📅 Publicado em 27/02/2026 20h38
O ministro da Educação, Camilo Santana, participou de uma solenidade na Unidade III da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em Marabá, na tarde desta sexta-feira (27). Na ocasião, ele assinou a portaria que autoriza a criação do curso de Medicina na instituição.
Durante o evento, em entrevista ao CORREIO, o reitor da Unifesspa, Francisco Ribeiro, confirmou que a universidade planeja realizar o primeiro processo seletivo ainda em 2026, com o início das aulas previsto para 2027. Serão ofertadas, inicialmente, 30 vagas, com possibilidade de ampliação gradual.
“Vamos concentrar esforços para realizar o processo seletivo ainda este ano, com o objetivo de oferecer as vagas para o início de 2027”, destacou Francisco. Segundo ele, a instituição já promoveu um concurso para 17 professores, preenchendo 16 vagas. Para que a primeira turma possa iniciar em 2027, a escolha da banca organizadora do vestibular já está em andamento.
Leia mais:O reitor explicou ainda que a meta é expandir o curso para até 100 vagas no futuro. “Esse é um requisito fundamental para justificarmos e viabilizarmos a construção de nosso próprio hospital universitário”, afirmou. Atualmente, Marabá já possui cursos de Medicina oferecidos pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) e pela Afya, mas não dispõe de um hospital-escola.
Por sua vez, o ministro Camilo Santana, ao ser questionado pela reportagem do Correio de Carajás sobre a destinação de verbas do Governo Federal para a construção do hospital universitário da Unifesspa, foi direto ao afirmar que a prioridade é a implantação do curso. “Nosso primeiro passo é implementar o curso com excelência, utilizando a estrutura dos hospitais públicos já existentes na cidade”, declarou. Com isso, a construção do aguardado hospital-escola permanece sem previsão, e as demandas dos cursos da Unifesspa, Uepa e Afya continuarão a ser direcionadas para as unidades de saúde públicas do município.

Camilo Santana também ressaltou que a manutenção de um hospital universitário exige planejamento e orçamento contínuos, argumentando que “a parte mais cara de um hospital não é a obra em si, mas sua manutenção anual”.
DEMANDA REGIONAL
A criação do curso federal de Medicina em Marabá representa não apenas um marco para a Unifesspa, mas também uma resposta à alta demanda regional por ampliação da estrutura de saúde.
Durante seu discurso na solenidade, o reitor Francisco Ribeiro frisou que a região de Marabá dispõe de apenas 1,1 leito do SUS para cada mil habitantes, enquanto a recomendação é de 3 a 5 leitos. “Este hospital não é uma ideia distante, é uma necessidade”, enfatizou. Ele informou que já entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um pedido de apoio para a construção do hospital universitário e que a universidade busca aproximadamente R$ 7,5 milhões para os projetos iniciais. “Contamos com o apoio de nossos parlamentares para tirar esse sonho do papel”, completou.
O ministro Camilo Santana também aproveitou a oportunidade para destacar o papel da formação médica e da produção científica nas universidades. “Recentemente, vimos que 55% dos cursos privados de medicina tiveram notas insuficientes no ENAMED. Foram nossas universidades públicas que alcançaram as melhores notas”, afirmou. Ele acrescentou que 90% da pesquisa realizada no país se origina nas instituições públicas e que “a educação é o grande caminho para a construção de um país soberano, justo e de oportunidades”.
Na mesma solenidade, foi anunciada a expansão da universidade para Canaã dos Carajás. Segundo o reitor, a prefeita Josemira Gadelha investiu mais de R$ 20 milhões na construção do novo campus, que terá foco em sustentabilidade e inovação.
ATRITOS
Durante a solenidade, a presença do prefeito de Marabá, Toni Cunha, gerou reações de parte do público. Ao utilizar seu tempo de fala para exaltar seu partido, o PL, o prefeito foi vaiado pelos presentes no auditório. O atrito ocorreu em um ambiente universitário que, embora institucionalmente apartidário, é historicamente conhecido pela forte presença de debates políticos e posicionamentos progressistas.
Ao discursar, o ministro Camilo Santana respondeu diretamente ao prefeito, buscando reposicionar o foco do evento. “Para mim e para o presidente Lula, a pauta da educação se sobrepõe a qualquer questão partidária ou política. O que importa são as pessoas e os jovens”, declarou. Em seguida, reforçou a legitimidade dos cargos ocupados, afirmando que “o povo escolheu o presidente Lula para ser o presidente da República, e Toni Cunha para governar Marabá. O respeito institucional é fundamental”, pontuou com firmeza.
Paralelamente às falas das autoridades, técnico-administrativos da Unifesspa, atualmente em greve, realizaram um protesto no auditório. Com cartazes, eles pediram a valorização da categoria e cobraram um posicionamento do ministro sobre suas reivindicações. O grupo aproveitou a presença do chefe da pasta para dar visibilidade à paralisação e às suas pautas salariais e estruturais.

OUTRAS ENTREGAS
A programação desta sexta-feira também incluiu a assinatura da ordem de serviço para a conclusão do restaurante universitário da Unidade II, com um investimento de R$ 5,7 milhões e capacidade para atender até 950 pessoas no almoço. Além disso, foi feito o acompanhamento de obras nos campi de Marabá, como o prédio administrativo do Instituto de Geociências e Engenharias (R$ 22,7 milhões em recursos, 44% executado) e o novo bloco do Instituto de Ciências Humanas (R$ 13,9 milhões, 24% concluído).
Houve ainda a inauguração de estruturas acadêmicas e de um bloco multiúso em Santana do Araguaia, além da entrega simbólica do diploma de número 7.000 da instituição. O reitor Francisco Ribeiro destacou o marco como estratégico para a consolidação da infraestrutura e a ampliação da oferta de cursos na região.
Após a solenidade, o ministro inspecionou as obras do Instituto de Ciências Humanas (ICH), na Unidade III da Unifesspa. A visita reforçou o compromisso, anunciado durante o evento, de concluir estruturas inacabadas e consolidar a infraestrutura da universidade, ampliando as condições de ensino e pesquisa para estudantes e professores.
