📅 Publicado em 25/03/2026 16h21✏️ Atualizado em 25/03/2026 16h32
O plano de modernização da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, orçado em R$ 1,5 bilhão e com execução prevista até 2029, é um dos maiores projetos de revitalização de um ativo de geração em andamento no Brasil. Longe de ser apenas uma atualização superficial, o projeto mergulha no coração da usina, substituindo e reformando componentes críticos cuja vida útil está chegando ao fim ou que necessitam de adequação tecnológica para garantir a máxima confiabilidade operacional.
A estratégia da Axia Energia é clara: assegurar que a maior hidrelétrica 100% brasileira continue sendo um pilar de segurança para o Sistema Interligado Nacional (SIN) pelas próximas décadas.
O escopo dos investimentos foi detalhado em sete contratos principais, que abrangem desde os gigantescos transformadores até os cérebros eletrônicos que controlam as unidades geradoras. A maior fatia do investimento, R$ 650 milhões, será destinada à modernização dos Sistemas de Proteção, Controle e Supervisão (SPCS) e dos Reguladores de Velocidade (RV) de todas as 25 unidades geradoras.
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Essa atualização é o verdadeiro salto tecnológico da usina, pois implementa o que há de mais moderno em automação e controle, permitindo respostas mais rápidas e precisas às demandas do Operador Nacional do Sistema (ONS) e integrando novas ferramentas de diagnóstico e análise preditiva baseadas em Inteligência Artificial.
Outro foco crucial é a substituição de equipamentos de alta tensão. Um contrato de R$ 230 milhões prevê a troca de cinco geradores que atingiram o fim de sua vida útil. O processo, complexo e faseado, já concluiu a substituição da primeira unidade e seguirá até 2027. No sistema de transformação de energia, a modernização é igualmente robusta. Dois transformadores já foram reformados (R$ 45 milhões) e outros dois adquiridos (R$ 57 milhões) em contratos concluídos em 2025. Olhando para frente, um novo contrato de R$ 226 milhões garantirá a aquisição de mais cinco transformadores entre 2026 e 2028, visando superar problemas de Interrupção de Corrente de Curto-Circuito (ICC).
O sistema de manobra e proteção, conhecido como GIS (Gas-Insulated Switchgear), também está no centro das atenções. A substituição do GIS das unidades geradoras 09 e 10, um investimento de R$ 36 milhões, foi finalizada em 2025. Um novo contrato de R$ 97 milhões já foi firmado para a substituição de mais quatro conjuntos de GIS entre 2026 e 2028, mitigando riscos e aumentando a segurança.
A fundamentação para essas trocas, além da obsolescência natural, inclui a necessidade de corrigir projetos antigos, como o de 12 reguladores de velocidade, e superar limitações técnicas que poderiam comprometer a performance da usina diante das exigências atuais do sistema elétrico. Este detalhamento mostra que cada centavo do R$ 1,5 bilhão tem um destino específico, focado em engenharia de ponta para garantir que Tucuruí não apenas continue operando, mas que o faça com a máxima eficiência e segurança possíveis.
Tucuruí: a gigante da Amazônia que há 40 anos energiza o Brasil
Inaugurada em 1984, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí é mais do que uma obra monumental de engenharia; é um pilar da soberania energética brasileira e um ativo estratégico de relevância global. Localizada no coração da Bacia do Tocantins, a usina se posiciona como a 8ª maior do mundo em capacidade instalada (8.535 MW) e, em 2024, foi a 2ª maior geradora de energia do Brasil, atrás apenas de Itaipu. Esses números superlativos, no entanto, apenas arranham a superfície de sua importância para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Tucuruí desempenha funções que vão muito além da geração de energia. Sua capacidade de Black Start, testada com sucesso em 2025, a torna apta a iniciar o processo de restabelecimento do sistema elétrico em caso de um apagão nacional, uma função de altíssima responsabilidade. Além disso, a usina opera frequentemente com três de suas unidades em modo de compensação síncrona, ajudando a estabilizar a tensão da rede sem gerar energia, um serviço essencial para garantir a qualidade do fornecimento em uma vasta porção do território nacional.
Sua relevância é tamanha que o controle de potência de sua primeira casa de força é feito diretamente pelo ONS, demonstrando seu papel prioritário na gestão do balanço energético do país.
A flexibilidade operacional de Tucuruí é outra de suas grandes virtudes. A usina é capaz de realizar rampas de geração de 3.500 MW em apenas uma hora, o que equivale a ligar dez de suas turbinas em tempo recorde para atender aos picos de demanda diária. Esse dinamismo, que implica um elevado número de partidas e paradas de máquinas diariamente, exige uma robustez que poucas usinas no mundo possuem.
Construída em duas grandes etapas (a primeira inaugurada em 1984 e a segunda em 2007), Tucuruí foi um projeto visionário que, quatro décadas depois, continua a ser um exemplo de potência, confiabilidade e, agora, de modernização, provando que os grandes legados da engenharia brasileira são capazes de se reinventar para continuar servindo ao país.
