Correio de Carajás

7 de junho: Conheça um personagem relevante, mas esquecido na história de Marabá

Rara imagem do historiador Leônidas Duarte ao lado de sua inseparável bicicleta
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Você já ouviu falar em Francisco Coelho, Nagib Mutran, Antônio Maia, Antônio Vilhena, Augusto Dias, entre outros tantos que têm seus nomes dados a escolas, avenidas, ruas e travessas de Marabá. Mas há vários personagens importantes de nossa história que ficaram no esquecimento. Eles serão mencionados numa série especial que será publicada aqui no Portal Correio em 10 domingos, a partir de hoje.

E por falar em domingo, hoje, dia 7 de junho, faz 122 anos que Francisco Coelho chegou ao pontal do Cabelo Seco e construiu ali um comércio e lhe deu o nome de Marabá. É uma espécie de segundo aniversário de nossa cidade, que só ganhou o status de município 15 anos depois, em 5 de abril de 1913.

Os moradores do Bairro celebram a data em silêncio, contando seus mortos nas últimas semanas, levados pelo temido coronavírus. A mais recente vítima foi dona Osmandina, que faleceu neste sábado, 6, vítima da covid-19.

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Mas, voltemos ao nosso primeiro personagem esquecido. Ele não era marabaense, mas nasceu em Araguatins-TO, precisamente no dia 30 de setembro de 1890. Trata-se de Leônidas Gonçalves Duarte, um escritor e historiador por natureza (embora sem formação acadêmica), apesar de residir em uma região inóspita, não deixou de procurar o conhecimento. Estudou as primeiras letras na Escola Aníbal Mascarenhas, em Carolina-MA.

Veio para a Vila Marabá em 1909, quando começou, aos 19 anos de idade, a lecionar, além de manter uma atuação no comércio. Em 1913, casou-se com a jovem Prudenciana Costa, com quem teve dois filhos. Mas em 1925 ficou viúvo, e uma nova esposa só apareceu em 1933, atendendo pelo nome de Deroci Gomes Passarinho. Com ela, teve 14 filhos, 12 dos quais chegaram à fase adulta.

No início da década de 1920, Leônidas Duarte militava nas matas de Marabá como castanheiro, comprava a amêndoa e a revendia, numa época em que esta cultura extrativista era abundante e dava muito dinheiro.

Durante os anos de 1925 a 1929, dirigia a Escola Masculina de Marabá, ao lado do Senhorzinho Antônio Bastos Morbach e Arzuília de Souza Moita. Nesse período, paralelamente, escreveu para vários jornais, como “O Marabá”, “A Safra”. Na década de 1950, era colaborador da a Revista Itatocan. Em todos esses periódicos, Duarte publicou inúmeros artigos sobre a história de Marabá.

Foi um dos autores do livro Viagem ao Tocantins, que em sua versão original ficou denominado de “Pelo Tocantins Paraense”. Em 1970 foi publicado seu livro “De São Vicente a Araguatins: 100 anos de história”, impresso na Tipografia Íris, em Marabá. Nesta obra, faz muitas referências à Capital da Castanha, onde viveu por muitos anos. Para editar esse livro, o autor contou com ajuda financeira de sua filha dominicana, Irmã Celina Teresa.

Quando a 1ª Guerra Mundial se instalou, Leônidas Duarte deixou Marabá e foi trabalhar em garimpo de diamante, tendo residido em Jacundá e Itupiranga, onde atuou como agente administrativo.

Faleceu em 4 mês de setembro de 1971, com 80 anos de idade. Um ano depois, em junho de 1972, Antônio Bastos Morbach escreveu sobre nosso personagem “desconhecido” na Revista Itatocan: “Leônidas Duarte foi, nos muitos anos de sua existência terrena, um escafandrista paciente, mergulhando no passado em busca de histórias e estórias. Também foi um gravador dos acontecimentos do dia a dia do presente”.

UM TESOURO EM SEU ARQUIVO

E é depois de sua morte que nos surge um dos fatos que prova seu apego pela conservação da história Marabá. Leônidas Duarte era um memorialista apaixonado por documentos e, dois anos após seu falecimento, em 1973, a viúva, Deroci Gomes Passarinho, procurou o jovem vice-prefeito da época, Plínio Pinheiro Neto, e lhe apresentou uma relíquia.

A mulher contou que o marido guardava muitos documentos sobre a cidade, mas que não tinham aparente interesse para ela (há relatos orais de que ela tocou fogo em quase tudo). Um deles, todavia, lhe chamou a atenção. Era a Ata de Instalação do Município de Marabá, datada de 5 de abril de 1913.

Pelo livro, Deroci pediu 500 cruzeiros e a compra foi efetivada. Anos depois, quando Haroldo Bezerra era prefeito de Marabá, Plínio Pinheiro conta que fez a doação do livro à Casa da Cultura, onde está guardado até hoje em um cofre, “sob sete chaves”. O livro está desgastado, mas foram feitas cópias em PDF e qualquer interessado pode ter acesso ao documento em forma de pesquisa.

Imagem da capa da Ata de Instalação do Município de Marabá, datada de 1913, com assinatura de vários cidadãos que prestigiaram aquele momento solene.

Praticamente todos os anos surgem bairros novos em Marabá. Seria importante que o Conselho do Plano Diretor Municipal condicionasse a implantação de residenciais, entre outras coisas, a nomear ruas e outros logradouros públicos com nomes de personagens da história de Marabá, desde que aprovados antecipadamente pela Câmara Municipal, em forma de Decreto Legislativo.

CONTA AÍ, DONA ISAURA!

Dona Isaura Duarte Soares, irmã de Leônidas Duarte, testemunhou em entrevista realizada em 30 de maio de 1989 que ele “morou muito tempo aqui em Marabá. Esse sabia muito, toda coisinha que acontecia na cidade ele tomava nota”.

Em outro trecho, ela enche o mano de elogios: “O Leônidas era um sujeito muito inteligente, como nunca vi. Ele aprendeu no interior, nessas aulinhas, mas depois passou a perna nos sabidos”. (Ulisses Pompeu)

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