Correio de Carajás

Caso Marli Silva: suspeito fica calado durante depoimento e é liberado

Investigado pela morte da recepcionista Marli Pereira da Silva prestou depoimento e foi liberado, gerando revolta entre familiares e amigos da vítima.

Homens caminhando em frente a uma delegacia de polícia, com um indivíduo em foco borrado.
Momento em que Weverson deixa a delegacia acompanhado de seu irmão de um dos advogados/ Imagens: Ricardo Carvalho TV Correio
Por: Por Chagas Filho
✏️ Atualizado em 12/03/2026 18h14

Weverson Huge Ribeiro da Silva, principal investigado na morte de Marli Pereira da Silva, recepcionista do GRUPO CORREIO, prestou depoimento e foi liberado, na tarde desta quinta-feira (12). Isso aconteceu porque não existe prisão preventiva decretada contra ele.

Diante da delegada Eliene Carla de Lima, do Departamento de Homicídios, Weverson usou o direito de ficar calado. Agora, a Polícia Civil segue com as investigações, coletando o maior número de informações possíveis e ouvindo mais testemunhas durante toda a semana que vem.

Um pouco antes do depoimento de Weverson, um protesto foi realizado por amigas e familiares de Marli, que se concentraram em frente à sede da 21ª Seccional Urbana da Polícia Civil. Elas imaginavam que ele seria apresentado ali.

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Mas, por estratégia da defesa, o suspeito foi apresentado na sede da Superintendência Regional de Polícia Civil, que fica a cerca de 100 metros da Seccional.

Quando as manifestantes perceberam que tinham sido despistadas, Weverson já estava entrando no carro dos seus advogados, acompanhado também de um dos seus irmãos. Essa situação gerou revolta.

Amigas de Marli gritaram por justiça enquanto o suspeito deixava a delegacia no carro de seu defensor

“QUEREMOS JUSTIÇA”

“Dói saber que o tal suspeito está solto. Ele veio aqui, escondido, depôs, foi embora. Esse caso não pode ser só um caso a mais, porque a gente vai atrás de justiça”, delcarou Érica Tamara Gomes, amiga da vítima.

Outra amiga de Marli, Nathália de Souza também desabafou: “A gente não pode se calar; ela está lá morta, e o cara está aí. Não existe isso”.

Mais tarde, na sede da OAB, os advogados Diogo Morais e José Rodrigues, que defendem o suspeito, conversaram com exclusividade com o CORREIO. Eles disseram que o momento é de muita cautela. Deixaram claro que o papel do advogado neste caso é garantir o devido processo legal, para que a Justiça seja feita.

Questionados sobre o fato de terem optado pelo silêncio, eles declararam que as investigações ainda estão em fase inicial, de modo que qualquer declaração neste momento pode ser precipitada.

Enquanto isso, fica a sensação de impunidade, porque Marli perdeu a vida e até agora ninguém foi preso. “Ela não merecia isso. A gente só quer justiça”, declarou a irmã de Marli, Elza Soares.

“A gente não quer nada, só quer justiça; a gente só quer que ela descanse em paz”, desabafou Érica Tamara Gomes.

Elza Soares, irmã de Marli: “Ela não merecia isso. A gente só quer justiça”

O CASO

Marli não apareceu para trabalhar na terça-feira (10), o que gerou apreensão entre os colegas de trabalho, que passaram a procurá-la. No final da manhã, seu corpo foi achado no Rio Tauarizinho, debaixo da ponte, na BR-230, perto da Cidade Jardim.

No decorrer do dia, foi descoberto que a última pessoa a estar com Marli era Weverson, seu ex-colega de trabalho. Daí em diante, ele ficou arredio e parou de se comunicar com a maioria das pessoas que o questionava sobre o assunto. Decidiu, então, se apresentar somente nesta quinta, já acompanhado de dois advogados.

O laudo de necropsia do Instituto Médico Legal (IML) indicou como causa da morte asfixia mecânica por afogamento. Mas há hematomas no corpo dela quem indicariam possivelmente uma luta corporal.

Marli era pessoa muito querida no trabalho e também onde morava