porto de Itaqui, no Maranhão, além do tão importante transporte de passageiros.
O trem que liga Parauapebas, passa por Marabá e segue até São Luís é uma alternativa de viagem segura e acessível para milhares de pessoas. A partir de julho de 2026, a composição passará a oferecer internet a bordo, modernizando ainda mais a experiência dos viajantes.
Completando a matriz logística, o Aeroporto de Marabá (João Corrêa da Rocha) opera voos comerciais diários para Belém e para Brasília e de lá para os demais destinos do Brasil, com a Azul, Gol e Latam.
Potencial econômico

A economia de Marabá é um motor que não para de girar. De acordo com dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o Produto Interno Bruto (PIB) do município atingiu a marca de R$ 13,5 bilhões em 2024, garantindo a Marabá a 4ª posição no ranking das economias mais ricas do Pará. O PIB per capita, registrado em R$ 36.576,95, é superior à média estadual, evidenciando a geração de riqueza local.
A força dessa economia está ancorada em uma base diversificada. O setor de Serviços lidera a geração de empregos e a movimentação financeira, seguido de perto pelo Comércio regional e pela Agropecuária. Em 2025, Marabá destacou-se como a 3ª cidade que mais gerou empregos formais no Pará, impulsionada por esses setores.
No entanto, é a indústria de base que confere a Marabá seu perfil único. A cidade vive um momento de retomada e expansão de seu parque siderúrgico. A Sinobras, empresa do Grupo Aço Cearense, está investindo mais de R$ 920 milhões na duplicação de sua capacidade produtiva. Esse projeto ganhou ainda mais força com a parceria firmada com a mineradora Vale, que fornecerá ferro-gusa para a nova aciaria de tarugos de aço da Sinobras.
A própria Vale está implantando no Distrito Industrial de Marabá o Projeto Tecnored, uma planta comercial pioneira focada na produção de “ferro-gusa verde”. Com capacidade inicial de 250 mil toneladas por ano, a unidade utilizará 100% de biomassa até 2030, contribuindo para a descarbonização da siderurgia. Esse movimento tem impulsionado a retomada das tradicionais guseiras da região, que voltam a aquecer os fornos e a gerar empregos, consolidando a verticalização mineral no município.

Capital administrativa
A importância de Marabá vai muito além da economia; a cidade funciona, na prática, como uma “capital administrativa” do sul e sudeste do Pará. O município sedia uma vasta rede de órgãos federais e estaduais que atendem a dezenas de cidades vizinhas.
A estrutura do Judiciário é robusta, abrigando varas estaduais, Justiça Federal, Justiça do Trabalho e Ministério Público, garantindo o acesso à justiça para toda a região. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mantém em Marabá a Superintendência Regional do Sul do Pará, órgão vital para a gestão fundiária e o desenvolvimento de assentamentos em uma das áreas de maior tensão agrária do país.
Além disso, a cidade conta com uma rede bancária completa, sedes regionais de secretarias de Estado, comandos militares (como a 23ª Brigada de Infantaria de Selva) e polos universitários de excelência, como a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), que tem sua sede aqui, e a Universidade do Estado do Pará (UEPA).
Turismo
Apesar de seu perfil industrial e de negócios, Marabá não vira as costas para suas belezas naturais. O turismo local tem como grande protagonista a Orla do Rio Tocantins, na Marabá Pioneira. Conhecida como Orla Sebastião Miranda, o espaço é o principal cartão-postal da cidade.
Com uma vista deslumbrante que muitos chamam de “borda infinita”, a orla é o ponto de encontro de famílias e turistas, especialmente no final da tarde, quando o pôr do sol sobre as águas do Tocantins oferece um espetáculo inesquecível.
O local abriga bares, restaurantes com a culinária típica ribeirinha, além de ser palco para a pesca esportiva e grandes eventos culturais.
Ao completar 113 anos, Marabá olha para o futuro com a certeza de quem construiu alicerces sólidos. Entre os trilhos do trem, as rodovias asfaltadas, os fornos das aciarias e as águas do Tocantins, a cidade segue escrevendo sua história como o coração pulsante do sudeste paraense.

