Correio de Carajás

Do pé à mesa, o melhor açaí

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Base alimentar do paraense, o açaí ganhou o mercado nacional e também o paladar de quem foi conquistado pelo sabor peculiar do fruto em outras partes do mundo, que tem inúmeros benefícios para a saúde e já é bastante usado na indústria de cosméticos. Essa expansão de fronteiras fez com que a extração e processamento do açaí se tornasse fonte de renda para comunidades inteiras, como é o caso da Vila Horebe, uma localidade na zona rural de Parauapebas, distante 45 quilômetros do centro da cidade.

Os cuidados com a higiene, desde a coleta até o processamento, fizeram do açaí produzido na localidade o melhor de Parauapebas. Toda produção é comercializada sob encomenda no Núcleo Urbano de Carajás. Mas o projeto visa também o mercado da cidade e de outras cidades do País.

A ideia de produzir açaí tipo exportação foi da empresária Felicidade Oliveira de Vasconcelos, que há 18 anos adquiriu uma propriedade no lugar, localizada às margens da Vicinal 5, que pertencia a Vila Paulo Fonteles.

Leia mais:

O projeto ganhou força com a criação da Associação de Moradores local, que decidiu se emancipar da Paulo Fonteles e seguir vida própria, passando a se chamar Vila Horebe. Contando com o apoio da Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror), que no início do ano começou a dar suporte aos colonos da localidade na organização em grupos produtivos.

Oferecendo assistência técnica, capacitação e transporte para a escoação agrícola, a extração e processamento do açaí ganhou força e hoje gera renda aos coletores e as pessoas que ajudam no processamento do fruto, que passa por um processo rigoroso de higienização, até ser batido e embalado para consumo.

Para ter um produto de alta qualidade, a empresária investiu em maquinários e na construção de um sistema de água, que passa por todo um processo de purificação, chegando a torneira com mais qualidade que água mineral. O fruto ainda é coletado no modelo antigo, com apanhador subindo no pé do açaizeiro com a peconha, espécie de apoio, feito com a própria folha do açaí, que é preso aos pés e facilita a subida e descida ´do apanhador.

Coleta e processamento

Os cachos são retirados, um a um e trazidos ao solo, onde é feita retirada dos frutos em uma lona. Depois de uma previa seleção do fruto, separando os que já estão secos ou estragados, o açaí é colocado em saca ou paneiro e levado para a central de beneficiamento.

Ao chegar no local, o fruto é colocado em uma esteira, onde os caroços passam por um novo processo de seleção, separando as impurezas que ainda vem e possíveis insetos, como é o caso do barbeiro, que parasita o fruto e causa a doença de chagas. Depois é lavado três vezes com água misturada com hipoclorito.

Em seguida o fruto é colocado em uma máquina para o branqueamento, a uma temperatura de 80 graus, podendo chegar a 120 graus. Depois o fruto é colocado em água gelada. Esse choque térmico deixa o fruto no ponto para o processamento, feito na máquina descaroçadora.

Assim que sai da máquina, o sumo ou vinho do açaí é logo embalado e colocado no freezer para manter o sabor fresco.  O segredo do açaí de ótima qualidade na vila Horebe está no ponto. Lá só é produzido o tipo papa e médio. Como é só fruto selecionado e feito com água de ótima qualidade, o sabor é único.

Começo

Feliz com o resultado do trabalho, que envolve a coletividade, Felicidade lembra que começou sua produção distribuindo o produto gratuitamente aos amigos e moradores da própria vila. Foram esses consumidores que a incentivaram a colocar o produto para a venda, por ser de ótima qualidade.

“Eu fico muito feliz de ver nossa produção ganhando mercado e ajudando essa comunidade”, diz empresária, com um largo sorriso nos lábios, lembrando que o que a motivou a investir na vila, foi o desejo de ajudar as pessoas. “O agradecimento sincero e o sorriso daqueles que a gente ajuda, não tem preço. É o que me motiva a está aqui e vou, com a graça de Deus, ajudar com outros projetos esta comunidade”, planeja.

Maracujá e cupuaçu também estão nos planos de expansão

O presidente da Associação de Moradores da Vila Horebe (APH), Cássio Olair Ribeiro, destaca o trabalho com o beneficiamento do açaí e diz que é meta trabalhar outras culturas, como deve ser em breve a produção em grande escala de cupuaçu e maracujá, com mercado já garantido para uma multinacional de fabricação de cosméticos.

Paralelo aos projetos de produção agrícola, para fomentar a economia da Vila, também será trabalhada a parte social e busca por infraestrutura como estradas, postos de saúde e escolas. Ele destaca que na comunidade ainda tem muita gente analfabeta e é importante que seja implantado no local a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Essas demandas já estão em debate com o governo municipal, que tem dado aporte a comunidade, como está sendo o caso da Secretaria de Produção Rural, com assistência técnica para os projetos agrícolas a serem implantados na localidade. Ele lembra que a comunidade tem mais de 20 anos e agora, na atual gestão, vem recebendo o apoio em infraestrutura.

Uma das metas também é investir em comunicação para a vila, que ainda não tem sinal de telefone móvel. “Vamos lutar para termos serviço de internet, que vai ajudar muito a comunidade na divulgação das suas ações”, acredita.

Açaí irrigado

Toda produção de açaí da Vila Horebe é nativa. Retiradas dos varjões da área. Por isso, como no resto da Amazônia, passa pelo período de entressafra que, no caso desta região, começa agora a partir do mês de setembro.

Para suprir a produção do mercado o ano todo, a associação, em parceria com a Secretaria de Produção Rural, vai começar ainda este ano o projeto de plantio irrigado do fruto. Nesse sistema, o açaí começa a produzir com dois anos, segundo os técnicos da Sempror.

Com isso, a meta é que a partir de 2019 a Vila Horebe já comece a processar a safra colhida pelo sistema irrigado. Segundo Felicidade, do açaí tudo se aproveita. A associação já tem encomenda da semente processada e do cacho do açaí para trabalhos artesanais. Antes de se descobrir a versatilidade do fruto, esse material era jogado fora ou servia de adubo.

Outra grande novidade é o café de açaí, feito da semente torrada. Esse ainda é um projeto experimental, mas que já agrada os produtores. O café do açaí, se ganhar o mercado, vai ser mais um derivado do açaí entre tantos que já existem, o que torna a fruta o verdadeiro outro negro da Amazônia.

(Tina Santos)

 

Base alimentar do paraense, o açaí ganhou o mercado nacional e também o paladar de quem foi conquistado pelo sabor peculiar do fruto em outras partes do mundo, que tem inúmeros benefícios para a saúde e já é bastante usado na indústria de cosméticos. Essa expansão de fronteiras fez com que a extração e processamento do açaí se tornasse fonte de renda para comunidades inteiras, como é o caso da Vila Horebe, uma localidade na zona rural de Parauapebas, distante 45 quilômetros do centro da cidade.

Os cuidados com a higiene, desde a coleta até o processamento, fizeram do açaí produzido na localidade o melhor de Parauapebas. Toda produção é comercializada sob encomenda no Núcleo Urbano de Carajás. Mas o projeto visa também o mercado da cidade e de outras cidades do País.

A ideia de produzir açaí tipo exportação foi da empresária Felicidade Oliveira de Vasconcelos, que há 18 anos adquiriu uma propriedade no lugar, localizada às margens da Vicinal 5, que pertencia a Vila Paulo Fonteles.

O projeto ganhou força com a criação da Associação de Moradores local, que decidiu se emancipar da Paulo Fonteles e seguir vida própria, passando a se chamar Vila Horebe. Contando com o apoio da Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror), que no início do ano começou a dar suporte aos colonos da localidade na organização em grupos produtivos.

Oferecendo assistência técnica, capacitação e transporte para a escoação agrícola, a extração e processamento do açaí ganhou força e hoje gera renda aos coletores e as pessoas que ajudam no processamento do fruto, que passa por um processo rigoroso de higienização, até ser batido e embalado para consumo.

Para ter um produto de alta qualidade, a empresária investiu em maquinários e na construção de um sistema de água, que passa por todo um processo de purificação, chegando a torneira com mais qualidade que água mineral. O fruto ainda é coletado no modelo antigo, com apanhador subindo no pé do açaizeiro com a peconha, espécie de apoio, feito com a própria folha do açaí, que é preso aos pés e facilita a subida e descida ´do apanhador.

Coleta e processamento

Os cachos são retirados, um a um e trazidos ao solo, onde é feita retirada dos frutos em uma lona. Depois de uma previa seleção do fruto, separando os que já estão secos ou estragados, o açaí é colocado em saca ou paneiro e levado para a central de beneficiamento.

Ao chegar no local, o fruto é colocado em uma esteira, onde os caroços passam por um novo processo de seleção, separando as impurezas que ainda vem e possíveis insetos, como é o caso do barbeiro, que parasita o fruto e causa a doença de chagas. Depois é lavado três vezes com água misturada com hipoclorito.

Em seguida o fruto é colocado em uma máquina para o branqueamento, a uma temperatura de 80 graus, podendo chegar a 120 graus. Depois o fruto é colocado em água gelada. Esse choque térmico deixa o fruto no ponto para o processamento, feito na máquina descaroçadora.

Assim que sai da máquina, o sumo ou vinho do açaí é logo embalado e colocado no freezer para manter o sabor fresco.  O segredo do açaí de ótima qualidade na vila Horebe está no ponto. Lá só é produzido o tipo papa e médio. Como é só fruto selecionado e feito com água de ótima qualidade, o sabor é único.

Começo

Feliz com o resultado do trabalho, que envolve a coletividade, Felicidade lembra que começou sua produção distribuindo o produto gratuitamente aos amigos e moradores da própria vila. Foram esses consumidores que a incentivaram a colocar o produto para a venda, por ser de ótima qualidade.

“Eu fico muito feliz de ver nossa produção ganhando mercado e ajudando essa comunidade”, diz empresária, com um largo sorriso nos lábios, lembrando que o que a motivou a investir na vila, foi o desejo de ajudar as pessoas. “O agradecimento sincero e o sorriso daqueles que a gente ajuda, não tem preço. É o que me motiva a está aqui e vou, com a graça de Deus, ajudar com outros projetos esta comunidade”, planeja.

Maracujá e cupuaçu também estão nos planos de expansão

O presidente da Associação de Moradores da Vila Horebe (APH), Cássio Olair Ribeiro, destaca o trabalho com o beneficiamento do açaí e diz que é meta trabalhar outras culturas, como deve ser em breve a produção em grande escala de cupuaçu e maracujá, com mercado já garantido para uma multinacional de fabricação de cosméticos.

Paralelo aos projetos de produção agrícola, para fomentar a economia da Vila, também será trabalhada a parte social e busca por infraestrutura como estradas, postos de saúde e escolas. Ele destaca que na comunidade ainda tem muita gente analfabeta e é importante que seja implantado no local a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Essas demandas já estão em debate com o governo municipal, que tem dado aporte a comunidade, como está sendo o caso da Secretaria de Produção Rural, com assistência técnica para os projetos agrícolas a serem implantados na localidade. Ele lembra que a comunidade tem mais de 20 anos e agora, na atual gestão, vem recebendo o apoio em infraestrutura.

Uma das metas também é investir em comunicação para a vila, que ainda não tem sinal de telefone móvel. “Vamos lutar para termos serviço de internet, que vai ajudar muito a comunidade na divulgação das suas ações”, acredita.

Açaí irrigado

Toda produção de açaí da Vila Horebe é nativa. Retiradas dos varjões da área. Por isso, como no resto da Amazônia, passa pelo período de entressafra que, no caso desta região, começa agora a partir do mês de setembro.

Para suprir a produção do mercado o ano todo, a associação, em parceria com a Secretaria de Produção Rural, vai começar ainda este ano o projeto de plantio irrigado do fruto. Nesse sistema, o açaí começa a produzir com dois anos, segundo os técnicos da Sempror.

Com isso, a meta é que a partir de 2019 a Vila Horebe já comece a processar a safra colhida pelo sistema irrigado. Segundo Felicidade, do açaí tudo se aproveita. A associação já tem encomenda da semente processada e do cacho do açaí para trabalhos artesanais. Antes de se descobrir a versatilidade do fruto, esse material era jogado fora ou servia de adubo.

Outra grande novidade é o café de açaí, feito da semente torrada. Esse ainda é um projeto experimental, mas que já agrada os produtores. O café do açaí, se ganhar o mercado, vai ser mais um derivado do açaí entre tantos que já existem, o que torna a fruta o verdadeiro outro negro da Amazônia.

(Tina Santos)

 

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