Correio de Carajás

Operação integrada resulta na prisão de suspeitos na região sul-sudeste do Pará

Ao todo, sete mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão foram expedidos; um dos alvos morreu após reagir à intervenção policial

Grupo de policiais do CORE com fuzis ao lado de viatura em operação policial.
A operação deu-se início por volta das 6h desta sexta-feira em endereços previamente localizados/Foto: Divulgação
Por: Milla Andrade, Evangelista Rocha e Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 27/02/2026 14h22

Uma operação integrada das forças de segurança pública foi deflagrada nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (27) nos municípios de Marabá, Curionópolis e Parauapebas, no sudeste do Pará. Batizada de Verum Atrium, a ação foi coordenada pela Polícia Civil do Estado do Pará, com apoio do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), e teve como objetivo o cumprimento de mandados judiciais contra integrantes de uma facção criminosa investigada por crimes violentos na região.

Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão temporária, com prazo de 30 dias, além de dez mandados de busca e apreensão domiciliar. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram realizadas prisões temporárias e em flagrante, além da apreensão de armas de fogo, munições, drogas e aparelhos celulares.

A coletiva de imprensa reuniu representes dos órgãos de segurança para detalhes da megaoperação /Foto: Evangelista Rocha

Thiago Araújo Feitosa, Willian Santos Ferreira, Dhemerson Rocha Magalhães, Francisco Willian Viana de Souza, José Augusto Souza Soares são os suspeitos, identificados até o momento, presos na operação nas cidades e já estão à disposição da Justiça. Um dos investigados morreu na Folha 8 após reagir à intervenção policial durante a operação.

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Em coletiva de imprensa, o superintendente regional da Polícia Civil, delegado Antônio Mororó, informa que a operação mobilizou 15 viaturas terrestres, um helicóptero do Graesp, com quatro oficiais a bordo, e um efetivo aproximado de 60 policiais civis. Segundo ele, até o fechamento do balanço parcial, foram retiradas de circulação armas de fogo, apreendidos cerca de 2 quilos de entorpecentes, além do cumprimento das prisões determinadas pela Justiça.

Em Marabá, as ações se concentraram principalmente nos núcleos São Félix, Nova Marabá, com destaque para as folhas 8 e 33, e Cidade Nova. Em Curionópolis, uma prisão temporária foi cumprida em uma área rural de difícil acesso, na região da Serra Pelada. Já em Parauapebas, houve uma prisão temporária e uma prisão em flagrante, esta última relacionada à posse irregular de arma de fogo e entorpecentes.

O helicóptero da Graesp serviu como campo de observação e repassou informações para equipe em solo /Foto: Divulgação

Verum Atrium

A investigação que deu origem à Operação teve início após um ataque armado ocorrido em 13 de agosto de 2025, quando nove integrantes de uma facção criminosa invadiram uma residência e efetuaram diversos disparos. A ação resultou na morte de uma criança de apenas um ano de idade e deixou outras três pessoas feridas, incluindo uma mulher grávida. O caso gerou forte comoção social e evidenciou a escalada da violência ligada à disputa entre facções na região.

De acordo com a Polícia Civil, após meses de trabalho investigativo e de inteligência, foi possível identificar os principais envolvidos no atentado. Parte deles já havia sido presa anteriormente ou morreu em confrontos com forças policiais, enquanto outros passaram a ser alvos da operação deflagrada nesta sexta-feira.

O delegado Fernando Marcolino, integrante do Graesp, destaca o apoio aéreo durante a operação. Segundo ele, o helicóptero atuou como plataforma de observação, permitindo o monitoramento das áreas-alvo, a identificação de movimentações suspeitas e o repasse de informações em tempo real às equipes em solo, garantindo maior segurança no cumprimento dos mandados.

Mororó foi enfático ao condenar a atuação do chamado “tribunal do crime” e reforçou que a Polícia Civil não tolerará a existência de poderes paralelos. “O tribunal que verdadeiramente importa é o das instituições legais do Estado. Na nossa área de responsabilidade, não admitiremos esse tipo de atuação criminosa, e a resposta será sempre firme”, afirma.

O superintendente também ressaltou o trabalho integrado entre as delegacias envolvidas, incluindo as unidades de Cidade Nova, São Félix, Delegacia de Homicídios, Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca), Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), além do apoio do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), de Belém.

Ao final, Mororó destacou o empenho dos policiais envolvidos e afirmou que novas operações de grande porte já estão sendo planejadas. “Não existirá lugar onde a Polícia Civil não entrará. Outras ações virão, de igual ou maior envergadura”, completa.