Correio de Carajás

Invasão e queimada às margens do rio

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Há aproximadamente uma semana, dezenas de pessoas ocuparam um terreno às margens do Rio Tocantins, no Núcleo São Félix, ao lado direito da ponte rodoferroviária.  O fotógrafo Jordão Nunes flagrou focos de queimada na área durante o último domingo (27), com imagens do fogo destruindo parte da mata ciliar, a vegetação que é de preservação permanente e está localizada às margens de rios, nascentes, lagos e represas com a finalidade de proteger o solo e a água, evitando erosão, assoreamento e a poluição.

A promotora de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo de Marabá, Josélia Leontina de Barros Lopes, procurada pela Reportagem do Correio, informou que vai determinar a apuração da denúncia. Na tarde de hoje, segunda-feira (28), a Reportagem esteve na área, onde se deparou com várias famílias sem teto.

Um dos ocupantes, Denis Cardoso da Silva, alegou que as famílias não têm imóveis onde morar e que a maior parte das pessoas está desempregada. João Vitor Ferreira, por exemplo, está no local com a esposa e os filhos e diz que até o momento nenhum dos ocupantes foi procurado pelos quatro herdeiros do terreno, uma vez que a proprietária, identificada como Raimunda, faleceu há cinco anos.

Leia mais:

Vicente da Silva informou que a ocupação tomou corpo no último dia 20, um domingo, quando as famílias começaram a entrar na área, que já está sendo dividida em lotes. Ele diz não ter casa própria e viver de aluguel com a esposa e sete crianças. “Até agora nenhuma autoridade procurou a gente. Estamos na fé de conseguir um espaço”.

Júnior Sousa Santos é natural de São Luís, no Maranhão, e há um ano mora no Núcleo São Félix, de aluguel em aluguel e sem emprego. “Já cortei meu pedaço (de terra). Acho que tem umas 500 famílias aqui. Muitos desempregados e gente sem casa própria, tem gente aí no meio que ‘tá’ pegando pra vender, mas muitos vão morar mesmo”, afirma.

Ele faz uma crítica à desigualdade social, que afirma empurras as pessoas para esse tipo de situação. “O problema é que tem muita gente gananciosa, muita gente tem dois ou três terrenos enquanto muita gente não tem onde morar e está desempregada. Muitos têm e não se libera para os outros. Aqui nem limpeza estavam fazendo, estava tudo cheio de mato. Aí a luta começa. A gente entra e limpa”.

Sobre a possibilidade de estar havendo comercialização de terrenos no local, ele afirma que o grupo atua para impedir que isso aconteça. “A gente tá botando em cima para não ter gente vendendo vaga e lote aqui. Estamos cuidando para ficar só as famílias aqui, queremos o morador que vive de aluguel para morar nesta área”, finalizou. (Luciana Marschall e Ulisses Pompeu com informações de Josseli Carvalho)

 

Há aproximadamente uma semana, dezenas de pessoas ocuparam um terreno às margens do Rio Tocantins, no Núcleo São Félix, ao lado direito da ponte rodoferroviária.  O fotógrafo Jordão Nunes flagrou focos de queimada na área durante o último domingo (27), com imagens do fogo destruindo parte da mata ciliar, a vegetação que é de preservação permanente e está localizada às margens de rios, nascentes, lagos e represas com a finalidade de proteger o solo e a água, evitando erosão, assoreamento e a poluição.

A promotora de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo de Marabá, Josélia Leontina de Barros Lopes, procurada pela Reportagem do Correio, informou que vai determinar a apuração da denúncia. Na tarde de hoje, segunda-feira (28), a Reportagem esteve na área, onde se deparou com várias famílias sem teto.

Um dos ocupantes, Denis Cardoso da Silva, alegou que as famílias não têm imóveis onde morar e que a maior parte das pessoas está desempregada. João Vitor Ferreira, por exemplo, está no local com a esposa e os filhos e diz que até o momento nenhum dos ocupantes foi procurado pelos quatro herdeiros do terreno, uma vez que a proprietária, identificada como Raimunda, faleceu há cinco anos.

Vicente da Silva informou que a ocupação tomou corpo no último dia 20, um domingo, quando as famílias começaram a entrar na área, que já está sendo dividida em lotes. Ele diz não ter casa própria e viver de aluguel com a esposa e sete crianças. “Até agora nenhuma autoridade procurou a gente. Estamos na fé de conseguir um espaço”.

Júnior Sousa Santos é natural de São Luís, no Maranhão, e há um ano mora no Núcleo São Félix, de aluguel em aluguel e sem emprego. “Já cortei meu pedaço (de terra). Acho que tem umas 500 famílias aqui. Muitos desempregados e gente sem casa própria, tem gente aí no meio que ‘tá’ pegando pra vender, mas muitos vão morar mesmo”, afirma.

Ele faz uma crítica à desigualdade social, que afirma empurras as pessoas para esse tipo de situação. “O problema é que tem muita gente gananciosa, muita gente tem dois ou três terrenos enquanto muita gente não tem onde morar e está desempregada. Muitos têm e não se libera para os outros. Aqui nem limpeza estavam fazendo, estava tudo cheio de mato. Aí a luta começa. A gente entra e limpa”.

Sobre a possibilidade de estar havendo comercialização de terrenos no local, ele afirma que o grupo atua para impedir que isso aconteça. “A gente tá botando em cima para não ter gente vendendo vaga e lote aqui. Estamos cuidando para ficar só as famílias aqui, queremos o morador que vive de aluguel para morar nesta área”, finalizou. (Luciana Marschall e Ulisses Pompeu com informações de Josseli Carvalho)

 

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