Após mobilizar pessoas de todo o país em uma votação online, o BioParque Vale Amazônia anunciou, neste domingo, 29, o nome da sua nova oncinha: Xingu. A escolha foi revelada durante a programação que celebrou os 41 anos do parque, localizado na Serra dos Carajás, em Parauapebas.
Ao todo, a votação recebeu mais de 28 mil votos. Os nomes disponíveis tinham origem indígena e faziam referência a importantes rios da Amazônia. O nome Xingu foi o mais votado, com mais de 56% dos votos. Em seguida aparecem Solimões, com 7.832 votos (27,7%), e Tapajós, com 4.642 votos (16,3%).
Xingu é uma onça-pintada macho, com genética do Cerrado, nascida a partir de um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do parque. O nascimento é considerado um marco para a conservação da espécie, atualmente ameaçada de extinção.
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Histórico
A gestação da onça-pintada dura entre três e quatro meses e, em geral, resulta no nascimento de até dois filhotes. Nos últimos doze anos, o BioParque Vale Amazônia contabiliza sete registros de nascimento. Em 2014 vieram ao mundo Thor e Pandora (genética amazônica); dois anos depois nasceram as irmãs Sheila e Leila (onças-pintadas melânicas de genética amazônica); e em 2022, o parque celebrou o nascimento de um casal de filhotes Rhudá e Rhuana (genética do cerrado). Agora, a chegada do Xingu, filhote de onça do casal Marília e Zezé de genética do cerrado, já integrados ao plantel do BioParque, reforça a trajetória de êxito da instituição na conservação da espécie.
A expectativa é que ele deixe a área interna do recinto, onde recebe cuidados especiais por ser recém-nascido, e possa ser apresentada ao recinto ainda neste primeiro semestre. “O nascimento de um animal ameaçado de extinção reforça a importância de projetos de conservação da biodiversidade. No BioParque Vale Amazônia, o trabalho contínuo para garantir bem-estar físico e comportamental cria condições adequadas para a reprodução destas espécies. E é motivo de orgulho ver que esse esforço responsável tem gerado resultados concretos para a conservação da fauna brasileira”, afirma Nereston de Camargo, veterinário do BioParque Vale Amazônia.
Ao atingir a fase adulta, a onça-pintada, que é o maior felino das Américas, pode chegar até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros altura, podendo atingir 135 quilos.
REFERÊNCIA EM CONSERVAÇÃO
Ao longo de 41 anos de história, o BioParque Vale Amazônia consolidou-se como um dos principais centros de pesquisa, conservação e educação sobre a fauna silvestre no Brasil. O espaço já registrou nascimentos de diversas espécies ameaçadas de extinção, como Ararajuba, Arara-Azul, Jacupiranga, Mutum-de-Penacho, Gavião-Real, Onça-Pintada (pelagem amarela e melânica), Onça-Parda, Queixada, Caititu, Guariba-de mãos-ruivas e Anta.
Nos últimos anos, o parque também foi pioneiro no Brasil ao reproduzir uma harpia em exibição e contribuiu com o Programa de Reintrodução das Ararajubas em Belém.
Atualmente, o BioParque abriga cerca de 360 animais de 67 espécies da fauna silvestre, entre aves, mamíferos e répteis, incluindo espécies raras ou ameaçadas de extinção.
Estrutura e parcerias
O BioParque faz parte da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e atua com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas (ICMBio), além de seguir metas nacionais e internacionais voltadas à preservação da biodiversidade.
O espaço é parceiro de instituições governamentais como ICMBio e IBAMA, recebendo animais oriundos de apreensões contra o tráfico de fauna silvestre. Conta ainda com uma equipe especializada formada por biólogos, veterinários, botânicos e analistas ambientais.
O cuidado diário também é destaque: uma equipe de tratadores se dedica à limpeza dos recintos e ao preparo da alimentação dos animais. Por mês, cerca de uma tonelada de alimentos é preparada conforme a dieta especial de cada espécie, incluindo frutas, carnes, peixes, ração e amêndoas.
Sobre os pais da nova oncinha
Os pais da oncinha chegaram ao BioParque vindos de Goiás. Sua mãe Marília foi resgatada de cativeiro ilegal e seu pai Zezé nasceu em instituição em Goiás, filho de pais resgatados assim como Marília de cativeiro ilegal de animais silvestres. Por terem sido retirados do habitat natural e mantidos sob influência humana, eles não podem ser reintroduzidos na natureza — situação comum em casos de apreensão, quando o animal perde habilidades essenciais para sobreviver em vida livre. Hoje, sob cuidados permanentes, o casal integra o plantel e ajuda a reforçar, junto ao público, a importância do combate ao tráfico e da preservação da fauna.
