Correio de Carajás

‘Até eu tenho medo de me deparar com o ICE’, diz Wagner Moura

Em entrevista ao jornal 'El País', o ator brasileiro compara as táticas de controle imigratório de Trump com a demonização de artistas no Brasil e a influência das redes sociais.

Wagner Moura com casaco roxo e barba, em frente ao logo do Oscar.
Wagner Moura no evento dos indicados ao Oscar 2026 — Foto: REUTERS/Mario Anzuoni
✏️ Atualizado em 19/02/2026 15h16

Wagner Moura comentou sobre a situação dos Estados Unidos em relação às táticas de controle da imigração adotadas pelo governo de Donald Trump. Em entrevista ao jornal “El País”, o ator indicado ao Oscar por “O Agente Secreto” afirmou temer como reagiria caso se deparasse com agentes do ICE.

“Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, disse.

O ator fez um paralelo entre o Brasil e os Estados Unidos, ressaltando como regimes autoritários tendem a atacar artistas, jornalistas e intelectuais.

Leia mais:

“Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades. A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”, explica Moura.

Ele também destacou o impacto das redes sociais nesse cenário. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”, afirmou.

(Fonte:G1)