Entrar em campo para um compromisso que vale uma taça já exige concentração e força mental de atletas e comissão técnica em situações normais. Agora, imagine fazer isso três dias depois de uma tragédia que vitimou um colega de trabalho e deixou outro em estado grave. Foi assim que o Águia entrou em campo contra o Remo pela Super Copa Grão Pará.
Mesmo assim, o Águia fez um jogo digno contra um time que está na elite do futebol brasileiro. Existem duas divisões entre o Leão e o Azulão: um está na Série A e outro na D. Mas, dentro de campo, não havia diferença, a não ser nos minutos finais, quando a profundidade do elenco do Remo venceu o jogo, como era de se esperar.
Mesmo assim, jogadores e comissão técnica do Águia foram campeões simplesmente pelo fato de entrarem em campo e deixarem tudo de si. Por isso mesmo, num dos gestos mais nobres que se viu no futebol até aqui, os jogadores do Remo entregaram suas medalhas de campeão para os atletas aguianos.
Leia mais:Não foi apenas uma demonstração de desapego aos bens; foi uma demonstração de que jogadores não são máquinas; são feitos de carne, osso, sentimento e respeito. Foi uma prova de que o futebol existe não pelo jogo em si, mas pelas pessoas.
Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
