Correio de Carajás

Cabos de fibra óptica viram armadilha no Rio Itacaiunas e colocam pescadores em risco

Com a cheia do rio, fiação de internet forma barreira invisível no Itacaiunas, pondo em risco pescadores e navegantes. Autoridades cobram solução.

Ponte sobre rio barrento com mata densa e fiação exposta, sob céu nublado.
Fios elétricos estão expostos dentro do Rio Itacaiunas e ameaçam pescadores e barqueiros embaixo da ponte
Por: Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 02/03/2026 11h18

Com rios cheios nesta época do ano por causa das chuvas, um problema tem preocupado quem depende do rio: dois cabos de fibra óptica estão avançando cerca de 30 metros para dentro do Rio Itacaiunas, formando uma espécie de barreira invisível sobre e dentro da água.

Os fios, interligados à rede de postes da Equatorial Energia no Pará, pertencem a empresas de internet e seguem paralelos a outros cabos já instalados. O problema é que, com a elevação do nível do rio, a distância entre a água e a fiação diminuiu drasticamente, criando uma armadilha tanto durante o dia quanto, principalmente, à noite.

A Reportagem do CORREIO esteve no local e constatou que os cabos cruzam um trecho utilizado por pescadores e por moradores que usam pequenas lanchas e moto náuticas para pescaria e recreação.

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“Foi por pouco”

Dois pescadores ouvidos pela reportagem relataram o susto que passaram ao se deparar com os fios praticamente sobre a rota da embarcação.

“Quando eu vi, já estava a poucos metros. Se a gente não se abaixa rápido, podia ter sido atingido no rosto ou no pescoço”, contou Luciano Castilho, que precisou se deitar dentro da canoa para evitar o choque com o cabo.

Outro pescador, Antônio Silva, explicou que a reação foi imediata para evitar um acidente maior. “Eu levantei o motor da rabeta na hora para não enroscar no fio. Se pega ali, podia virar a canoa ou quebrar tudo”, relatou.

Segundo eles, a situação é ainda mais perigosa no período noturno, quando a visibilidade é reduzida e muitos utilizam lanternas de baixa potência. “A gente tem de passar pelas margens do rio, não no meio, senão o risco é grande. Os que não têm experiência nesse rio pode sofrer algum dano”, alertou.

Risco real de acidente

Além do risco de cortes e ferimentos graves, a possibilidade de enrosco no motor ou na estrutura da embarcação pode provocar quedas na água, colisões ou até afogamentos, especialmente com o rio cheio e correnteza mais forte.

A Reportagem do CORREIO observou que os dois cabos em questão passam junto com outros fios e pertencem a empresas diversas de telecomunicações. Todavia, até o início da manhã desta segunda-feira (2), nenhuma equipe técnica havia comparecido ao local para solucionar o problema.

Pedido de esclarecimentos

A Reportagem do CORREIO solicitou nota oficial à Equatorial Energia e também à Defesa Civil Municipal, questionando sobre a responsabilidade pela fiscalização da altura mínima da fiação sobre áreas navegáveis e quais providências serão adotadas para eliminar o risco.

Até a publicação desta notícia, apenas a Equatorial enviou nota, enquanto a da Prefeitura será inserida assim que chegar.

A Nota da Equatorial diz o seguinte: “A Equatorial Pará informa que uma equipe técnica foi direcionada na sexta-feira, 27 de fevereiro, para verificar a situação da rede elétrica que passa pelo leito do Rio Itacaiunas, próximo a ponte, em Marabá.

A distribuidora de energia esclarece que os cabos que estão próximos do rio são os de fibra ópticas, que pertencem às empresas provedoras de internet. A rede elétrica está com a altura dentro da margem de segurança, e sinalizada, de acordo com as normativas.

A Equatorial Pará reforça que as travessias de rede elétrica próximas as duas pontes estão nas mesmas condições. E orienta que a navegação deve ser feita pelas margens dos rios”.

A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Marabá ressaltou que a Defesa Civil Municipal informou que este é o segundo ano que esse problema acontece e que diante do problema atual, já notificou as empresas de internet de Marabá para que resolvam o problema. Além disso, a Capitania dos Portos também foi alertada sobre o fato para que analise a situação e altura dos fios que cruzam o rio.

Enquanto o dilema se resolve, pescadores e frequentadores do Rio Itacaiunas seguem expostos a um perigo quase invisível: dois fios estendidos sobre a água que podem transformar um momento de lazer em tragédia.