Correio de Carajás

Palestina lidera ranking e Marabá aparece entre os maiores índices de obesidade da região

São João do Araguaia tem a menor proporção de moradores com obesidade do sudeste do Pará, com 26,91%

Três mulheres rindo e comendo lanches ao ar livre em um dia ensolarado.
Palestina do Pará apresenta o maior percentual da região, com 33,84% da população adulta obesa na região de Carajás
Por: Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 25/02/2026 14h16

O avanço da obesidade no Brasil já se reflete de forma concreta no sudeste do Pará. Dados do Ministério da Saúde, obtidos a partir do mapa interativo nacional divulgado recentemente, mostram que vários municípios da região apresentam taxas superiores a 30% da população adulta com obesidade, um patamar considerado elevado pelos especialistas e que acompanha a tendência nacional de crescimento acelerado da doença.

Entre os municípios analisados, Palestina do Pará apresenta o maior percentual da região, com 33,84% da população adulta obesa. Em seguida aparecem Marabá, com 31,7%, e Rondon do Pará, com 31,64%. Também registram índices acima de 30% cidades como Parauapebas (31,3%), Dom Eliseu (30,38%), Abel Figueiredo (30,22%), Jacundá (30,18%), Curionópolis (30,59%) e Canaã dos Carajás (30,56%).

Outros municípios apresentam taxas próximas desse patamar, como São Geraldo do Araguaia e São Domingos do Araguaia, ambos com 29,6%, Eldorado do Carajás e Goianésia do Pará, com 29,7%, Brejo Grande do Araguaia, com 29,74%, e Tucuruí, com 29,23%. Mesmo nas cidades com menores percentuais, os índices permanecem elevados, como Novo Repartimento (26,96%), São João do Araguaia (26,91%) e Itupiranga (27,01%).

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Crescimento acelerado no país

Esse cenário regional reflete um fenômeno nacional. O número de adultos com obesidade no Brasil cresceu 118% entre 2006 e 2024, segundo levantamento do Ministério da Saúde baseado na pesquisa Vigitel. Esse aumento coloca a obesidade entre os principais desafios atuais da saúde pública brasileira.

Além disso, dados recentes indicam que mais de 60% dos brasileiros já estão com sobrepeso e que a obesidade praticamente dobrou nas últimas duas décadas, evidenciando uma mudança significativa no perfil nutricional da população.

Alimentação ruim e sedentarismo

Especialistas apontam que o crescimento da obesidade está diretamente ligado a mudanças no estilo de vida e na alimentação. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, a substituição de produtos naturais por opções industrializadas e a redução da atividade física são considerados fatores centrais nesse processo.

Esse fenômeno está associado ao que os pesquisadores chamam de “transição nutricional”, quando a população deixa de enfrentar a desnutrição e passa a conviver com o excesso de peso como principal problema alimentar. Entre as causas estão o sedentarismo, a urbanização, o maior uso de veículos e a redução das atividades físicas no cotidiano.

Tendência nacional

Os números do sudeste do Pará mostram que a região segue a tendência nacional, com diversos municípios registrando taxas superiores a 30%, patamar considerado preocupante pelos órgãos de saúde.

Marabá, maior cidade da região, aparece com 31,7%, índice superior à média nacional estimada em estudos recentes. O dado reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, incentivo à atividade física e melhoria dos hábitos alimentares.

Especialistas alertam que a obesidade está associada ao aumento do risco de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, além de representar um impacto crescente sobre o sistema público de saúde.

“São mudanças no padrão alimentar da população, caracterizadas principalmente por uma redução do consumo de alimentos in natura, como arroz, feijão, frutas, legumes e verduras, e suas preparações culinárias, e um aumento do conjunto de ultraprocessados, como bolachas, salgadinhos e refeições prontas”, diz Maria Laura Louzada, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da universidade.

Ela conta que os ultraprocessados, que passam por diversos processos industriais, com adição de químicos e aditivos, e têm baixíssimo valor nutricional, favorecem o consumo excessivo de calorias por características como a alta densidade energética e a hiperpalatabilidade, além de interferirem nos mecanismos biológicos de saciedade do corpo.

A mesma pesquisa Vigitel mostra que o número de brasileiros que comem feijão pelo menos cinco vezes na semana caiu de 66,8%, em 2007, para 56,4% em 2024. Além disso, mais de 1 a cada 4 (25,5%) relatam ingerir cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados por dia, e apenas 21% consomem o recomendado de frutas e hortaliças.

Já um estudo do Nupens mostrou que o fator mais determinante para um maior consumo de ultraprocessados é a renda, com municípios mais ricos e com mais pessoas com remuneração acima de cinco salários mínimos tendo um consumo maior. Em Florianópolis, Santa Catarina, por exemplo, chega a 30,5%, enquanto em Aroeiras do Itaim, Piauí, é de 5,7%. (Com informações de O Globo)

Ranking regional da obesidade (sudeste do Pará)

(Acima de 31%)

Palestina do Pará – 33,84%

Marabá – 31,7%

Rondon do Pará – 31,64%

Parauapebas – 31,3%

Entre 30% e 31%

Dom Eliseu – 30,38%

Curionópolis – 30,59%

Canaã dos Carajás – 30,56%

Abel Figueiredo – 30,22%

Jacundá – 30,18%

Entre 29% e 30%

Eldorado do Carajás – 29,7%

Goianésia do Pará – 29,7%

São Geraldo do Araguaia – 29,6%

São Domingos do Araguaia – 29,6%

Brejo Grande do Araguaia – 29,74%

Tucuruí – 29,23%

Abaixo de 29%

Piçarra – 28,96%

Nova Ipixuna – 28,33%

Breu Branco – 28,31%

Bom Jesus do Tocantins – 28,61%

Itupiranga – 27,01%

Novo Repartimento – 26,96%

São João do Araguaia – 26,91%