Correio de Carajás

5G é realidade só para 25% dos marabaenses

Tecnologia avança no município, mas 4G (mais lenta) ainda atende a maioria da população

Em novembro do ano passado, apenas 25% da população marabaense tinha acesso à internet 5G (Foto: Freepik)
Por: Milla Andrade

A expansão da tecnologia 5G avança no Pará. Em Marabá, até novembro de 2025, a tecnologia atendia 25,4% da população marabaense, enquanto a maioria, 62,2%, utilizava o 4G. Dados levantados a partir da cobertura das operadoras mostram que aproximadamente 353.393 pessoas já utilizavam a nova geração de internet móvel no município. Segundo o levantamento, outros 9% utilizavam 2G e 3,4% utilizavam 3G.

Entre os municípios analisados pela reportagem do CORREIO, Belém aparece na liderança da cobertura 5G, seguida por Parauapebas e Marabá. Apesar do crescimento da inovação, a rede 4G ainda continua sendo a mais utilizada, concentrando a maior parte dos usuários.

No levantamento realizado pelo Correio de Carajás junto à Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), os números revelam que a Capital possui o maior percentual de usuários atendidos pelo 5G entre as cinco cidades pesquisadas, correspondendo a 28,5%. Na sequência aparecem Parauapebas, Marabá, Castanhal e Santarém, consolidando esses municípios como referências na implantação da tecnologia no interior do estado.

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Ao mesmo tempo, Parauapebas e Marabá mantêm grande participação no número de usuários, embora o percentual de utilização do 5G ainda seja inferior ao registrado em Belém.

Rede 4G ainda é predominante

Mesmo com o avanço da quinta geração de internet móvel, a reportagem chegou à conclusão de que a cobertura 4G continua predominante em todos os municípios analisados.

Em Marabá, por exemplo, aproximadamente 62,2% da população ainda utiliza a rede 4G, enquanto cerca de 25,4% já está conectada ao 5G. O restante se divide entre as tecnologias 2G (9,0%) e 3G (3,4%). O número é bem maior que o registrado na capital, que utilizava 60,7%.

Os dados também apontam a distribuição das tecnologias móveis: em Parauapebas, o 4G chegou a 65,2%, Santarém, 67%, Castanhal, 69,9% e Belém, 60,7%.

O levantamento também revelou os números de usuários de internet móvel por município e apresentou a estimativa de usuários nas cidades pesquisadas: Belém (1.925.366), Santarém (424.249), Marabá (353.393), Parauapebas (340.637) e Castanhal (229.171).

Gráfico mostra operadoras e número de acessos em 4G e 5G pelos marabaenses

Crescimento da tecnologia de quinta geração

Desde a sua implantação, o 5G representa um avanço na infraestrutura de telecomunicações do Pará, oferecendo maior velocidade de conexão, menor tempo de resposta e melhor desempenho para serviços digitais. Apesar disso, o 4G segue como a principal tecnologia utilizada pela população, reflexo da ampla cobertura consolidada nos municípios e da expansão gradual da nova rede.

Embora represente um avanço em relação aos primeiros anos de introdução, o Pará possui apenas 57 municípios com cobertura de quinta geração. Segundo a pesquisa, o número ainda está distante do total de municípios paraenses e representa apenas 39%.

Os dados também revelam a distribuição das estações ativas por operadora no estado. No total, até dezembro, o Pará somava 1.572 antenas 5G, sendo a Vivo a líder, com 589 estações, seguida pela TIM (523) e pela Claro (458). A Sercomtel aparece com apenas duas estações registradas.

Em Marabá, até novembro do ano passado, 48,4% dos usuários preferiam acessar pela Vivo, seguida pela Claro (27,9%), TIM (16,25%), Datora (5,0%) e Suf Telecom (2,4%). Em Belém, 38,9% preferiam a Claro, seguida pela TIM (34,1%) e pela Vivo (22,3%).

O que dizem os dados de TV por assinatura e telefonia fixa?

Os registros também revelam que Belém concentra o maior número de acessos à TV por assinatura entre os municípios analisados, com 37.062 acessos. A capital apresenta densidade de 2,7 acessos para cada 100 habitantes, índice 68,8% superior à média do Pará, de 1,6 acesso por 100 habitantes, mas 25% inferior à média nacional, que é de 3,6.

Na sequência aparece Parauapebas, com registro de 2.349 acessos. O desempenho do município é 50% inferior à média estadual e 77,8% abaixo da média brasileira. No ranking, ocupa a 103ª posição entre os 144 municípios paraenses e a 4.119ª colocação entre os 5.570 municípios brasileiros.

Em Santarém, foram registrados 1.585 acessos ao serviço. A densidade é de 0,4 acesso para cada 100 habitantes, valor 75% menor que a média do Pará e 88,9% inferior à média nacional, refletindo a baixa penetração da TV por assinatura no município.

Entre as cidades analisadas, Marabá registrou 824 acessos de TV por assinatura, um total de 81,2% abaixo da média do Pará e 91,7% inferior à média do Brasil. Assim como em outros municípios do interior, o mercado de TV por assinatura tradicional continua em retração diante do avanço das plataformas digitais.

Castanhal contabilizou 692 acessos de TV por assinatura. A cidade também apresenta densidade de 0,3 acesso para cada 100 habitantes, índice 81,2% inferior à média estadual e 91,7% abaixo da média brasileira, evidenciando a preferência crescente dos consumidores por serviços de streaming.

Em relação à telefonia fixa, Marabá contabiliza 14.532 acessos. O município ocupa a 14ª posição entre os 144 municípios paraenses que mais utilizam o serviço no Pará. Apesar da boa colocação estadual, o indicador permanece abaixo da média brasileira de 9,5 acessos, sendo 47,4% inferior, demonstrando que o serviço vem perdendo espaço para a telefonia móvel e para as soluções de comunicação via internet.

Já Parauapebas registra 3.477 acessos de telefonia fixa, com densidade de 1,3 acesso para cada 100 habitantes. O índice está 62,5% abaixo da média do Pará, de 3,2 acessos por 100 habitantes, e 87,4% inferior à média nacional, de 9,5 acessos por 100 habitantes. Os números mostram uma baixa adesão ao serviço no município, acompanhando a tendência de substituição da telefonia fixa pelo uso de celulares e aplicativos de comunicação.

Telefonia móvel mantém trajetória de crescimento em Parauapebas

Parauapebas também apresenta uma trajetória de expansão no número de acessos à telefonia móvel. Em 2019, o município registrava 186.785 acessos. O número subiu para 215.601 em 2020 e continuou avançando em 2021, quando chegou a 331.021 acessos. Em 2022, houve uma pequena retração, para 330.469, seguida de nova queda em 2023, quando foram contabilizados 330.749 acessos.

A recuperação voltou a aparecer em 2024, com 334.636 acessos, e prosseguiu em 2025, quando Parauapebas alcançou 340.637 acessos de telefonia móvel. O movimento mostra que, apesar de oscilações ao longo dos anos, a comunicação móvel permanece fortemente presente no município.

Em Marabá, o cenário acompanha a expansão observada em Parauapebas. Em dezembro de 2025, o município registrava 353.393 acessos de telefonia móvel, número superior ao de Parauapebas no mesmo período, que chegou a 340.637. A diferença é de aproximadamente 12,7 mil acessos. Os dados colocam Marabá entre os principais mercados de telefonia móvel do interior paraense e reforçam a importância do município como polo regional de serviços e conectividade.

Gráfico mostra a evolução dos acessos de telefonia móvel dos municípios de Marabá e Parauapebas

Banda larga ganha espaço e inovação

Na banda larga fixa, os números também mostram diferenças importantes entre os municípios analisados. Belém aparece com ampla vantagem, registrando 309.763 acessos.

Entre as cidades do interior, Parauapebas apresenta 44.041 acessos, seguida por Castanhal (31.017), Marabá (30.546) e Santarém, com 29.555 acessos. A distribuição evidencia a concentração da infraestrutura de internet fixa na capital, enquanto os principais municípios do interior apresentam mercados menores, mas com presença significativa do serviço.

Em Marabá, são 30.546 acessos de banda larga fixa, número que coloca o município próximo de Castanhal e Santarém no levantamento. O resultado mostra que, além da expansão da telefonia móvel e da chegada de tecnologias mais recentes, como o 5G, o acesso por conexões fixas continua desempenhando papel importante na conectividade da população e das empresas.

Parauapebas apresenta o maior número de acessos de banda larga fixa entre os municípios do interior considerados na pesquisa. O resultado supera Marabá em 13.495 acessos e, também, fica acima dos números registrados por Castanhal e Santarém. O desempenho acompanha a posição do município como um dos principais centros econômicos do Pará e demonstra a demanda por conexões fixas para residências, empresas e atividades que dependem de acesso constante à internet.

Cobertura domiciliar de net ainda apresenta diferenças

Os dados de cobertura também revelam desigualdades entre os municípios. Em dezembro de 2025, Belém apresentava cobertura domiciliar de 99,0%, enquanto Castanhal registrava 95,5%. Parauapebas aparecia com 93,3%, Marabá com 91,0% e Santarém com 83,8%. A diferença entre a capital e Santarém chega a 15,2 pontos percentuais, mostrando que, apesar do avanço da conectividade, a distribuição da infraestrutura ainda não é uniforme entre os municípios paraenses.

Os diferentes indicadores mostram que a expansão da conectividade no Pará ocorre em várias frentes. O 5G avança, com Belém seguida por Parauapebas, Marabá, Santarém e Castanhal. A telefonia móvel mantém números elevados, e a banda larga fixa amplia sua presença, especialmente nos maiores centros urbanos. Ao mesmo tempo, as diferenças na cobertura domiciliar e na quantidade de acessos revelam que o desafio não está apenas em ampliar a oferta de tecnologia, mas também em garantir que ela chegue de maneira mais equilibrada à população.

Os dados revelam que a transformação digital já faz parte da rotina dos paraenses, mas ainda ocorre em ritmos diferentes entre os municípios. Enquanto Belém concentra a maior infraestrutura e o maior número de acessos, cidades como Marabá, Parauapebas, Castanhal e Santarém avançam na expansão da telefonia, da banda larga e das novas tecnologias móveis.

O crescimento do 5G, a manutenção da telefonia móvel em patamares elevados e a ampliação da conectividade fixa apontam para um estado cada vez mais conectado. O desafio, agora, é transformar essa expansão em acesso de qualidade e mais equilibrado, garantindo que os benefícios da tecnologia alcancem também as diferentes regiões e parcelas da população paraense.