Correio de Carajás

Ex-diretora de hospital se entrega em Marabá suspeita de matar o namorado

Girlane é suspeita de assassinar o empresário Alexandre Araújo em dezembro de 2025
Por: Luciana Araújo

Girlane dos Santos Coelho, farmacêutica e ex-diretora do Hospital Municipal de Ourilândia do Norte, se apresentou na Delegacia de Polícia Civil de Marabá no fim da tarde de quinta-feira (8), acompanhada de uma advogada. Ela é a principal suspeita do assassinato do empresário Alexandre Araújo, ocorrido em 12 de dezembro de 2025, em Tucumã. Girlane estava foragida desde o dia 13 de dezembro, quando foi expedido o mandado de prisão preventiva contra ela.

Alexandre morreu após ser baleado na cabeça. Informações veiculadas em perfis no Instagram apontam a suspeita como ex-namorada da vítima. Detalhes sobre a dinâmica do homicídio e a motivação ainda estão sendo investigados.

Em entrevista à imprensa marabaense, Antônio Mororó, titular da 21ª Superintendência Urbana de Polícia Civil, deu mais informações sobre o caso. “Ela teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após investigações conduzidas pela Polícia Civil. Girlane era considerada foragida, mas se apresentou acompanhada de uma advogada na Delegacia de Marabá, onde o mandado de prisão preventiva foi devidamente cumprido”.

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A reportagem do Correio de Carajás não teve acesso à suspeita nem à sua advogada para ouvir seu pronunciamento sobre o caso. Em um vídeo publicado no perfil do Instagram @tucumamilgrau, após a apresentação de Girlane na delegacia, a mãe de Alexandre faz um apelo para que a Justiça seja feita.

“Eu preciso da ajuda de vocês para a gente fazer uma manifestação em frente ao Fórum, para manter essa mulher presa porque ela tirou a vida do meu filho”, apela, emocionada.

O CRIME

O caso ganhou grande repercussão na região sul do Pará, principalmente em Tucumã e Ourilândia do Norte, municípios onde ambos são bastante conhecidos. Conforme o portal Dol Carajás, à época do crime, Girlane ocupava o cargo de diretora do hospital de Ourilândia. Já Alexandre atuava no ramo da gastronomia, sendo proprietário de um restaurante bastante frequentado no município.

O homicídio ocorreu na Avenida Brasil, no centro de Tucumã. Alexandre Araújo foi baleado na cabeça e encontrado dentro de seu carro. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram a ser acionadas, mas o empresário já estava morto.

Alexandre Araújo era proprietário de um restaurante bastante conhecido em Ourilândia do Norte

Logo após o ocorrido, testemunhas relataram que duas mulheres foram vistas próximas ao veículo pedindo socorro. Uma delas foi identificada pelas autoridades como Girlane dos Santos Coelho, que, segundo as investigações iniciais, mantinha um relacionamento amoroso com Alexandre.

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a tratá-la como principal suspeita do homicídio. Com sua apresentação espontânea em Marabá, o inquérito deve avançar para a fase de oitivas e aprofundamento das investigações.

EM 2022

Em 10 de maio de 2022, um recém-nascido de 15 dias morreu após atendimento no Hospital Municipal Jadson Pesconi, em Ourilândia do Norte. Segundo relato da família ao jornal O Níquel, a criança foi levada à unidade de saúde com sintomas de resfriado, com o objetivo de obter encaminhamento pelo SUS. A família afirmou, à época, que o atendimento inicial foi realizado por Girlane dos Santos Coelho, então diretora do hospital. Técnica em enfermagem, ela teria dado seguimento aos procedimentos sem avaliação médica, além de o pedido de transferência para outra unidade não ter sido atendido.

De acordo com O Níquel, durante esse primeiro atendimento foram realizados procedimentos intravenosos no recém-nascido, que teria apresentado inchaço e hematomas no braço após a aplicação de soro. Nos dias seguintes, o bebê passou por aspiração e exames que, inicialmente, indicaram quadro estável. Com a piora do estado de saúde, a família relatou que foi solicitada a transferência para Belém, mas a ambulância não chegou no horário previsto. O óbito ocorreu na noite do dia 12, após o recém-nascido apresentar fraqueza e palidez.

Ainda segundo O Níquel, a família contestou a informação repassada por um profissional de enfermagem de que a causa da morte teria sido toxoplasmose, alegando que o pré-natal foi realizado sem diagnóstico da doença. O caso foi comunicado ao Ministério Público, que abriu procedimento para investigar possíveis irregularidades no atendimento. A reportagem informou que tentou contato com a direção do Hospital Municipal, ocupada por Girlane dos Santos Coelho, mas não obteve retorno até a publicação da notícia.

O Correio de Carajás não encontrou informações sobre o desdobramento desse caso. (Com informações de Evangelista Rocha e Polícia Civil)