Correio de Carajás

Lucro da Vale despenca 62% e fecha 2025 em US$ 2,3 bilhões

Prejuízo no 4º trimestre e provisões para Samarco impactam resultado, mas produção de minério de ferro e níquel cresce; Novo Carajás em foco.

Máquina de mineração industrial amarela em operação com grandes pilhas de minério e floresta ao fundo.
O resultado foi puxado por um prejuízo de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 14/02/2026 08h45

A Vale encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 2,3 bilhões, uma queda de 62% em relação a 2024. O resultado foi puxado por um prejuízo de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre, o maior impacto vindo de uma baixa contábil de US$ 3,5 bilhões em ativos de níquel no Canadá. A mineradora também aumentou em US$ 449 milhões as provisões para o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), em 2015.

Uma decisão da Justiça do Reino Unido responsabilizou a BHP, sócia da Vale na Samarco, pelo desastre. As duas empresas acordaram dividir igualmente os custos futuros do processo. A Vale precisou provisionar mais dinheiro para cobrir possíveis indenizações aos atingidos pela tragédia. Além disso, a revisão para baixo no valor dos ativos de níquel reflete as expectativas menos otimistas do mercado para o metal nos próximos anos.

Apesar dos números vermelhos no resultado final, a operação da Vale foi forte. A empresa produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, superando sua própria meta e retomando a liderança global. Foi a maior produção desde 2018. A receita total cresceu 1% e chegou a US$ 38,4 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros e impostos) subiu 4% e fechou em US$ 15,46 bilhões.

Leia mais:

Se forem excluídos os eventos extraordinários, o lucro da Vale em 2025 teria sido de US$ 7,8 bilhões, e o do quarto trimestre de US$ 1,5 bilhão. Isso mostra que, sem as despesas contábeis não recorrentes, a companhia teria tido um desempenho bem melhor. A dívida da empresa caiu 5% e encerrou o ano em US$ 15,58 bilhões, resultado da forte geração de caixa das operações.

O presidente Gustavo Pimenta destacou que a Vale “atingiu os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018” e cresceu também na produção de níquel. A empresa também conseguiu reduzir custos. O custo de caixa do minério de ferro caiu 2% e atingiu US$ 21,3 por tonelada em 2025, marcando o segundo ano consecutivo de redução de custos.

A empresa mantém seu compromisso com os acionistas. Anunciou o pagamento de US$ 1,8 bilhão em dividendos e juros sobre capital em março, além de uma remuneração extraordinária de US$ 1,0 bilhão paga em janeiro. O fluxo de caixa livre totalizou US$ 5,653 bilhões em 2025, um aumento de 3% ante 2024. Essa geração de caixa permitiu que a Vale reduzisse sua dívida e mantivesse os retornos aos acionistas mesmo com o resultado menor.

A mineradora também avançou em projetos estratégicos. Capanema, Vargem Grande e Onça Puma contribuíram para o crescimento da produção. A empresa segue apostando na eficiência operacional e na redução de custos para manter sua competitividade no mercado global. Para 2026, a Vale mantém o foco em iniciativas como o programa “Novo Carajás”, que deve impulsionar ainda mais a capacidade produtiva.