Correio de Carajás

Após renovação com o Fluminense, Noan Lemos se prepara para mais uma temporada na natação

O jovem atleta de 16 anos retorna a Marabá para um recesso e conta ao CORREIO sobre as projeções para 2026

Nadador masculino sorrindo e comemorando na piscina com óculos na cabeça.
Noan durante o Campeonato Brasileiro Interclubes, realizado em novembro, em Vitória (ES) / Sodré/CBDA
Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 06/03/2026 17h40

De passagem por Marabá para um breve recesso, o jovem nadador Noan Lemos, de 16 anos, já mantém o foco voltado para o calendário competitivo de 2026. Atleta do Fluminense desde o ano passado, ele renovou contrato com o clube carioca após uma temporada de destaque em 2025 e agora se prepara para novos desafios na categoria Juvenil 2. Mesmo com poucos dias na cidade natal, o ritmo de treinos segue intenso, reflexo da rotina exigente de um atleta de alto rendimento.

No ano passado, Noan acumulou resultados importantes. Entre eles, a classificação para a final do Campeonato Brasileiro e o título do Campeonato Carioca, conquistado após bater o tempo de um campeão nacional em sua prova. “Apesar de ter passado praticamente todo o ano tratando uma tendinite no ombro, consegui bons resultados. Este ano comecei diferente, já adaptado aos treinos e conseguindo cumprir toda a carga exigida pelo Fluminense”, conta o atleta, demonstrando confiança para a nova temporada.

O calendário já começa movimentado. Agora em março, Noan já participa do Festival de Celebridades, na Olaria, no Rio de Janeiro, e da Copa das Confederações, competição que reúne federações filiadas à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), na qual defenderá a Seleção Carioca. Em junho, volta à piscina em Recife para disputar o Campeonato Brasileiro representando o Fluminense. O principal objetivo, segundo ele, é subir ao pódio nas provas individuais e ajudar a equipe nos revezamentos.

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“Meu foco agora é medalhar no Brasileiro, principalmente nas minhas provas e no revezamento, que está bem forte. No segundo semestre, quero novamente integrar a seleção carioca e disputar um torneio internacional”, projeta.

Representar Marabá no cenário esportivo nacional também tem peso especial para o jovem nadador. Para ele, competir no eixo Sul-Sudeste sendo atleta do Norte carrega um simbolismo importante. “É uma forma de mostrar que o Pará tem bons atletas e que cidades como Marabá também têm potencial para formar grandes esportistas”, afirma.

A rotina de alto rendimento, no entanto, exige disciplina. Entre treinos, competições e viagens, Noan também precisa conciliar os estudos. Segundo ele, a organização tem sido fundamental para manter o equilíbrio.

Início da trajetória

A trajetória do atleta começou cedo. A relação com a água surgiu ainda na infância, quando passava boa parte do tempo no açude do avô. Aos quatro anos, iniciou aulas de natação em Marabá, e rapidamente professores perceberam que havia talento ali. O passo seguinte foi competir em nível estadual e nacional, já federado pelo Clube do Remo, em Belém, onde conquistou títulos importantes, como campeonatos Norte-Nordeste e recordes estaduais. O desempenho chamou a atenção do Fluminense, que decidiu apostar no atleta para integrar sua equipe.

Mesmo com o avanço na carreira, o caminho até aqui tem sido marcado por desafios. A família destaca que grande parte da trajetória foi construída com apoio de amigos, familiares e alguns empresários locais, mas sem incentivos consistentes do poder público. “Ele leva o nome de Marabá para todo o Brasil, mas ainda falta apoio e projetos para incentivar atletas da região. Temos piscinas e bons profissionais, mas é preciso planejamento e investimento”, afirma o pai, Francisco Gonçalves.

Segundo ele, a natação de alto rendimento envolve custos elevados, que muitas vezes dificultam a continuidade de jovens talentos. “Um óculos de competição pode custar cerca de R$ 850 e um traje profissional chega a quase R$ 4 mil. Sem o apoio da família e de pessoas que acreditam no atleta, fica muito difícil”, relata Francisco.

Noan e Francisco, o pai, relatam a trajetória invejável que o jovem carrega mesmo com pouca idade /Foto: Kauã Fhillipe

Apesar das dificuldades, o pai acredita que a história do filho pode servir de inspiração para outros jovens da cidade. “É raro ver um atleta do Norte chegar ao Sul e Sudeste e disputar finais de Brasileiro. Isso mostra que temos potencial aqui”.

Enquanto isso, Noan segue firme no objetivo de evoluir dentro da modalidade. A expectativa da família é que os próximos anos tragam conquistas ainda maiores, quem sabe até uma convocação para a seleção brasileira. “A gente pensa passo a passo. Primeiro consolidar resultados no Brasil, depois buscar voos maiores”, afirma o pai.

De volta à Cidade Maravilhosa nos próximos dias, o jovem atleta retoma a rotina intensa de treinos no Fluminense. Carregando o nome de Marabá nas competições pelo país, Noan continua escrevendo, braçada a braçada, uma trajetória que já começa a inspirar novos talentos do esporte na região.