Correio de Carajás

Manifestantes bloqueiam rodovia entre Parauapebas e Canaã dos Carajás

Eles protestam contra reintegração de posse da Fazenda Palomba, onde estariam cerca de 850 famílias há dois anos

Homem mascarado sentado em cadeira de praia com cartaz "ANTES DE DESPEJAR, PEÇAM SOLUÇÃO SOMOS SERES HUMANOS".
Grupo manifesta o pedido por moradia digna e repudia ações de integração de posse das fazendas ocupadas/ Fotos: Ronaldo Modesto
Por: Luciana Araújo e Ronaldo Modesto
✏️ Atualizado em 13/03/2026 10h54

Na manhã desta sexta-feira (13), um grupo de manifestantes fechou a PA-160, à altura da VS10, entre Parauapebas e Canaã dos Carajás, para um protesto contra a reintegração de posse da Fazenda Palomba. Cerca de 850 famílias ocupam o imóvel há dois anos.

O bloqueio dura 40 minutos e a via é liberada durante 20 minutos. O esquema foi definido em conjunto com a Polícia Militar e permite a passagem alternada de veículos nos dois sentidos.

A cada 40 minutos a via é liberada para passagem de veículos pequenos

Em conversa com a reportagem deste CORREIO, Edilane Novais, conhecida como “Loura”, afirma que ocupantes de outras fazendas da região também participam do protesto. Segundo os manifestantes, a luta é por moradia digna.

Leia mais:
Integrante do movimento, Edilane convida apoiadores a se juntarem ao protesto

“Essa questão das ordens de despejo não envolve apenas o Castanheira e a Nova Aliança. Várias liminares foram expedidas nos últimos 15 dias contra essas comunidades. São ocupações que existem há 11 anos, 5 anos, 8 anos. A população veio até aqui para se manifestar e reivindicar o direito à moradia, à moradia digna, que é um direito de todo cidadão”, declara Francisco de Assis Ferreira da Silva, coordenador União Nacional por Moradia Popular.

Segundo Aldísio Freire dos Santos, dos integrantes do movimento, ao menos cinco ou seis associações se uniram em defesa das famílias ameaçadas pelas ações de reintegração de posse. Cinco delas estão previstas para os próximos dias. A mobilização, segundo ele, não tem prazo para terminar e deve continuar até que haja abertura de diálogo com as autoridades. O grupo busca uma solução para acolher as famílias afetadas.

Aldísio também expressa seu repúdio pela proposta de encaminhamento de parte dos moradores para um abrigo: “Lá não tem nenhuma condição de acolhimento. No primeiro acampamento, onde há cerca de 800 famílias, selecionaram apenas 90. Isso não atende ninguém. É desumano”.

Na tentativa de mobilizar apoiadores, Edilane aproveitou a oportunidade para convocar moradores a comparecerem à VS-10 para reforçar o grupo que protesta contra as ordens de despejo e reivindicam o direito à moradia.