A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) foi palco de um importante evento que reforça a busca por soluções inovadoras para o setor ferroviário: o I Simpósio ITV MI/Ferrovia 2025. O evento, realizado nesta quinta-feira (3) no miniauditório do Instituto de Geociências e Engenharias (IGE), no Campus II da universidade, localizado na Folha 17, Nova Marabá, reuniu pesquisadores, docentes e especialistas para debater Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) voltados à eficiência, segurança e sustentabilidade ferroviária.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre a universidade, o Instituto Federal do Pará (IFPA) e o Instituto Tecnológico Vale Mineração (ITV MI), sendo promovida pelo ITV.
Em conversa com a reportagem do CORREIO, José Elisandro, diretor-geral do Instituto de Geociências e Engenharias (IGE) da Unifesspa, frisa a parceria entre a universidade e a Vale, afirmando que ela representa uma oportunidade única para aproximar a pesquisa acadêmica das demandas reais da indústria.
Leia mais:“O simpósio é uma ação fundamental para consolidar essa aproximação. A indústria ferroviária enfrenta desafios significativos, e a ideia é que possamos contribuir com soluções inovadoras por meio do conhecimento científico e tecnológico”, explica o professor.

Quem faz coro a Elisandro é Danillo Araújo, analista de acordos do ITV. “Acreditamos que, ao unir esforços com a Unifesspa e o IFPA Marabá, potencializamos capacidades e recursos, gerando resultados positivos para o setor ferroviário, para a academia e para a comunidade”, afirma.
Durante a programação, ao longo desta quinta-feira, o simpósio incluiu debates sobre temas como instrumentos jurídicos para projetos de P&D, tribologia (estudo do atrito, desgaste e lubrificação), controle, robótica e automação, além da discussão sobre os desafios e oportunidades na Estrada de Ferro Carajás (EFC).
PARCERIA
Tanto Elisandro quanto Danillo comemoram a parceria entre a Unifesspa e a Vale, uma colaboração que remonta aos anos 2000, período em que a instituição de ensino ainda era um campus da Universidade Federal do Pará (UFPA). Naquele momento, a mineradora contribuiu para a criação dos primeiros cursos de Geologia e Engenharia em Marabá. Desde então, a colaboração se expandiu, abrangendo apoio a empresas juniores, projetos de pesquisa e novas iniciativas acadêmicas.
Segundo o diretor do IGE, um dos principais frutos dessa parceria é a criação do mestrado profissional em Tecnologias Inovadoras para Mineração (PIBT), aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O programa será desenvolvido em conjunto entre Unifesspa e o ITV, com foco na aplicação de novas tecnologias para o setor.
Além do mestrado, Elisandro cita como destaque o projeto mina-escola, voltado para os cursos de Geologia e Engenharia de Minas. Danillo ressalta que o acordo viabilizou o uso da mina Serra Leste, em Curionópolis, permitindo que os alunos vivenciem a realidade da mineração e desenvolvam pesquisas aplicadas.
“Queremos que nossos alunos tenham acesso a uma formação mais aplicada, vivenciando os desafios reais da indústria. Assim como a mina-escola, também estamos trabalhando para que a ferrovia possa ser um espaço de aprendizado para os cursos de Engenharia de Materiais, Engenharia de Minas, Engenharia Mecânica e Geologia”, explica Elisandro.
Danillo complementa: “Esses investimentos fortalecem a formação acadêmica e profissional dos estudantes e impulsionam o avanço científico e tecnológico na região, beneficiando a comunidade local e o meio ambiente”.
EDUCAÇÃO E PESQUISA
A Unifesspa tem se destacado na integração entre ensino e inovação, garantindo que seus alunos tenham acesso a uma formação aplicada e conectada ao mercado de trabalho. Projetos como a mina-escola e a proposta de transformar a ferrovia em um espaço de aprendizado para cursos de Engenharia reforçam esse compromisso.
Com o I Simpósio ITV MI/Ferrovia 2025, a universidade avança na consolidação dessa estratégia, promovendo um ambiente de cooperação entre academia e setor produtivo. A expectativa é que as discussões impulsionem novas pesquisas e soluções para otimizar o transporte ferroviário no Brasil.
(Luciana Araújo)