– Com o bom resultado de agosto, no acumulado de oito meses do ano o mercado brasileiro consumiu 1,63 milhão de veículos de passageiros, comerciais leves, caminhões e ônibus

A venda de 248,6 mil veículos em agosto, melhor resultado mensal do mercado brasileiro desde janeiro de 2015, surpreendeu os dirigentes da indústria, que projetavam ritmo menor de crescimento do mercado no segundo semestre de 2018. A Anfavea, associação que reúne os fabricantes instalados no País, projeta expansão das vendas de veículos no País este ano em torno de 11%, mas já há alguns meses o número se coloca mais perto de 14% a 15%.

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Para Antonio Megale, presidente da entidade, três fatores sustentam a alta acima do esperado: o ciclo natural de troca do carro usado pelo novo (em torno de três a cinco anos), maior disponibilidade de crédito e as novas tecnologias dos modelos recém-lançados, como maior conectividade, que estimula o consumidor a renovar seu automóvel.

“Os bancos de varejo voltaram a oferecer mais crédito, o que aquece este mercado. Ao mesmo tempo, muitos que compraram o carro zero há quatro ou cinco anos, quando tivemos recordes de vendas, estão trocando agora de automóvel, dentro de um ciclo esperado de renovação, hoje com estímulo adicional de comprar um veículo bem mais moderno, com tecnologias que não tinham antes”, avalia Megale.

Produção

A produção de veículos deve ter alta de 5% em 2019, atingindo um total de 3,15 milhões. A estimativa é do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A informação partiu do presidente da entidade, Dan Ioschpe, durante o 6º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, realizado na segunda-feira, 10 de setembro, em São Paulo.

Ioschpe admite que a estimativa de alta é pequena, mas recorda que o ano que se aproxima será o terceiro consecutivo de crescimento. Foram 24% em 2017 e serão 12% em 2018. Durante o evento, Ioschpe comemorou a inserção da cadeia de autopeças no programa Rota 2030, mas lamentou a falta de esforço por parte do governo para a simplificação da tributação no setor.

Para as empresas de autopeças, a insegurança jurídica em todas as áreas (trabalhista, tributária e ambiental) também permanece como entrave, assim como o excesso de burocracia, juros elevados e logística deficiente.

Dan Ioschpe recorda que o faturamento dos fabricantes de autopeças deve fechar 2018 com alta de 14,3%, mas a balança comercial terminará o ano deficitária em US$ 6 bilhões. Para o Sindipeças, o equilíbrio no comércio internacional de componentes passará, entre outros pontos, pela melhora nos acordos com o Mercosul, com o México e, na sequência, com o Japão e outros países e regiões relevantes.

Assim como o Sindipeças, a Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos, também ressaltou a importância de a Medida Provisória do Rota 2030 ter contemplado as empresas de autopeças: “O programa valoriza a pesquisa e desenvolvimento e é importante reter esses conhecimentos e talentos criados localmente”, afirma o presidente da Anfavea, Antonio Megale.

“Não podemos desprezar nosso conhecimento em biocombustíveis e a possibilidade de utilização futura do etanol como fonte de energia em células de combustível”, diz o presidente da Anfavea.

Ele recorda que a importação de componentes pelo regime de ex-tarifários (que beneficia itens sem similar nacional com tributação reduzida) terá como contrapartida o investimento local por seus fabricantes em pesquisa e desenvolvimento.

Megale acredita que o Rota 2030 vai favorecer as autopeças brasileiras, assim como o Inovar-Auto fez com os automóveis. Ele cita como exemplo o aumento da fatia no mercado chileno. “Com a modernização de nossos veículos, conseguimos aumentar de 3% para 9% nossa participação no Chile, um país aberto e que importa veículos do mundo inteiro”, conclui Megale.

Com o bom resultado de agosto, no acumulado de oito meses do ano o mercado brasileiro consumiu 1,63 milhão de veículos de passageiros, comerciais leves, caminhões e ônibus. O número é 14,9% maior do que o observado no mesmo período de 2017. O resultado mensal isolado de 248,6 mil unidades é 14,8% superior ao do mesmo mês do ano passado, e está 14,3% acima dos emplacamentos de julho.

“Normalmente agosto é sempre um dos melhores meses do ano, com maior número de dias úteis (foram 23). Mas foi um mês bastante interessante, que nos surpreende pelo momento [de incertezas]. A média diária [de emplacamentos] ficou o tempo todo acima das 10 mil unidades, com picos de 16 mil em alguns dias, o que não acontecia há muito tempo”, disse o presidente da Anfavea, que divulgou seus números de produção, exportação e vendas domésticas na quinta-feira, 6. Megale destacou ainda que foi o melhor agosto desde 2014.

“Tínhamos a expectativa de que no segundo semestre o ritmo de expansão seria menor, porque na segunda metade de 2017 as vendas já tinham melhorado e assim a comparação porcentual seria naturalmente menor. Mas não é isso que está acontecendo, os números se sustentaram acima das nossas estimativas. Tomara que continue assim [para cima] e que a gente continue errando [para baixo]”, afirmou Megale.

(Fonte: automotivebusiness.com.br)

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