Febre persistente, palidez, manchas roxas e dores ósseas. Sintomas comuns na infância podem esconder uma doença grave quando persistem e aparecem associados. A leucemia infantil, apesar de começar de forma silenciosa, tem altas taxas de cura quando diagnosticada precocemente e tratada em centros especializados, como o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém.
Segundo a diretora Técnica e oncopediatra do Hospital, Alayde Vieira, os sintomas mais frequentes da leucemia infantil também incluem o cansaço excessivo, sangramentos no nariz e gengiva, dores articulares, aumento do abdome e a presença de linfonodos aumentados, popularmente conhecidos como ínguas. O atraso no reconhecimento desses sinais de alerta é um dos principais desafios no enfrentamento à doença. “A leucemia pode se apresentar de maneira muito semelhante a infecções comuns. O ponto crítico não é o sintoma isolado, mas a persistência e a associação entre esses sinais”, explicou a especialista.
Incidência – O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima a ocorrência de 7.560 casos novos de câncer infantojuvenil (faixa etária de 0 a 19 anos incompletos) no Brasil para cada ano do triênio de 2026 a 2028. Alayde ressaltou que a forma mais comum da doença na infância é a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), responsável por cerca de 70% a 75% dos casos pediátricos.
Leia mais:Já em adultos e idosos, são mais frequentes a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e a Leucemia Linfocítica Crônica (LLC). Apesar de a leucemia infantil apresentar comportamento mais agressivo no início, ela também responde melhor ao tratamento. “Nos centros especializados, as chances de cura ultrapassam 80%”, informou a oncologista.
Diagnóstico – O hemograma simples ainda é a principal ferramenta de triagem. Quando há suspeita, são realizados exames complementares, como o mielograma (punção da medula óssea), imunofenotipagem por citometria de fluxo, e estudos genéticos e moleculares. No Hoiol, o tratamento é integral. “A unidade oferece diagnóstico rápido e preciso, estratificação de risco, tratamento conforme protocolos nacionais e internacionais, suporte intensivo e acompanhamento até a alta definitiva”, disse Alayde Vieira.
Em regiões com alta incidência de doenças infecciosas, como a Amazônia, é natural que febre e dor sejam inicialmente interpretadas como viroses. O desafio está na reavaliação quando o quadro não evolui como esperado. “Diagnóstico precoce depende de vigilância clínica. Não precisamos de exames sofisticados inicialmente, mas de atenção e acompanhamento adequado. Quanto mais cedo a leucemia é identificada, maiores são as chances de cura”, enfatizou a médica.

Primeiros sinais – Em meio à rotina de trabalho como auxiliar de logística de cargas pesadas, a moradora do município de Barcarena, Sandra Costa, 28 anos, viu a vida mudar completamente quando a filha, Sandy, 12 anos, foi diagnosticada com leucemia. Os primeiros sinais surgiram com febre persistente, seguida de fraqueza intensa, inchaço no rosto e perda de apetite.
Preocupada, Sandra procurou atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município, de onde a menina foi transferida para um hospital de emergência. Foi ali que veio o diagnóstico e, junto com ele, o desespero e a angústia. “Eu me fiz parecer forte para não demonstrar tristeza para ela. Pedi forças a Deus porque, por dentro, eu estava destruída”, relembrou.
Desde então, mãe e filha enfrentam juntas o tratamento contra o câncer infantil, realizado no Hospital Octávio Lobo, onde Sandy passa por sessões semanais de quimioterapia. Segundo a mãe, apresenta boa resposta às medicações. Para Sandra, o acolhimento da equipe multiprofissional tem sido fundamental nesse processo. “Graças a Deus, e aos profissionais do Hospital, minha filha está muito bem neste momento. Eu agradeço todos os dias por termos esse atendimento aqui no nosso Estado”, afirmou.
Sandra Costa diz que, antes da doença, Sandy era uma criança cheia de energia, que adorava jogar bola e brincar com as amigas. A rotina da família passou por transformações impostas pela doença, e o contato da criança com profissionais da saúde do Hoiol passou a alimentar um sonho da menina: ser médica. “Ela mantém vivo o sonho de ser médica para cuidar de outras pessoas, assim como está sendo cuidada”, finalizou Sandra.

A agricultora Maria Santos, 47 anos, relembra sintomas apresentados pela filha, Fátima Beatriz Cruz, 17 anos, diagnosticada com Leucemia Mieloide Aguda (LMA). “Começou a surgir manchas roxas pelo corpo dela e sangramento na boca. Levei ao médico o mais rápido que pude”, relata Maria, destacando a importância de ficar atento aos sinais da doença e procurar atendimento médico imediato.
O tratamento começou no dia 28 de agosto de 2025. Fátima está respondendo bem às medicações, com previsão de concluir o último ciclo de quimioterapia em abril. Mãe solo, Maria também cuida de uma filha mais nova, com 4 anos. “Foi bem difícil (lidar com o diagnóstico). Mas, estamos na luta, e estamos vencendo”, garante.
Serviço: Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), o Hoiol é referência na região amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária entre 0 a 19 anos. A unidade, pertencente à rede de saúde do Governo do Pará, é gerenciada pelo Instituto Diretrizes (ID), sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
(Agência Pará)
