📅 Publicado em 16/01/2026 12h07
Com ramificações em Marabá, a Polícia Civil paulista e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram nesta sexta-feira (16) a ‘Operação Serpens’, que resultou na prisão temporária de Layla Lima Ayub, delegada de polícia recém-empossada. Ela é suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e de uso indevido da função pública em benefício da facção criminosa. Na operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Marabá.
A reportagem do Correio de Carajás confirmou com Antonio Mororó, superintendente da Polícia Civil em Marabá, que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foi o responsável por cumprir os mandados de busca e apreensão na cidade paraense.
Essa ligação de Layla com Marabá remonta ao período em que ela atuou como advogada no município. Procurado pelo CORREIO, Rodrigo Botelho, presidente da Subseção da OAB em Marabá, comentou sobre a prisão. “Ela atuou aqui por cerca de um ano e foi embora há alguns meses. Além de advogar, era membro de comissão na OAB. Nós vimos a notícia da prisão dela hoje de manhã e fomos pegos de surpresa”, informou.
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Apesar de ter saído do município há alguns meses, Layla continuou representando clientes na região de Marabá.
Conforme noticiou o Estadão, segundo o Ministério Público, mesmo após assumir o cargo de delegada, ela teria exercido de forma irregular a advocacia. Um dos episódios citados na investigação ocorreu em 28 de dezembro, quando Layla teria participado de uma audiência de custódia, por videoconferência, na comarca de Marabá, para defender um preso apontado como integrante do PCC.
Esse tipo de conduta é proibido pelas normas que regem a função policial e o exercício da advocacia e, na avaliação de promotores, pode ter sido instrumentalizado para favorecer membros da facção criminosa, comprometendo a imparcialidade de procedimentos legais e fortalecendo a atuação do PCC dentro e fora do sistema penal.
Durante a operação, o namorado de Layla também foi preso temporariamente. Trata-se de Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado por autoridades como um dos líderes do tráfico de drogas e armas ligado ao PCC na Região Norte.
O envolvimento de Layla com a região sudeste do Pará também tem raízes em seu estado civil. Ainda que atualmente esteja namorando Jardel, ela é formalmente casada com um delegado da Polícia Civil que atua em Nova Ipixuna.
A reportagem do Correio de Carajás entrou em contato com ele, questionando se iria se pronunciar sobre a prisão de Layla, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
OUTROS CRIMES INVESTIGADOS
Ainda segundo o Estadão, além das condutas que podem caracterizar organização criminosa e uso indevido do cargo, o inquérito aponta suspeitas de lavagem de dinheiro. A investigação apurou que o casal teria adquirido uma padaria na zona leste de São Paulo utilizando recursos de origem ilícita em nome de terceiros, padrão típico de ocultação patrimonial e de movimentação financeira relacionada a esquemas criminosos. (Com informações do Estadão, G1, CNN e Agência Brasil)
