📅 Publicado em 09/03/2026 16h26✏️ Atualizado em 09/03/2026 16h38
O rio Tocantins registrou, na manhã desta segunda-feira (9), a marca de 10,15 metros acima do nível normal, medição realizada às 7h15. O número representa uma elevação de 28 centímetros em relação ao final do domingo (8), quando o rio marcava 9,87 metros — já um patamar preocupante, que havia acionado o estado de alerta da Defesa Civil Municipal de Marabá. Em paralelo, o rio Itacaiunas chegou a 10,74 metros na mesma medição matinal, mantendo-se em nível elevado e contribuindo para a pressão hídrica sobre as áreas ribeirinhas da cidade.
A escalada dos rios, que se intensificou ao longo do final de semana, já produziu consequências diretas para a população. Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal (Condec), Marcos Norat, 18 famílias foram removidas de imóveis alagados até a manhã de segunda-feira: 15 delas entre sábado e domingo, e outras 3 estavam sendo atendidas na manhã desta segunda.
Todas foram encaminhadas para casas de parentes e amigos — o que, no jargão do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, caracteriza a condição de desalojados, distinta dos desabrigados, que são aqueles encaminhados para abrigos públicos ou coletivos.
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As ações já realizadas contaram com suporte do Corpo de Bombeiros Militar, que levou um caminhão e as famílias removidas eram dos bairros: Amapá, Filadélfia, Bela Vista e complexo Marabá Pioneira.
A subida dos rios
Para compreender a velocidade com que a situação se agravou, basta olhar para a evolução dos níveis fluviométricos nas últimas semanas. O rio Tocantins, que se mantinha estável na casa dos seis metros no início do período chuvoso, começou a ganhar volume de forma acentuada em 26 de fevereiro, quando marcava 6,55 metros acima do nível normal. Em 7 de março — apenas onze dias depois —, o rio já havia atingido 9,59 metros, uma elevação de mais de três metros em pouco mais de uma semana e meia. Dois dias depois, na manhã de 9 de março, o Tocantins ultrapassou a barreira dos dez metros, chegando a 10,15 metros.
A cota de alerta para o rio Tocantins em Marabá é de 9 metros — patamar em que as águas começam a atingir as primeiras moradias nas áreas ribeirinhas, provocando o deslocamento de famílias. Desde 7 de março, portanto, o rio já opera acima desse limiar, e a tendência de alta observada até a manhã desta segunda indica que o pico da cheia ainda pode não ter sido atingido.
Vale notar que o início do ano havia sido relativamente tranquilo: até o final de fevereiro, Marabá não havia registrado nenhuma família desabrigada pela cheia dos rios — um cenário que não se via há anos na cidade. A situação mudou de forma abrupta com a chegada das chuvas mais intensas na região a partir da última semana de fevereiro.
Contexto climático
A atual cheia está inserida no contexto climático da Bacia Hidrográfica Tocantins-Araguaia, uma das maiores do Brasil, que abrange uma área de 967.059 km² e se estende por seis estados e o Distrito Federal. A região possui um clima tropical, com uma estação chuvosa bem definida, que geralmente ocorre entre os meses de dezembro e maio — período conhecido como “inverno amazônico”.
É durante essa estação que se concentram as maiores precipitações, que alimentam as cabeceiras dos rios e, consequentemente, elevam seus níveis nas cidades ao longo do curso d’água, como Marabá.
De acordo com o Boletim Oficial da Defesa Civil, nas últimas 24 horas que antecederam o boletim de domingo foram registrados mais de 25 milímetros de chuva na região, volume que contribuiu diretamente para a aceleração da subida do Tocantins.
Apesar disso, o coordenador Marcos Norat sinalizou que há uma previsão de estabilidade das chuvas para os próximos dias — o que pode representar um alívio na velocidade de elevação dos rios, embora não signifique, necessariamente, que os níveis começarão a recuar imediatamente.
O histórico de Marabá é marcado por enchentes recorrentes, sendo a de 1980 a mais severa já registrada. Nas maiores cheias, a Prefeitura de Marabá costuma decretar estado de emergência e, em parceria com o Exército e o governo do Estado, implementa um plano de ação que inclui a construção de abrigos temporários, a remoção de famílias de áreas de risco e a distribuição de auxílio.
Defesa Civil
Questionado pela imprensa sobre como o Município se preparou para este período, o coordenador da Defesa Civil Municipal, Marcos Norat disse que o planejamento começou ainda no ano passado, com a elaboração de um plano de contingência específico para o período de cheia — que, neste ano, chegou mais tarde do que o esperado, concentrando-se em março.
“Começamos com a ação preventiva, primeiro fazendo monitoramento da meteorologia e da hidrologia que afetam aqui a nossa comunidade e fizemos o planejamento ano passado de contingência para justamente para essa enchente e que ela foi muito tardia, já veio agora em março com essas chuvas que estão dando aqui na região, então toda a nossa preparação foi realizada, estamos agora na fase de execução”, disse.
Também questionado sobre abrigos públicos, os quais ainda não são percebidos, Norat afirma que a Defesa Civil já tem abrigos contratados preventivamente e capacidade para montar 100 unidades por dia, distribuídas em 15 pontos de montagem espalhados pela cidade.
No entanto, os abrigos ainda não foram montados, uma vez que, até o momento, todas as famílias desalojadas foram acomodadas em residências de parentes e amigos, sem necessidade de encaminhamento para abrigos coletivos.
Próximos dias
Com o Tocantins já acima dos 10 metros e o Itacaiunas próximo de 11 metros, a situação em Marabá exige atenção redobrada. A previsão de estabilidade das chuvas mencionada pela Defesa Civil é um fator positivo, mas os rios tendem a continuar subindo por alguns dias mesmo após a redução das precipitações, em função do escoamento das águas das cabeceiras ao longo da bacia hidrográfica.
O número de famílias desalojadas — 18 até a manhã desta segunda — tende a crescer caso os níveis continuem avançando. A Defesa Civil reforça que está monitorando a situação em tempo real e que os canais oficiais do órgão devem ser acionados pela população em caso de emergência.

