Correio de Carajás

Moradores do Magalhães bloqueiam ponte do Rio Tocantins contra reintegração de posse

Manifestantes classificam o ato como pedido de socorro e afirmam que pretendem manter a mobilização até obterem uma resposta das autoridades competentes sobre a situação do residencial

Moradores exigem permanecer em seus lotes no Residencial Magalhães e pedem por diálogo com as autoridades competentes/ Fotos: Josseli Carvalho
Por: Josseli Carvalho e Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 09/02/2026 13h53

Moradores do Residencial Magalhães, no núcleo São Félix, realizam um protesto nesta segunda-feira (9) contra a decisão judicial que determina a reintegração de posse da área ocupada. A manifestação inclui o bloqueio da rodovia BR-222 no trecho de acesso à ponte rodoferroviária do Rio Tocantins, sentido Nova Marabá, uma das principais vias de entrada e saída da cidade. A mobilização ocorre após os ocupantes terem sido oficialmente notificados, no sábado (7), que teriam 15 dias para desocupar voluntariamente os lotes.

O protesto começou por volta das 7 horas, com interdição total da pista nos dois sentidos, o que provocou um engarrafamento de grandes proporções em poucos minutos. Após as 8 horas, os organizadores passaram a liberar a passagem de veículos a cada 10 minutos. No local estão presentes equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, mas, segundo os manifestantes, nenhuma autoridade municipal, estadual ou federal compareceu para dialogar com o grupo até o momento.

Moradores do Magalhães bloqueiam ponte do Rio Tocantins contra reintegração de posse

Leia mais:

NOTIFICADOS

A notificação judicial foi realizada quando uma oficial de justiça da 2ª Vara Federal, acompanhada por agentes da Polícia Federal, policiais militares e guardas municipais, esteve no residencial para informar os moradores sobre a decisão. O processo, que tramita desde 2019, entrou agora em uma fase considerada decisiva, com a confirmação da reintegração de posse da área ao governo federal e a fixação do prazo para desocupação.

Um dos manifestantes, Francisco Santos da Silva, afirmou para a reportagem que os moradores não aceitam deixar o local. “A gente tá aqui hoje por causa da reintegração de posse. Nós não aceitamos a reintegração de posse e não queremos sair das nossas casas para aluguel social ou qualquer coisa desse tipo. O que a gente quer é ficar dentro da nossa residência”, diz. Francisco reforçou o pedido por intervenção das autoridades, declarando que os moradores querem permanecer nos lotes.

Francisco: “Nós não aceitamos a reintegração de posse e não queremos sair das nossas casas para aluguel social ou qualquer coisa desse

De acordo com o manifestante, centenas de famílias residem na área e estão diretamente ameaçadas pela desocupação. “No total passa de 400 famílias, porque tem muita gente que só tem o lote e não construiu com medo da reintegração de posse”, explica. Ele afirma ainda que a ocupação existe há mais de sete anos.

Os manifestantes classificam o bloqueio da rodovia como um pedido de socorro e afirmam que pretendem manter a mobilização até obterem uma resposta das autoridades competentes sobre a situação do residencial e o futuro das famílias que vivem no local.