Até o início da noite desta quarta-feira (18) continuava desaparecido o médico e empresário marabaense Arlen Martins Braga. Também se completaram as primeiras 24 horas desde que ele submergiu no Rio Tocantins, em frente à praia do Tucunaré e não mais foi visto. As buscas foram intensas ainda na noite da ocorrência, na terça-feira, 17 de fevereiro, e ontem. A novidade no final do dia foi o envolvimento da Polícia Civil para reforçar a equipe de buscas liderada pelos Bombeiros.
O delegado Antônio Mororó, superintendente da Polícia Civil em Marabá, disse ao CORREIO que colocou em atuação os homens da CORE (Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais) que é uma unidade especializada em operações de alta complexidade, composta por profissionais altamente treinados. Também fez questão de frisar que a participação é por uma questão humanitária e que não existe qualquer investigação criminal relacionada ao sumiço do médico.
Mororó também requisitou de Belém um helicóptero do Graesp (Grupamento Aéreo), o qual chegou a Marabá às 17 horas desta quarta-feira e já iniciou envolvimento nas buscas. A aeronave fez todo o trajeto de Itupiranga a Marabá, cobrindo as margens do rio Tocantins.
Leia mais:O desaparecimento
O incidente que levou ao desaparecimento de Arlen Braga ocorreu por volta das 19 horas de terça-feira (17). O médico estava na companhia de amigos em uma lancha e, devido a uma ventania intensa acompanhada de chuva forte que atingiu a cidade, decidiram ancorar no flutuante de um outro amigo, na região da Praia do Tucunaré. A lancha foi amarrada à estrutura maior, e os ocupantes desembarcaram.
Em determinado momento, a embarcação se soltou. O jovem enfermeiro José Henrique, que acompanhava o grupo, pulou na água na tentativa de recuperá-la. Arlen, ao lembrar que o enfermeiro não sabia conduzir a lancha, também entrou no rio para auxiliá-lo no retorno. José Henrique conseguiu subir na embarcação, mas Arlen submergiu nas águas escuras do Tocantins e não foi mais visto.
A mobilização
Desde o ocorrido, uma grande operação de busca foi montada. O Corpo de Bombeiros retomou os trabalhos no início da manhã de quarta-feira (18), concentrando os esforços no perímetro entre o flutuante de onde Arlen partiu e a Praia do Tucunaré. A área possui diversos bancos de areia, onde se acredita que o corpo possa ter ficado retido pela correnteza.
As condições naturais, no entanto, impuseram grandes desafios. Nesta época do ano, devido às fortes chuvas, a água do Rio Tocantins está turva e barrenta, o que reduz drasticamente a visibilidade e torna as buscas subaquáticas mais complexas. Diante disso, o comando do Corpo de Bombeiros de Marabá solicitou o apoio de equipes de mergulhadores especializados de Belém para reforçar a operação.
Além dos esforços oficiais, a comunidade se mobilizou intensamente. Pescadores voluntários da Velha Marabá, com profundo conhecimento sobre o comportamento do rio, se juntaram às equipes com suas embarcações, auxiliando na varredura da área. Na orla, em frente à Colônia de Pescadores Z-30, no Bairro Santa Rosa, amigos, familiares e colaboradores da Chopptime, empresa administrada por Arlen, formaram uma vigília, aguardando em clima de oração e esperança por notícias.
O enfermeiro José Henrique, visivelmente abalado, permaneceu no local, sendo amparado por amigos e preferiu não falar com a imprensa.
Reforço aéreo
A solidariedade de amigos e da classe empresarial também se manifestou com a contratação de um helicóptero particular, modelo Robinson R66 Turbine, para intensificar as buscas aéreas. A aeronave decolou às 16h30 de quarta-feira, com dois médicos e um barqueiro experiente a bordo, para sobrevoar o trecho a jusante do ponto do desaparecimento.
Os esforços para localizar o médico se estenderam por um raio ainda maior. Pela manhã, o vereador Pedrinho Corrêa e os empresários Ricardo Xerfan e Alailton Viana percorreram o Rio Tocantins em uma lancha até o município de Itupiranga. O grupo desceu o rio por uma margem e retornou pela outra, mas não obteve sucesso. Em Itupiranga, foram recebidos por uma equipe da Defesa Civil local, que também se comprometeu a realizar buscas ativas ao longo do rio.
Sebastião Braga, irmão de Arlen, também retornou ao rio em uma embarcação particular para continuar as buscas por conta própria, demonstrando a angústia e a determinação da família em encontrar respostas.
Quem é Arlen Braga
Arlen Braga é uma figura conhecida e respeitada em Marabá. Nascido na cidade, construiu uma sólida carreira na área da saúde. Trabalhou na mineradora Vale e na Prefeitura de Marabá, onde se destacou à frente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Após cursar medicina na Bolívia, retornou à sua cidade natal, atuando como médico regulador no 11º Centro Regional de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e como plantonista no Hospital Materno Infantil.
Além de sua dedicação à medicina, Arlen é um empreendedor de sucesso, gerenciando uma franquia da choperia Chopptime no Partage Shopping Marabá. Sua trajetória profissional e seu carisma o tornaram uma pessoa querida nos meios social e profissional da cidade, o que explica a grande comoção e mobilização em torno de seu desaparecimento.
As buscas, agora reforçadas pela estrutura da Polícia Civil e pelo apoio aéreo, continuam nesta quinta-feira (19), em meio à apreensão de toda a comunidade, que segue unida na esperança de um desfecho para este trágico episódio.
