Correio de Carajás

Acordo com Warner vai sair e levará mais filmes ao cinema, diz Netflix

Afirmação é do diretor-executivo da Netflix, Ted Sarandos, que se diz “altamente confiante” mesmo após investida da Paramount sobre a Warner

Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images

O acordo para a aquisição da Warner Bros. Discovery, dona de HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros, pela Netflix deve resultar em um número maior de lançamentos de filmes nos cinemas em todo o mundo. A afirmação é do diretor-executivo da Netflix, Ted Sarandos, em entrevista à Bloomberg.

Segundo o executivo do gigante do streaming, o acerto entre as duas companhias irá se concretizar e “é o melhor para os cinemas”.

“É muito provável que você tenha ainda mais resultados de filmes de alta qualidade para os cinemas se esse acordo for concluído”, afirmou Sarandos.

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Para ele, isso ocorrerá porque a Netflix também poderá colocar seus filmes nos cinemas utilizando o negócio de distribuição construído pela Warner.

Assédio da Paramount

Em relação à tentativa mais recente da Paramount Skydance de atravessar o negócio entre Warner e Netflix e tentar comprar a empresa, Ted Sarandos disse que não está preocupado e se mantém “altamente confiante” no acordo inicial, anunciado em dezembro do ano passado.

Na última terça-feira (17/2), a Warner informou que concedeu o prazo de uma semana para que a Paramount apresentasse sua “melhor e final oferta” pela aquisição da companhia. Esse período é chamado no mercado de “limited waiver” (renúncia limitada ou isenção limitada, em tradução livre) e funciona como uma espécie de dispensa temporária de obrigações contratuais.

O prazo, na verdade, teve de ser chancelado pela Netflix – outra interessada na compra da Warner. Em outras palavras, a Netflix liberou a Warner de algumas obrigações firmadas no acordo fechado entre as duas empresas, o que permite que a companhia reabra conversas com a Paramount por mais uma semana, até o dia 23 de fevereiro.

Warner reabre conversas com Paramount

De acordo com um comunicado divulgado pela Warner, a retomada das negociações com a Paramount em torno de uma possível compra servirá para dar “maior clareza” aos acionistas da empresa sobre as reais condições de uma nova oferta.

“Durante esse período, a Warner se envolverá com a Paramount para discutir as deficiências que permanecem não resolvidas e esclarecer certos termos do acordo de fusão proposto”, diz a nota. A Warner ressalta que a Netflix mantém seu direito “de igualar qualquer proposta feita pela companhia concorrente”.

Ainda segundo o comunicado, a Paramount teria concordado em pagar US$ 31 por ação em caso de aprovação da nova oferta pelo Conselho de Administração da Warner.

“Esse preço, juntamente com diversas outras questões que a Paramount declarou que abordaria em sua carta de 10 de fevereiro, não está refletido no mais recente acordo de fusão proposto”, afirmou a Warner, cobrando esclarecimentos sobre os detalhes da eventual nova proposta.

Na semana passada, a Paramount voltou à carga com uma oferta pela Warner. A empresa se comprometeu a pagar a multa de US$ 2,8 bilhões à Netflix caso o acordo seja desfeito. Além disso, a Paramount diz garantir um refinanciamento da dívida da Warner.

A Paramount também afirmou que compensará os acionistas da Warner caso o negócio não seja totalmente concluído até 31 de dezembro de 2026, o que indica a confiança da companhia de que tem mais condições de obter as aprovações junto aos órgãos regulatórios do que a Netflix.

A revisão feita pela Paramount também envolveria o pagamento de uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada três meses caso a operação não seja concluída após dezembro de 2026.

“Durante todo esse processo, nosso único foco tem sido maximizar valor e segurança para os acionistas da Warner Bros”, disse o diretor-presidente da Warner, David Zaslav, também em comunicado.

“A cada etapa, fornecemos à Paramount Skydance orientação clara sobre as deficiências em suas ofertas e oportunidades para corrigi-las. Estamos nos envolvendo com a Paramount agora para determinar se eles podem apresentar uma proposta acionável e vinculante que ofereça valor e segurança superiores para os acionistas da Warner por meio de sua melhor e final oferta”, explicou Zaslav.

Netflix anunciou a compra da Warner em dezembro

Em dezembro de 2025, a Netflix anunciou que levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por US$ 82,7 bilhões.

A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.

O acordo daria à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentaria significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e teria acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.

Em carta à Warner, a Paramount contestou o processo de negociação para a venda da companhia e alegou que a empresa teria abandonado um modelo justo de licitação e declarado a Netflix como vencedora, sem critérios justos e transparentes.

A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.

Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes. O próprio presidente dos EUA, Donald Trump, já criticou a operação.

Em janeiro deste ano, a Netflix confirmou uma mudança nos termos de sua proposta para comprar a Warner e apresentou uma oferta com pagamento integral em dinheiro, no valor já acordado previamente de US$ 82,7 bilhões. A nova proposta recebeu o aval do Conselho de Administração da Warner.

A alteração feita pela Netflix tem o objetivo de acelerar o processo de venda. Pelo acordo original, os acionistas da Warner receberiam US$ 23,25 em dinheiro e US$ 4,50 em ações ordinárias da Netflix. Haveria ainda alguns ajustes previstos caso os papéis da empresa recuassem abaixo de US$ 97,91.

Agora, a Netflix oferece US$ 27,75 por ação da Warner, com pagamento 100% em dinheiro. Com a mudança, os acionistas da Warner deixam de receber participação acionária na Netflix e passam a deter um valor fixo por ação.

Em outras palavras, a nova estrutura do acordo acaba com a exposição às oscilações dos papéis da Netflix – o pagamento não dependeria do desempenho das ações no mercado após a conclusão da operação. Desde que a Netflix demonstrou publicamente seu interesse na compra da Warner, as ações da companhia perderam cerca de um quarto de seu valor.

(Fonte: Metrópoles)