Correio de Carajás

Polícia Civil de Marabá prende suspeito de lavar dinheiro

Associação criminosa movimentou cerca de R$ 150 milhões em pouco mais de um ano

Na última terça-feira (12), a segunda fase da operação “Apáte II” prendeu em Imperatriz (Maranhão) um dos três sócios de empresas relacionadas a jogos e apostas esportivas investigadas. Os outros dois foram presos em Belém, capital do Pará. As investigações indicam que o grupo lavava dinheiro do tráfico de drogas por meio de empresas e associações de fachada. De acordo com informações da Polícia Civil, em pouco mais de um ano eles teriam movimentado cerca de R$ 150 milhões.

Márcio Maio, delegado da PC em Marabá, em entrevista ao CORREIO, explicou que policiais civis da cidade foram convidados pela delegacia de Belém a participarem da operação. Ele reitera a informação de que o dinheiro que estava sendo lavado nas empresas fantasmas pode ser originário do tráfico de drogas em outros estados.

Delegado Márcio Maio liderou a equipe responsável pela prisão

Para os agentes da PC que atuam em Marabá foi dada a missão de prender Fábio José Hipólito Ferreira, em Imperatriz. Com pouca (ou nenhuma) informação sobre o suspeito, a equipe realizou uma série de buscas pela cidade até que, por volta de 11 horas de terça-feira, encontraram Fábio em uma oficina mecânica, consertando o carro para retornar à Belém.

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“Foi dada voz de prisão e ele foi encaminhado ao sistema penal do Maranhão, depois será feito o recambiamento para Belém”, explica o delegado. O carro de luxo do suspeito foi apreendido e está sob tutela das autoridades marabaenses.

A operação conjunta envolveu 36 policiais integrantes da Diretoria Estadual de Combate à Corrupção (DECOR), Núcleo de Inteligência Policial (NIP), Diretoria de Polícia do Interior (DPI), além de equipes da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Belém; quatro em Ribeirão Preto, em São Paulo; e dois em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Ana Paula Mattos, delega responsável pelas investigações, explicou que a mira da operação (que iniciou em 2020) é um “complexo sistema de lavagem de dinheiro” nos estados do Pará, atuando nas cidades de Tailândia e Belém, além de São Paulo e Rio Grande do Sul.

“A segunda fase da operação visa investigar a conduta de grupo financeiro que supostamente recebe dinheiro proveniente do tráfico de drogas de outros estados”, diz a delegada.

LAVAGEM

Ainda segundo Mattos, os valores apreendidos durante a operação eram utilizados para compor empresas de fachada e fantasmas, tendo seus proprietários diretamente ligados à lavagem de dinheiro. De acordo com nota da polícia, os inquéritos indicam que a associação criminosa é composta por três sócios majoritários e cinco empresas. “O grupo teria movimentado, em pouco mais de um ano, um valor estimado em R$ 150 milhões. A apuração policial também identificou que o grupo atua na exploração de jogos e apostas esportivas”, pontuou a nota.

No Pará, a PC informou que as investigações vão continuar a fim de levantar mais informações sobre a atuação do grupo, e, possivelmente, identificar outras pessoas envolvidas.

PRIMEIRA ETAPA

A primeira etapa da Operação Apáte aconteceu em dezembro de 2020. Um homem foi preso durante uma ação de combate à lavagem de dinheiro no município de Tailândia, nordeste do Pará. Na época, a Polícia Civil cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em residências da cidade.

As investigações assinalaram que o suspeito, que respondia em liberdade provisória pelo crime de tráfico de drogas, teria movimentando R$ 3 milhões nos últimos dois anos. O dinheiro tinha origem em um esquema de lavagem de dinheiro.

Através dos mandados, a polícia obteve os dados que comprovaram que a movimentação financeira do homem era proveniente de atividades ilícitas. Celulares, documentos e uma quantia em dinheiro também foram apreendidos. Na mitologia grega, “Apáte” era um espírito que personificava o engano, o dolo e a fraude. (Luciana Araújo com informações de Evangelista Rocha e O Liberal)

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